Você sabia que já existe uma startup de carne cultivada brasileira? 

A empresa se chama Ambi Realfood, criada pela fundadora Bibiana Matte, que também é diretora científica da Núcleo Vitro, especializada em testes in vitro, utilizando as metodologias da pele 3D e da biologia molecular, sem utilizar os animais no processo. 

A primeira startup de carne cultivada brasileira 

Em sua página, a empresa afirma ser a primeira startup de carne cultivada brasileira, também falou sobre sua fundação: “A Ambi Realfood nasce com a experiência da Núcleo Vitro, empresa de biotecnologia fundada em 2019 e que trabalha com mais de 90 empresas, em 10 países diferentes, desenvolvendo estudos científicos utilizando diversas tecnologias”. 

Bibiana Matte tem diploma de bacharelado em odontologia, com doutorado em patologia bucal. Mas, foi ao vencer o edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) que ela recebeu investimentos para desenvolver a carne cultivada em uma startup brasileira, obtendo R$ 200 mil!

Ela comentou ao Canal Rural sobre a Núcleo Vitro: “Dentro disso temos um leque bem grande de estudos indo para a parte de pele, de vírus, e ano passado, querendo pensar em outras áreas que a nossa expertise de engenharia de tecidos e de cultivo de células poderia atuar, me debrucei sobre o assunto da carne cultivada”. 

Além da FAPERGS, também é informado pela startup que eles tem o apoio da Rede Zenit (UFRGS) e da Unitec (Unisinos).

Outras empresas brasileiras que estão apostando no setor de carne cultivada 

A carne cultivada é um mercado em expansão que está recebendo diversos investimentos, portanto, não é surpresa que mais empresas estejam querendo trazer o produto para nosso país. 

Entretanto, vale reforçar que para comercializar a carne cultivada é necessário ter autorização dos Órgãos reguladores brasileiros — no momento, o único país que possui  autorização de comercializar o produto é Cingapura — portanto, é possível que ainda demore um pouco mais para a carne cultivada ser vendida no nosso país. 

Mesmo assim, a empresa brasileira BRF também já deu passos nessa indústria, fechando uma parceria com a Aleph Farm (startup israelense de carne cultivada). Conforme uma notícia de setembro no Globo Rural, o diretor de inovação da BRF, Sérgio Pinto, relatou que a carne cultivada chegará ao Brasil em 2024. 

As primeiras versões poderão custar cerca de US$ 30 a US$ 40 o quilo (ou seja, entre R$ 150 a R$ 200), mas ele ressaltou que a ideia é que o preço chegue a um valor equivalente às outras proteínas, dizendo: “Queremos que a escolha do consumidor seja por questões nutricionais e ideológicas, não pelo preço”. 

Além da BRF, também existe a brasileira JBS. Nesse mês, ela entrou no mercado de proteínas cultivadas com US$ 100 milhões, ao adquirir a Biotech Foods, uma produtora de carne cultivada espanhola. Também existem planos de criar um centro de pesquisa e desenvolvimento no território brasileiro, além de construir uma fábrica na Espanha com US$ 41 milhões. 

Cientista realizando uma pesquisa

Imagem ilustrativa: Unsplash

Mercado de carne cultivada e investimentos no setor

Agora que você já sabe mais sobre a situação da carne cultivada no Brasil, que tal conhecer mais sobre o mercado desse setor e os investimentos recebidos? 

Conforme um relatório da McKinsey, é estimado que o mercado de carne cultivada com células atinja US$ 25 bilhões até o ano de 2030

O valor é muito promissor, mas, como em toda inovação, vários fatores podem influenciar os resultados. Dois deles já falamos nesse texto, você percebeu? É a resposta política — necessidade de receber aprovação para a comercialização — e a posição de custo, ou seja, ter um preço competitivo com relação à carne de origem animal. 

Se você se interessou pelos fatores, recomendamos dar uma lida na nossa matéria

Além disso, conforme o Good Food Institute, as empresas de carne cultivada receberam US$ 366 milhões em investimentos em 2020, tendo um aumento de 487% com relação ao ano anterior. 

Falando nos números, em 2019 foram investidos US$ 60 milhões, sendo que em 2016 o valor era de US$ 6 milhões. 

Esses dados demonstram investimentos progressivos nesse mercado, que também possui previsões de crescimento positivas. 

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*Imagem de capa: Unsplash



por Amanda Stucchi em 26 de novembro