Como tornar o mercado de carne cultivada mais acessível? A Multus Biotechnology LTD está elaborando uma solução que pode auxiliar nessa questão. Recentemente, a empresa levantou  £1,6 milhões em investimento para lançar seu primeiro produto no mercado, a marca busca desenvolver um ingrediente chave para tornar a carne cultivada mais acessível, escalonável e lucrativa.

Essa rodada teve participação do SOSV, Zero Carbon Capital, Marinya Capital e dos investidores anjos Sake Bosch e Alvaro Martinez Barrio. A empresa também contou com uma doação de  £106 mil do Conselho de Pesquisa e Inovação do Reino Unido. O produto será um substituto de soro livre de elementos de origem animal, chamado de Proliferum M ™, que utilizará ingredientes proprietários e maximizará o crescimento celular das carnes cultivadas, reduzindo seus custos.

Produto para o mercado de carne cultivada
Imagens: Divulgação Multus Biotechnology LTD

Segundo a missão da empresa: “Nossos produtos fornecem soluções de baixo custo para outras formulações concorrentes de origem animal, permitindo que nossos clientes e seus consumidores desfrutem de produtos verdadeiramente socialmente responsáveis ​​a um preço acessível”. Atualmente, o soro está em pré-venda, sendo informado na página do produto que a empresa busca iniciar a produção em larga escala no segundo semestre de 2021.

Fundada em 2019, pelos founders Cai Linton, Kevin Pan e Reka Tron, e sediada no Reino Unido, essa empresa participou do programa SOSV’s IndieBio, com duração de quatro meses, onde as startups recebem US$ 525 mil em investimento seed, um espaço de laboratório e coworking, com mentoria exclusiva. O programa também dá ênfase no networking, pois as empresas se tornam parte de uma rede de ex-alunos, investidores, empreendedores na área de biotecnologia, trabalhadores da imprensa, parceiros corporativos, entre outros. 

Empresa que torna o mercado de carne cultivada mais acessível
Imagem dos fundadores (da esquerda para a direita: Reka Tron, Cai Linton e Kevin Pan): Divulgação Multus Biotechnology LTD

Perspectivas para o mercado de carne cultivada 

Já falamos aqui no Vegan Business que o mercado de carne cultivada é promissor! Segundo um relatório da McKinsey, pode atingir US$ 25 bilhões até 2030. Entretanto, por enquanto, o único país que está autorizado a comercializá-la é Cingapura. Porém, órgãos reguladores dos Estados Unidos já estão trabalhando para poder disponibilizá-la no país e a previsão de chegada dessa carne no Brasil é entre 2024 e 2025. 

O relatório apontou: “Muita coisa precisa acontecer para a carne cultivada se tornar uma grande indústria — inclusive dezenas de bilhões de dólares precisam ser gastos para escalá-la a, até mesmo, 1% do mercado global de proteínas. O foco da próxima década, provavelmente, será provar a viabilidade comercial, com penetração modesta no mercado”. Isso demonstra a importância de tecnologias como a da Multus para escalar e viabilizar a carne cultivada, além disso, conforme a Vegconomist, os soros à base de animal utilizados atualmente para o crescimento de células apresentam problemas éticos e são caros.

Também vale a pena ressaltar a avaliação conduzida pela CE Delf, empresa de pesquisa independente e consultoria, que revelou os possíveis benefícios da carne cultivada em relação à carne de origem animal, investigando os impactos no aquecimento global, uso de terra e a toxicidade humana. 

É dito na conclusão do estudo: “A carne cultivada pode competir com todas as carnes convencionais ambientalmente e pontua muito melhor do que a carne [de origem animal]. Esta conclusão é baseada na comparação com nosso ambicioso benchmark para produtos convencionais e, portanto, bastante robusto. Quando os produtores mudam para energia sustentável, a carne cultivada torna-se a opção mais ecológica para a carne”, em tradução livre.  

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por Amanda Stucchi em 21 de julho