A China incluiu a carne cultivada e os alimentos plant-based no plano agrícola oficial de cinco anos, focando na segurança alimentar. 

O país consome muitos alimentos de origem animal, conforme uma análise do Rabobank a região consumiu 8,7 milhões de toneladas de carne bovina em 2020, sendo que o consumo desse produto deve aumentar em quase 10% até 2025. 

Além disso, conforme a BBC Future a nação foi considerada o segundo maior consumidor mundial de produtos lácteos em 2020, anteriormente a bebida era vista como um alimento para bebês e idosos. 

Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o aumento do consumo mundial da carne bovina tem ocorrido principalmente devido ao consumo no território chinês. 

A China consumia 28% da carne mundial no ano de 2021, conforme informações da OECD.Stats divulgadas no The Guardian. Além disso, a Green Queen também apontou que a ingestão média de carne na região cresceu de 30 para 150 gramas por dia. 

Tudo isso demonstra como o mercado chinês age em relação à carne de origem animal. 

Virada de chave: carne cultivada e alimentos plant-based no plano agrícola

Conforme o Time, a China publicou seu plano agrícola oficial de 5 anos no dia 26 de janeiro, incluindo no documento as carnes cultivadas e alimentos à base de plantas. 

O CEO da Eat Just, Josh Tetrick, explicou ao Time que a iniciativa do país poderá acelerar o cronograma regulatória da carne cultivada, impulsionar mais pesquisas e investimentos na indústria de proteínas alternativas, bem como fazer com que o consumidor aceite melhor esses produtos. Ele destacou: “Incorporar ovos à base de plantas e carne cultivada no plano de cinco anos do país é um indicador significativo do que está por vir”. 

A Eat Just comercializa ovos à base de plantas e possui a divisão de carne cultivada GOOD Meat, a marca conseguiu permissão de comercializar a carne cultivada (nuggets e peito de frango) em Cingapura, único país até o momento que permite a venda desses produtos. 

Impactos dos alimentos na sustentabilidade

Um estudo feito pelo Rhodium Group, no ano de 2021, apontou que a China poluía mais do que todos os países desenvolvidos juntos, sendo que as emissões de gás carbônico mais do que triplicaram nos últimos trinta anos, registrando 27% na escala global. 

Uma forma de contribuir com a sustentabilidade é modificando os hábitos alimentares, optando por produtos à base de plantas ou para a carne cultivada (quando essa estiver disponível). Aliás, a carne cultivada já foi considerada a carne de origem animal mais ecológica que existe, quando a mesma utiliza energia sustentável. 

A pecuária contribui para a emissão de gás metano, desmatamento e utiliza muita água. Segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a pecuária emite globalmente cerca de 14,5% de emissões de gases de efeito estufa, sendo que o gado é responsável por 65% das emissões da pecuária. Isso demonstra o quanto essas alternativas podem impactar positivamente no meio ambiente. 

Primeira startup de carne cultivada chinesa

A China já tem sua primeira startup de carne cultivada, sob o nome Joes Future Food, a marca já levantou US$ 10,9 milhões no ano passado para melhorar a tecnologia, aumentar sua presença nacional e internacional, construir uma linha de produção piloto e reduzir seus custos de produção. 

O CEO e cofundador da empresa, Shijie Ding, relatou em uma comunicação: “A empresa fortalecerá ainda mais sua equipe principal, aumentará o investimento em P&D e acelerará a comercialização para colocar a carne cultivada com células na mesa dos consumidores chineses, proporcionando-lhes alimentos mais saudáveis, seguros e com menos emissões de carbono”.

Vale destacar que o foco principal da empresa é a carne de porco, tipo de carne mais consumida no território. 

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*Imagem de capa: Pexels

Por Amanda Stucchi em 1 de fevereiro