O processo de fermentação utiliza micróbios, como fungos ou leveduras, para quebrar algum tipo de composto e criar um subproduto. A fermentação já é utilizada na indústria do álcool e dos queijos derivados de animais, por exemplo, mas algumas empresas já estão utilizando esse procedimento para criar proteínas que competem com as de origem animal. Portanto, que tal conhecer mais sobre algumas empresas que atuam nesse mercado?

Clara Foods

A Clara Foods utiliza um processo de fermentação com leveduras modificadas, para suas proteínas de ovos. Seu processo é o seguinte: a empresa mistura a levedura e o açúcar, depois esses ingredientes são fermentados, possibilitando a Clara Foods ter proteínas, que podem ser utilizadas em diversos produtos. 

Para a Forbes, o co-founder e chefe-executivo, Arturo Elizondo falou: “Usando esse processo, podemos manter o mesmo sabor e funcionalidade do produto original — que é onde muitas alternativas à base de plantas veem desafios”. 

Perfect Day Foods

A Perfect Day Foods é uma empresa que recria as proteínas de soro de leite e a caseína sem utilizar elementos de origem animal. A empresa explica seu processo de produção, relatando que se questionaram “O que faz o leite ser leite?”, e a resposta a que chegaram foi que as proteínas do produto, como a caseína e o soro de leite, são o segredo do alimento.

Dessa forma, pensaram em uma solução: utilizar os genes das vacas em um organismo que não era animal, pois os genes de animais podem ser obtidos de uma forma não invasiva, não prejudicando os animais. Porém, a empresa foi ainda mais tecnológica e coletou esses genes em bancos de dados científicos gratuitos, publicados on-line. É importante ressaltar que, por ser molecularmente idêntico ao leite de vaca, o produto da Perfect Day Foods não é recomendado a quem tem alergia. 

Ryan Pandya, chefe-executivo e co-founder da empresa, falou à Forbes: “O resultado é uma proteína idêntica à proteína do leite, embalando mais nutrição por grama do que qualquer outra coisa que conhecemos e funcionando exatamente como você esperaria em processos e receitas de laticínios tradicionais”. Uma curiosidade sobre a empresa, conforme noticiamos em abril desse ano, é que Leonardo DiCaprio entrou em seu conselho consultivo. 

Motif 

Você se lembra da Motif FoodWorks? A empresa de ingredientes plant-based levantou US$ 226 milhões no mês passado em uma rodada da Série B. Essa marca visa utilizar a fermentação para oferecer alternativas veganas com melhor valor nutricional, em um comunicado à imprensa Michael Leonard, o Diretor de Tecnologia, falou: “[…] Estamos focados em resolver lacunas sensoriais importantes em sabor e textura para impulsionar a adoção mais ampla do consumidor”. 

Nesse mesmo comunicado, a empresa também anunciou uma prévia de duas tecnologias de alimentação. Uma delas utiliza fermentação de precisão para o sabor e o aroma da carne, e estará disponível até o final de 2021. 

Carnes via processo de fermentação da Motif FoodWorks
Imagens: Divulgação Motif FoodWorks

Bond Pet Foods

Outra empresa é a Bond Pet Foods e, como o próprio nome já diz, ela fabrica comidas para pets. Para isso, utiliza a fermentação microbiana, é dito em sua página: “Trabalhando com micróbios, como fermento, e uma matéria-prima de açúcares simples, sais, vitaminas e minerais, esta tecnologia de ‘fermentação’ é capaz de produzir de tudo […]”. 

O CEO, Rich Kelleman, disse à Sentient Media: “Estamos usando essencialmente o mesmo processo de fermentação do queijo para criar uma proteína de carne de alto valor”. No veículo também é divulgado um dado do estudo PLOS One, no qual é dito que se cães e gatos fossem seu próprio país, estariam em quinto lugar na quantidade de consumo de carne. 

A empresa é apoiada pela Lever VC, KBW Ventures, Agronomics e a Plug and Play Ventures. Além disso, em setembro do ano passado, o príncipe saudita Khaled bin Alwaleed bin Talal investiu nessa startup. 

Então, qual é o futuro da fermentação? Conforme Jon McIntyre, chefe-executivo da Motif, disse à imprensa: “O custo associado ao uso da fermentação diminuirá à medida que a tecnologia se tornar mais eficiente, mas estamos apenas começando a ver isso decolar no espaço plant-based […]”. 

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por Amanda Stucchi em 16 de julho