A carne cultivada está tendo cada vez mais investimentos — segundo o The Good Food Institute recebeu US$ 1,4 bilhões em 2021 — sabendo disso, vamos conhecer as oportunidades e os desafios desse alimento. 

As oportunidades e os desafios da carne cultivada 

Oportunidades

A primeira oportunidade que podemos perceber são as previsões a respeito do mercado. Apesar dos números variarem conforme a instituição e metodologia utilizada, as perspectivas são positivas. Vamos ver? 

Segundo a consultoria McKinsey, o mercado poderá atingir o valor de US$ 25 bilhões até 2030. Como mencionado, chegar a esse valor depende de vários fatores como: aceitação do consumidor, riscos, posição de custo, resposta política e fornecimento, que podem impactar nesse resultado. 

Outra previsão, dessa vez do Markets and Markets, é que o mercado global atinja US$ 593 milhões no ano de 2032, crescendo a um CAGR de 15,7% entre 2025 e 2032. Para você ter uma ideia e poder realizar uma comparação, a indústria global de carnes valia cerca de US$ 1,3 trilhão em 2020. 

Como ponto favorável também podemos citar a questão da sustentabilidade e crueldade animal. Conforme a CE Delf, empresa de consultoria e pesquisa, quando esse produto utiliza a energia sustentável se torna a alternativa mais ecológica para a carne. 

Faça parte da comunidade da Vegan Business no WhatsApp: Notícias | Investidores

Falando a respeito do bem-estar animal, ao se produzir a carne cultivada não é necessário realizar o abate desses seres vivos. 

O processo é o seguinte: ocorre a retirada de uma amostra de um animal, por meio de uma biópsia, onde os cientistas obtêm as células que são colocadas para se proliferarem em um ambiente aquoso, dentro de um biorreator ou fermentador. 

Aqui vale dizer que algumas empresas utilizam soro de crescimento celular que contém origem animal, como o Soro Fetal Bovino. Entretanto, já existem empresas que oferecem alternativas a esse produto e que pararam de usar essa substância.

É o caso da Mosa Meat — empresa fundada por Peter Verstrate e Mark Post, esse último apresentou o primeiro hambúrguer cultivado em 2013 — sendo que a marca removeu o soro fetal bovino em 2019.

Outro benefício é o auxílio a prevenção de futuras pandemias, pois previne as doenças zoonóticas, transmitidas dos animais para os seres humanos. 

Também podemos citar como uma vantagem o fato de que a carne cultivada continua a ser carne de origem animal, feita sem abate. 

Uma Valeti, CEO e fundador da marca de carne cultivada Upside Foods, explicou ao Food Engineering Mag que a demanda pela carne deve dobrar até 2050, e a beleza da carne cultivada é o fato de que não é preciso pedir aos consumidores para modificarem seus hábitos alimentares, já que é a mesma carne, porém, é produzida de uma maneira mais sustentável e humana. 

Um estudo científico, publicado na Revista Foods, identificou a abertura dos consumidores dos Estados Unidos e Reino Unido para experimentarem a carne cultivada: 40% da população considerou altamente provável experimentar o alimento, sendo que mais 40% poderia considerar prová-la. Na geração Z, esse número aumenta para 49% e 39% respectivamente. 

Portanto, podemos ver que há interesse do público por essa inovação. 

Desafios

Um dos desafios é a aprovação regulatória. O produto é relativamente novo, portanto, nem todos os países aprovaram sua comercialização. Até o momento, somente Cingapura aprovou a venda da carne cultivada em dezembro de 2020, momento no qual os cidadãos puderam provar o produto da JUST Egg no restaurante 1880. 

Segundo o Food Engineering Mag, muitas empresas esperam comercializar seus produtos nos Estados Unidos até 2023. Aqui no Brasil a previsão é que o produto chegue entre 2023 e 2024, a partir de uma parceria entre a BRF e a Aleph Farms. Logo, a aprovação regulatória é um dos desafios do setor. 

Além disso, também temos o fator da paridade de preços para competir com a carne de origem animal. De acordo com um relatório da Blue Horizon e BCG, é provável que as alternativas cultivadas atinjam a paridade de preços somente em 2032, com o valor se igualando as proteínas de origem animal. 

Mesmo assim, vale mencionar que é possível perceber uma mudança gradual: em 2013, o primeiro hambúrguer cultivado criado por Mark Post tinha um custo estimado de US$ 375 mil. Atualmente, o mesmo hambúrguer tem o valor projetado de € 9, segundo a Sifted em matéria de 2020

Para reduzir ainda mais esse custo, inovações em setores como tecnologia e engenharia poderão auxiliar nesse cenário. Já falamos aqui, por exemplo, da Multus Biotechnology LTD que levantou no ano passado £1,6 milhão para um soro que auxiliará o mercado da carne cultivada e a CellulaREvolution, com tecnologias para o setor. 

Empresas de carne cultivada 

Como exemplo, vamos falar mais sobre algumas empresas de carne cultivada para você conhecer! 

  • Aleph Farms — a marca israelense foi fundada em 2017 por Didier Toubia e Shulamit Levenberg, já recebeu um investimento do Leonardo DiCaprio
  • Future Meat — a marca israelense foi fundada em 2018 por Yaakov Nahmias, conseguiu reduzir o custo de produção para US$ 1,70 e já captou um investimento recorde de US$ 347 milhões. 
  • Higher Steaks — a marca inglesa foi fundada em 2017 por Benjamina Bollag. Segundo o Live Kindly, produziu o primeiro bacon cultivado em laboratório, feito com 70% de carne cultivada e 30% à base de plantas. 

Gostou de conhecer as oportunidades e desafios da carne cultivada? Aproveite e leia também: 

Primeira startup de carne cultivada brasileira

Quer investir em carne cultivada? Conheça mais sobre o mercado

China inclui carne cultivada e alimentos plant-based no plano agrícola

*Imagem de capa: Higher Steaks e Tailored Brands, CC-BY / via Recursos GFI

Por Amanda Stucchi em 9 de março