A brasileira JBS chegou no mercado de proteína cultivada: a marca destinou US$ 100 milhões para alavancar no setor. 

O valor milionário será utilizado para adquirir a startup Biotech Foods (produtora de carne cultivada espanhola), desenvolver um centro de pesquisa e desenvolvimento no território brasileiro, além de construir uma fábrica na Espanha com US$ 41 milhões. 

Conforme a JBS afirmou a Reuters: “A aquisição marca a entrada da empresa no mercado de proteínas cultivadas”. 

O CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, falou à imprensa: “Esta aquisição reforça nossa estratégia de inovação, desde como desenvolvemos novos produtos até como comercializamos, para atender à crescente demanda global por alimentos. Unindo o conhecimento tecnológico com nossa capacidade de produção, seremos capazes de acelerar o desenvolvimento do mercado de proteína cultivada”. 

A JBS irá desenvolver o Centro de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) em Biotecnologia e Proteína Cultivada do Brasil, está previsto para ser inaugurado em 2022, incluindo na segunda etapa uma planta que irá ocupar uma área de 10 mil metros quadrados. Liderado pelos doutores Luismar Marques Porto e Fernanda Vieira Berti, a iniciativa contará com cerca de 25 pesquisadores e vai trabalhar no desenvolvimento de tecnologias de ponta para a indústria de alimentos. Legal, não é?

Gilberto Tomazoni acrescentou sobre o centro: “Estamos ampliando nossa plataforma global para atender às novas tendências de consumo e ao crescimento da população global. A aquisição da BioTech Foods e o novo centro de pesquisa colocam a JBS numa posição única para avançar no setor de proteína cultivada”.

A JBS é conhecida por ser a maior processadora de carnes do mundo, porém, esse não é o seu primeiro investimento nas proteínas alternativas. No mês de abril de 2021, a marca comprou a holandesa Vivera por €341 milhões, terceira maior empresa europeia de alimentos à base de plantas. 

Em sua divisão Seara Alimentos, outra ação no setor de proteínas vegetais foi a criação do The Incredible Lab (Laboratório Incrível, em tradução livre), um centro brasileiro de inovação em alimentos vegetais, pois a marca também deseja se tornar referência nas proteínas vegetais. 

Outra empresa brasileira que está entrando nesse mercado é a BRF. Como já mencionamos, a gigante fez uma parceria com a Aleph Farms (startup de carne cultivada israelense), com o objetivo de comercializar a carne cultivada no país entre 2024 e 2025. Foi informado que a marca já está em contato com os Órgãos Reguladores Brasileiros para obter a aprovação do produto. 

Apoio do The Good Food Institute

Você sabia que o The Good Food Institute Brasil assessorou a JBS na sua entrada no mercado de proteína cultivada?

O GFI Brasil ofereceu apoio estratégico, tecnológico, regulatório e conexões com cientistas e startups para a companhia.

Raquel Casselli, gerente de engajamento corporativo do GFI Brasil, relatou: “Esse é um dos maiores fatos que já ocorreram nesse setor. O investimento é de longe o maior já feito nessa área por uma empresa tradicional de carnes, e um dos maiores mesmo dentre as startups, que já captam recursos há anos. Com esse movimento, a JBS mostra que está disposta a investir pesado para chegar na liderança da produção de carne cultivada e imediatamente muda o cenário competitivo global. Cada vez mais temos uma certeza: o futuro da produção de alimentos com base tecnológica terá, com certeza, protagonismo brasileiro”.

O presidente do GFI Brasil, Gustavo Guadagnini, também falou: “Nós, do GFI, ficamos muito felizes em termos sido chamados para colaborar no projeto de proteína cultivada da JBS. Nosso objetivo é sempre facilitar a entrada de novos agentes para que o mundo das proteínas alternativas se desenvolva mais rápido. Tivemos o privilégio de ver a empresa potencializar esses recursos para buscar a liderança da área, gerando uma das estratégias mais arrojadas da história do setor. Foi uma honra ver esse projeto nascer e aprender com o time de executivos da JBS durante o processo de planejamento”.

Mais sobre a startup Biotech Foods

Agora que você já sabe um pouco mais sobre as investidas da JBS no mercado de proteína cultivada, que tal conhecer mais sobre a startup que a empresa adquiriu? 

A empresa foi fundada em 2017, por Iñigo Charola e Mercedes Vila Juarez. 

“Nossa produção é baseada no crescimento de tecidos por processos de cultura de células in vitro, que são os processos pelos quais as células crescem fora de seu ambiente natural. Nós regulamos suas condições físico-químicas para fornecer um ambiente agradável e controlado para a proliferação natural e o crescimento de tecidos saudáveis”, relatou a Biotech Foods

Em janeiro desse ano, a empresa anunciou uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento chamada CULTUREDMEAT, após ter recebido um aporte da União Europeia no ano passado, o objetivo do projeto era investigar a produção da carne a partir da agricultura celular.  

A marca comercial da Biotech Foods é a EthicaMeat, vale reforçar que como os produtos estão na fase de regulamentação, o lançamento ainda não ocorreu. Atualmente, somente Cingapura aprovou a comercialização desse produto. 

Quando estiver em fase comercial, a proteína cultivada chegará inicialmente aos consumidores na forma de alimentos preparados, como hambúrgueres, embutidos, almôndegas, entre outros. A tecnologia tem potencial não apenas para a produção de proteína bovina, mas também para a de frangos, suínos e pescados.

Como está o mercado de proteína cultivada?

Se você acompanha o Vegan Business, sabe que o mercado de proteína cultivada está com tudo. 

Nós já falamos que a indústria da carne cultivada levantou US$ 366 milhões em 2020, conforme dados do The Good Food Institute, mostrando que o valor investido de 2019 a 2020 aumentou 487%. 

Também mencionamos um relatório da consultoria McKinsey, segundo a instituição o mercado de carne cultivada com células poderá atingir US$ 25 bilhões até 2030. Fantástico, não é? 

Além das grandes empresas, várias celebridades estão investindo nesse setor. As últimas que noticiamos foram Ashton Kutcher (em uma parceria com a MeaTech) e Leonardo DiCaprio (ao aportar na Mosa Meat e Aleph Farms). 

Portanto, mesmo que vários fatores influenciem esse mercado — como a aprovação regulatória, por exemplo — é possível dizer que o setor está em crescimento e recebe muitos investimentos, logo, pode haver mais novidades no futuro. 

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*Imagem de capa: Divulgação JBS / Foto: Bitenka



por Amanda Stucchi em 18 de novembro