Empresas que se preocupam com o futuro do planeta, têm melhores resultados.

Você já pensou nisso?

Quando você compra um produto ou investe em uma empresa, você analisa como essa empresa se posiciona em relação aos cuidados com o meio ambiente e com a sociedade no geral?

Ou se você tem uma empresa, já pensou nos impactos que ela causa na natureza e na comunidade onde está inserida, nos relacionamentos que são criados com colaboradores, fornecedores e investidores e na forma com que ela é gerenciada e apresentada ao público? 

Essas são questões que vêm entrando em foco no mercado brasileiro recentemente, mas que já são abordadas com mais profundidade no exterior há algum tempo.

O mundo se encaminha em uma direção não favorável para as próximas gerações e a consciência da importância do desenvolvimento sustentável se expande e se fortalece cada vez mais com os acontecimentos diários resultados da destruição ambiental, crescimento populacional e consumo excessivo.

Com uma sociedade formada por consumidores e investidores atentos a essa necessidade de transformação para um futuro melhor e com a percepção de que a falta de compromisso ambiental pode ser um grande risco para o mercado financeiro, as empresas buscam maneiras de se reinventar para atender as demandas e fazerem sua parte. 

Por isso, a adoção das práticas baseadas no ESG (Environmental, Social and Governance) estão em alta, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Um levantamento da consultoria Luvi One mostrou que, até abril, apenas 37% das empresas brasileiras tinham metas relacionadas à redução dos impactos ambientais. 

Se você não sabe o que é ESG ou quer entender melhor do que se trata e por que é tão importante que as empresas o sigam, continue lendo este artigo!  

O que é ESG? Entenda mais sobre esse conceito

O ESG é um conjunto de práticas que uma empresa pode adotar para mostrar o seu comprometimento em minimizar o seu impacto negativo no meio ambiente e ajudar na construção de um mundo melhor e mais justo para a sua comunidade, ao mesmo tempo em que busca manter os melhores processos de administração e gerenciamento da empresa.

No mundo dos investimentos, essa sigla é utilizada como critério para análise de investidores socialmente responsáveis que buscam uma empresa cujos valores combinam com os seus, isso aumenta as chances dessa empresa ser escolhida para aporte de capital.

O significado e origem da sigla ESG

Environmental, Social and Governance. Em português, o termo se traduz para “Ambiental, Social e Governança”. 

São os três pilares pelos quais as empresas são avaliadas em se tratando de práticas para o desenvolvimento sustentável. Vamos entender melhor qual o significado de cada um deles:

  • Ambiental se relaciona às práticas adotadas para minimizar os impactos negativos e conservar o meio ambiente por meio de ações sobre aquecimento global, poluição, desmatamento, aproveitamento de energias renováveis, reciclagem e descarte seguro, entre outros.
  • O Social refere-se à forma com que a empresa se relaciona e trabalha com as pessoas que fazem parte dela, desde funcionários e fornecedores a consumidores e comunidade em geral. As boas práticas têm como base o respeito aos direitos humanos e às leis trabalhistas, podem ser criados projetos sociais com a comunidade, de diversidade em todos os cargos e busca pela satisfação do cliente.
  • E a Governança trata da forma como a empresa é administrada, por exemplo a conduta corporativa, a transparência das informações e a ética nos negócios.

Apesar do boom pelo qual o conceito está passando no momento, engana-se quem acredita que isso é algo criado baseado em preocupações recentes. 

Na década de 1970 foi quando surgiu o primeiro termo relacionado a investimentos em empresas sustentáveis, o SRI (Socially Responsible Investing – ou, em português, Investimento Socialmente Responsável), onde critérios sociais e valores da empresa eram levados em consideração na decisão dos investidores. 

Com o tempo, empresas que também tinham correlação com problemas ambientais começaram a ser evitadas e os empreendimentos começaram a ver a importância de um posicionamento e ações em favor do meio ambiente para se manterem ativas no mercado. 

