A ONU disponibilizou, no dia 17 de junho de 2019, as mais recentes projeções populacionais. Segundo a organização, a população total do planeta gira em torno de 7,70 bilhões, com estimativa para chegar em 8 bilhões até o ano de 2023. Em paralelo, o consumo de proteínas ao redor do globo deve aumentar em mais de 70% até 2050!

Mas não se engane, não são apenas os números absolutos que estão mudando! O fato é que as grandes empresas do ramo da carne estão de olho em uma transformação mais sutil, porem consistente no mercado: a mudança de comportamento dos consumidores!

Hoje, o setor de carne bovina enxerga os indivíduos cada vez mais conscientes sobre aspectos que vão da própria saúde até o impacto ambiental gerado no processo de fabricação, passando também pelo bem estar dos animais envolvidos. A primeira impressão pode ser de que isso representará uma grande dor de cabeça para essas empresas, acostumadas a vender toneladas de carne, correto?

Errado! Bem, se você quer ser líder no mercado, é necessário enxergar as adversidades como oportunidades! É dessa maneira que a gigante JBS resolveu unir o que há de mais novo em prol do mercado de proteínas vegetais, aliando especialistas da gastronomia, ciência, tecnologia e tendências de consumo, no chamado The Incredible Lab” (algo como; o Laboratório Incrível), situado no Brasil.

A missão é clara: se tornar referencia também no mercado de proteína vegetal utilizando a ciência a seu favor. A própria Joanita Karoleski, presidente da Seara Alimentos, uma divisão da JBS, nos conta em entrevista: “O mundo está em constante mudança. Hoje existe um novo jeito para tudo, e com a comida não é diferente. A procura por proteínas vegetais é uma realidade, e nos queremos ser lideres nesse segmento.”

É fácil de entender essa tendência quando lembramos que, apesar dos dados para o mercado brasileiro ainda não serem tão claros em cifras, só nos Estados unidos a estimativa é que o valor comercial do setor de alternativas a carne valerá em torno de 100 bilhões de dólares até 2035!

Aqui no Brasil, a última pesquisa encomendada pelo Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) ao Ibope, em abril de 2018, já afirma que quase 30 milhões da brasileiros já se declaram adeptos a uma opção alimentar livre de carne, e que  55% dos brasileiros consumiriam mais produtos veganos se estivessem indicados na embalagem! Bastante, não?

E nesse sentido que a JBS aposta em seu laboratório de ultima geração para “abocanhar” mais essa fatia do mercado. O laboratório já é responsável por tecnologias como a Biomolécula i, capaz de produzir “gosto e textura de carne sem precedentes”, graças a adição de moléculas e elementos naturais na fermentação com o intuito de estimular o paladar e o olfato dos consumidores.

A PhD em tecnologia de alimentos e gerente de inovações da Seara, Renata do Nascimento, explica o diferencial da tecnologia para outras disponível no mercado: “A Biomolécula i estimula uma quantidade crescente de salivação, o que permite que as papilas gustativas fiquem livres para novos sabores. Isso faz com que a percepção e a experiencia para o paladar fiquem ainda mais incríveis e únicas.”.

Essa adaptação de marcas como a JBS, que buscam cada vez mais aliar esforços para uma produção sustentável de seus produtos e investimentos em ciência e tecnologia de alimentos é uma resposta a uma nova geração de consumidores. O processo de compra é extremamente influenciado pelos hábitos das pessoas, que hoje estão cada vez mais conectadas. Para se ter uma ideia, o aumento de buscas no Google para proteínas vegetais aumentou cerca de 150% nos últimos quatro anos!

O diretor de negócios para bens consumíveis e tecnologia da Google Brasil, Marco Bebiano, faz previsões confiantes a animadas para o crescimento continuo do mercado no país. Segundo ele: “A jornada de consumidores que querem investir em alimentos livres de carne começa pelo entendimento de maneiras alternativas de se alimentar, e está rapidamente evoluindo junto com os produtos, as receitas e os restaurantes.”

Vale lembrar que empresas como a JBS e outras gigantes da indústria da carne já foram apontadas pela opinião pública como grandes ativas no aumento de problemas globais desde o desmatamento da Amazônia, assunto que esteve em alta no final de 2019, até o temido aquecimento global. Isso devido a alta emissão de gás metano e grande área utilizada na criação de gado em pastagens, isso para não falar na enorme quantidade de água consumida por essa indústria!

É essa realidade moderna e dinâmica que induziu a JBS, responsável pela capacidade de sozinha abater cerca de 8 milhões de bois por ano, a investir também em alternativas que complementem o seu portfolio e agradam o novo perfil de consumidores. Apesar de não divulgados os valores totais nos investimentos, a empresa confirma que com a crescente demanda do mercado, continuará investindo no segmento de alternativas a carne.

E você, vai ficar de fora dessa revolução? Não deixe de acompanhar o Vegan Business, o seu portal de conteúdo de negócios veganos para mais novidades, e vamos juntos fazer parte de um futuro melhor!



por Leonardo Madureira em 15 de março