Ao que tudo indica, a pandemia fez mais pessoas aderirem ao veganismo em 2020. Inúmeros estudos mostraram que a pandemia de Covid-19 tornou as dietas à base de plantas mais atraentes. No Reino Unido, um relatório da Mintel revelou que 25% dos jovens da geração Y dizem que a pandemia tornou a dieta vegana mais atraente. Globalmente, os dados do Google Trends mostram que a popularidade do veganismo está agora em seu ponto mais alto, ultrapassando o recorde anterior, registrado em 2019.

De fato, é notório o aumento do interesse do consumidor por uma alimentação mais saudável, em geral, como resultado da pandemia. Isso, combinado com a inovação e o desenvolvimento de alternativas vegetais à carne mais saborosas, levou a um boom de produtos vegetais no mercado mundial.

Mas não é só sobre saúde. Os compradores também estão procurando maneiras de mostrar compaixão e fazer uma diferença positiva, durante um período difícil e tumultuado. A redução da proteína animal pode ser vista como uma forma de enfrentar a crise climática e mostrar compaixão pela natureza, com os benefícios percebidos para a saúde.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Veganoides, no Brasil, 3 a cada 100 pessoas aderiram ao veganismo após a pandemia. A pesquisa foi realizada online e a amostra foi composta por 101 brasileiros, no período de outubro a dezembro de 2020.

Pandemia X Veganismo

A conexão entre a Covid-19 e o consumo de animais fez com que inúmeras postagens na internet relacionassem o veganismo à prevenção da pandemia. Além disso, houve também maior ênfase na alimentação saudável, como forma de prevenir formas mais graves da doença.

Neste contexto, 12% dos respondentes desta pesquisa informaram que após a pandemia começaram a preparar alimentos mais saudáveis em casa. Outros 11% passaram a orientar mais ainda amigos e familiares sobre os impactos da alimentação com carne e derivados em nosso planeta. Além disso, 7% dos participantes demonstraram entendimento sobre o sofrimento animal em prol da indústria da carne.

Outro dado interessante se refere à relação das queimadas ocorridas na Amazônia/Pantanal e a pecuária. Em seguida, cerca de 11% descobriram novas receitas gostosas e sem carne, leite e ovos. Houve ainda, maior entendimento sobre a relação entre o consumo de carne e o surgimento de novas doenças no mundo.

Desde meados de março de 2020, com o início da pandemia, aproximadamente 10% compraram mais alimentos baseados em plantas e 9,1% pediram mais delivery de alimentos veganos do que antes.

Veganismo X Saúde

Certamente, as origens da COVID-19 ainda estão sendo estudadas, mas está claro que se trata de uma zoonose, uma doença infecciosa transmitida de não humanos para humanos. O vírus pode ter vindo de animais selvagens traficados, mas a maioria das doenças zoonóticas vêm de animais de criação.

Para além das origens de zoonoses, não há provas de que uma alimentação vegana seja isoladamente um fator preventivo à doença. No entanto, as pessoas que consomem muitas frutas e vegetais como parte de sua dieta tendem a ter melhor imunidade e podem ser capazes de combater a infecção de modo mais eficaz.

No entanto, vale ressaltar que nem todas as dietas veganas podem ser necessariamente consideradas “saudáveis”. Seguir uma dieta baseada em vegetais só é “saudável” se for bem balanceado com frutas, vegetais, proteínas e carboidratos complexos. Ser muito restritivo ou consumir quantidades anormalmente altas de qualquer grupo de alimentos pode fazer com que seguir uma dieta baseada em vegetais seja inútil para a saúde.

Em síntese, a pandemia fez mais pessoas aderirem ao veganismo, assim como, mais empresas oferecerem produtos à base de plantas para suprir a demanda em crescimento. Ao que tudo indica, está nascendo uma nova geração de veganos, que além de se preocuparem com os animais, também pensam na saúde e no meio ambiente.

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