A sigla ESG surgiu então, pela primeira vez, em 2004 em um relatório de uma iniciativa da ONU, em parceria de instituições financeiras, conhecida como “Who Cares Wins” (Vence Quem se Importa). 

O propósito era juntar vários países para discutir e definir formas de incluir questões ambientais, sociais e de governança no mercado, pois concluiu-se que com esses fatores sendo abordados, o mercado se torna mais sustentável e gera resultados melhores.. 

A importância da ESG para empresas e a sociedade

Não se trata mais apenas de uma tendência, o ESG é o novo normal do mercado.

As empresas que querem continuar ativas e lucrando precisam aderir a essas práticas. Logo não existirá uma diferenciação entre ESG ou não ESG nos investimentos, pois todas as negociações vão ser baseadas nesses critérios.

Além disso, o relatório “2021 Global RepTrack 100” mostra que o ESG está entre os três fatores mais importantes no que diz respeito à decisão de compra, confiança, recomendação e benefício de dúvida que o público dá à empresa.

As gerações mais novas consideram muito mais as questões sociais e ambientais ao consumir e investir capital.

Por isso a importância de se unir ao número crescente de empreendimentos que pensam em sustentabilidade, justiça social e objetivos corporativos transparentes, independentemente do tamanho da empresa.

Pequenos e grandes negócios que seguem o ESG tem uma imagem melhor diante da sociedade, são percebidas como mais sólidas e apresentam menor risco para investimentos. 

Como o ESG funciona? Exemplos de aplicação do ESG em empresas

Como já falado, o ESG é composto por um conjunto de práticas que as empresas devem aplicar no seu dia a dia em operações e vida corporativa. 

Por meio dessas atitudes, elas declaram seu posicionamento com relação à luta contra a crise ambiental, ao respeito pelas pessoas e pela governança ética e transparente. 

Muitas dessas práticas são baseadas na Agenda Global 2030, um compromisso que 193 países assumiram para agirem com relação aos desafios que enfrentamos do lado ambiental e social. São 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, os ODS, que variam entre a efetivação dos direitos humanos e o desenvolvimento sustentável nas dimensões sociais, econômicas, ambientais e institucionais.

Vamos ver alguns exemplos das práticas EGS que as empresas podem seguir:

Ambiental

  • Optar por embalagens recicláveis e diminuir o uso de plástico.
  • Diminuir desperdícios durante o dia a dia nos escritórios e eliminar descartáveis que não sejam essenciais para a segurança.
  • Fazer reciclagem e gerenciar o descarte correto de cada resíduo.
  • Usar energias renováveis.
  • Criação de produtos e tecnologias sustentáveis.

Social

  • Criar projetos e políticas de inclusão e diversidade no quadro de funcionários, para todos os cargos.
  • Respeitar as leis trabalhistas.
  • Oferecer licença maternidade e paternidade estendida que permita que mães e pais conciliem carreira e filhos.
  • Promover o diálogo aberto entre os diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa para melhorar o ambiente de trabalho.
  • Criar projetos sociais em parceria com a comunidade local.
  • Incentivar o crescimento dos colaboradores oferecendo cursos e treinamentos.

Governança

  • Promover diversidade nos Conselhos da empresa.
  • Agir com ética e transparência nas relações e processos.
  • Criar ações e planejamento de combate à corrupção.
  • Contratar fornecedores e colaboradores íntegros.

ESG e as iniciativas globais de incentivo às práticas sustentáveis

Existem diversas iniciativas globais com o objetivo de garantir que as empresas adotem práticas mais sustentáveis, vamos ver alguns exemplos:

Global Reporting Initiative (GRI)

O GRI é uma organização sem fins lucrativos que criou um modelo de relatório de sustentabilidade em 1997, como forma de padronizar os relatórios de sustentabilidade das empresas mundialmente e ajudá-las a compreender o impacto dos seus negócios nas questões ambientais, sociais e de governança.

