O primeiro hambúrguer cultivado foi apresentado pelo farmacologista Mark Post em 2013, segundo a revista Science o produto tinha um custo estimado de US$ 375 mil. Quem apoio o projeto, investindo na ideia, foi Sergey Brin (cofundador do Google). 

Apresentação do primeiro hambúrguer cultivado

A apresentação do primeiro hambúrguer cultivado aconteceu em Londres, com a presença de 200 jornalistas e acadêmicos, o hambúrguer foi preparado pelo Chef Richard McGeown, do Couch’s Great House Restaurant, e provado por Mark Post e pelos voluntários Josh Schonwald (escritor de alimentos) e Hanni Rützler (cientista nutricional). 

Josh Schonwald falou no vídeo de lançamento: “O gosto do hambúrguer é suave e de sabor neutro, o que fazia ser mais similar a carne bovina real era a textura: quando eu mordi fiquei impressionado com a densidade e como era familiar”. 

Mark Post e Peter Verstrate fundaram a empresa de carne cultivada Mosa Meat, com a missão de remodelar fundamentalmente o sistema alimentar global.  

“O hambúrguer era tão caro em 2013 porque naquela época estávamos produzindo em uma escala muito pequena”, ressaltou a marca em seu site. 

O hambúrguer agora tem custo menor

Quer saber qual é o custo do hambúrguer agora? 

Segundo a Sifted, em matéria do final de 2020, o custo projetado de cada hambúrguer da Mosa Meat é de € 9 (US$ 5,65). Após removerem o soro fetal bovino do processo em 2019, conseguiram reduzir os custos. 

A empresa explicou em seu blog: “Era inegociável para nós desde o início que, ao aumentar a escala, o soro de crescimento não contivesse nenhum componente animal. Por razões éticas, bem como pela simples razão de que o soro fetal bovino é muito caro, e nunca poderíamos produzir carne em larga escala por um preço amplamente acessível”.

Outras empresas, como a Future Meat Technologies, também estão conseguindo deixar o preço desse alimento cada vez mais acessível. Atualmente, a carne da marca tem um custo de US$ 5, com valor de produção de US$ 1,70. 

Aqui é necessário ressaltar: ainda não é possível comprar a carne cultivada em todos os países. 

No momento, somente Cingapura concedeu a aprovação regulatória para a venda de dois produtos cultivados da Eat JUST. No final de 2020, esse marco aconteceu no restaurante 1880 onde os consumidores puderam provar a carne cultivada. Porém, conforme a CNN, a carne cultivada poderá chegar no Brasil entre 2024 e 2025, vinda de uma parceria entre a BRF e a Aleph Farms. 

Paridade de preço da carne cultivada e investimentos do setor 

Quando o preço da carne cultivada se igualará às proteínas de origem animal? 

Você não precisa mais ficar imaginando! Um relatório da Blue Horizon e BCG trouxe uma resposta, informando que as alternativas cultivadas diretamente das células animais atingirão a paridade de preços até 2032. Entretanto, as opções à base de plantas atingirão essa paridade mais cedo, já em 2023.

Os investimentos também estão aumentando! 

Um relatório do The Good Food Institute apontou que de 2016 até 2020 os investimentos totalizaram US$ 505 milhões. 

Para ter uma ideia, a indústria obteve US$ 6 milhões em 2016, mas em 2020 conseguiu US$ 366 milhões. O valor investido de 2019 a 2020 aumentou em 487%. 

Ainda, conforme informação da Vegconomist extraída de um relatório da FAIRR Intiative, 2021 foi considerado o ano da carne cultivada com US$ 506 milhões investidos.

No ano passado, pudemos ver a Future Meat levantando um investimento recorde de US$ 347 milhões da Série B, Aleph Farms atingindo US$ 105 milhões em uma rodada e a GOOD Meat, foodtech de carne cultivada da Eat Just, obtendo US$ 97 milhões. 

Portanto, podemos perceber que o preço do alimento está reduzindo de forma gradual e que mais investimentos estão sendo realizados no setor. 

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*Imagem de capa: culturefbeef.org / via Labiotech



por Amanda Stucchi em 18 de fevereiro