As empresas podem criar os seus relatórios com base no padrão GRI para mensurar os impactos que causam, analisar resultados que virão com as iniciativas sustentáveis, avaliar as oportunidades e riscos para investir em melhorias e planejar metas, o que é mais fácil tendo embasamento no assunto.

Pacto Global

Uma iniciativa criada pela ONU nos anos 2000, o Pacto Global tem o objetivo de incentivar as empresas a alinharem, voluntariamente, suas estratégias e processos aos 10 princípios universais que são referentes às áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

Atualmente conta com mais de 16 mil membros em 160 países e é considerada a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.

Princípios para o Investimento Responsável (PRI)

Criada por investidores em parceria com a ONU, o PRI é uma iniciativa que coloca em foco a importância das questões ambientais, sociais e de governança corporativa na área de investimentos.

É considerado um modelo que os investidores podem seguir para contribuir para o desenvolvimento de um mercado financeiro sustentável e mais estável, que faça a diferença para as gerações futuras.

São seis os princípios do PRI:

  • Considerar as práticas ESG nas análises de investimento e nas tomadas de decisão.
  • Incorporar as práticas ESG nas políticas e práticas de propriedade de ativos.
  • Incentivar que as empresas onde se investe capital divulguem as ações e práticas ESG que realizam.
  • Promover a implementação e aceitação dos Princípios no setor de investimentos.
  • Aumentar a eficácia na implementação dos Princípios.
  • Divulgar os relatórios sobre o progresso da implementação dos princípios.

Acordo de Paris

Em 12 de dezembro de 2015 foi criado o Acordo de Paris, um tratado mundial entre 195 países que tem como objetivo a redução da emissão de gases do efeito estufa para o combate ao aquecimento global. 

O acordo entrou em vigor apenas em 4 de novembro de 2016 e tem como meta principal impedir o aumento de 2º C na temperatura global, comparado à temperatura média na época pré-industrial.

Agenda Global 2030

Como falado antes, a agenda 2030 é uma iniciativa da ONU que criou um plano de ação para a construção de um mundo mais sustentável, justo e igualitário até 2030.

São 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, os ODS, e 169 metas que países e empresas devem seguir, dentro de sua capacidade, para influenciar na melhoria da qualidade de vida da sociedade, preservação do meio ambiente e prosperidade da economia.

Alguns dos objetivos são:

  • Acabar com a pobreza
  • Erradicar a fome e promover a agricultura sustentável
  • Garantir educação de qualidade para todos
  • Igualdade de gênero
  • Garantir água potável e saneamento para todos
  • Acesso à energia barata e sustentável
  • Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles
  • Assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis
  • Promover o acesso à justiça para todos

ESG e Veganismo: como essas causas estão alinhadas?

A demanda por alimentos sem ingredientes de origem animal está em constante crescimento, uma pesquisa do IPEC mostrou que um terço dos brasileiros prefere opções veganas em restaurantes e 46% da população já deixou de comer carne pelo menos uma vez na semana.

Este hábito é apenas o começo para uma tendência que vai se tornar algo comum em alguns anos e isso é resultado da consciência de que a forma como nos alimentamos e vivemos cobra um preço alto do nosso planeta.

Mas o veganismo vai muito além de uma escolha para alimentação, é um estilo de vida que luta pela conservação do meio ambiente e pela saúde dos animais, além da própria. 

E essa luta é travada através do consumo consciente. As pessoas que se consideram veganas, que estão se encaminhando para esse modelo de vida ou que o apoiam, são os consumidores e investidores que analisam as empresas antes de qualquer compra, identificando se elas se preocupam com os impactos que geram no meio ambiente e na sociedade, e se agem com relação a isso. 

As empresas que não estão alinhadas às práticas ESG são aquelas que são ignoradas por esses consumidores e consequentemente pelos investidores e acabam perdendo seu espaço no mercado em favor de quem está se movimentando em prol da mudança global necessária.

Cases de Sucesso de ESG: como startups com soluções em ESG captam milhões todos os anos

No Brasil, uma pesquisa, da ACE Cortex, deste ano revela que existem 343 startups que focam em soluções ESG no mercado. Entre elas, 180 focam mais em meio ambiente, 130 no impacto social e 33 desenvolvendo soluções para governança corporativa.

Os investimentos em startups que aderem ao ESG ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão na última década, sendo que no primeiro semestre deste ano, o valor aportado foi de US$ 89,8 milhões. 

Algumas exemplos de negócios sustentáveis que tiveram sucesso:

  • Beyond Meat – fabricante de carne vegetal que realizou seu IPO em 2019 e atualmente vale US$8,4 bilhões.
  • Kemia – uma startup catarinense especializada em tratamento de efluentes que venceu o Prêmio Inovação Catarinense na categoria de Inovação de Impacto Socioambiental.
  • Camaleao.co – startup com foco na empregabilidade de pessoas LGBTQIA+.
  • VEGN – o primeiro fundo de investimentos vegano, da Beyond Investing, lançado em 2019, com foco em ética, defesa dos direitos dos animais e sustentabilidade

Como funciona o investimento ESG?

Os investimentos ESG são aqueles que analisam se as empresas se preocupam e agem com relação às questões ambientais, sociais e de governança e utilizam isso como critério para decidir onde fazer aportes. São considerados investimentos sustentáveis. 

A importância dos investimentos ESG

A preservação do meio ambiente e a justiça social são pautas que precisam ser abordadas para que o planeta e a sociedade no qual vivemos tenha um futuro.

Os consumidores já levam isso em consideração na hora de escolher onde vão comprar e consumir.

O crescimento dos investimentos ESG destaca essas pautas e aumenta a pressão para que empresas coloquem em prática ações relacionadas ao desenvolvimento sustentável e vejam isso como necessário para a criação de um mundo melhor e uma economia sustentável. 

Além de direcionar investidores que buscam adicionar investimentos ESG na carteira, tanto pela função social quanto pelos bons lucros que são gerados nesse tipo de investimento. 

Investindo em empresas ESG: por onde começar

Para começar a investir em empresas ESG existem algumas alternativas, vamos ver quais são elas:

  • Fundos de Investimento ESG: é a principal maneira de realizar investimentos sustentáveis, um grupo de investidores compra cotas e o gestor do fundo faz os aportes em empresas selecionadas com base nos três pilares: ambiental, social e governança. Os lucros são divididos entre os investidores com base na quantidade de cotas compradas.
  • Compra de ações: você pode montar sua carteira sozinho com base em pesquisas de mercado e utilizando índices ou prêmios distribuídos como guia e comprar as ações das empresas diretamente no home broker.
  • ETFs: outra forma prática de investir, você pode adquirir cotas e um gestor gerencia o fundo com base na réplica de um índice de sustentabilidade. Alguns dos índices são o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), Índice Carbono Eficiente e S&P/B3 Brasil ESG.

Além disso, o VeganBusiness está montando a primeira plataforma de Equity Crowdfunding focada no mercado plant-based, onde serão disponibilizadas oportunidades de se investir em empresas veganas que também tem como objetivo a criação de um mundo melhor e mais sustentável. Se quiser saber mais, inscreva-se aqui!

Conclusão

O ESG não é uma moda que logo vai ser deixada de lado. É a base da construção de um futuro onde o nosso impacto no planeta tenta ser o máximo positivo possível.

Com tantos acontecimentos que fizeram as questões de saúde – nossa e do meio ambiente – serem notadas, estamos em um cenário onde todas as áreas, seja como consumidores, investidores, empresas ou governos, procuram soluções sustentáveis. 

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*Imagem de capa: Unsplash



por Leticia Rocha em 16 de agosto