Qual o impacto da pandemia de coronavírus no mercado vegano?

Embora ninguém aqui seja louco de dizer que desastres, sejam eles naturais ou não, são acontecimentos unicamente positivos, nos últimos tempos, foram observados efeitos colaterais benéficos decorrentes de várias crises.

Portanto, para entender a relação entre o mercado vegano e a pandemia de coronavírus, nada de analisarmos fatos isolados, vamos dar um passo atrás e buscar uma visão mais sistêmica.

Conexão entre o consumo de carne e a pandemia 

Em primeiro lugar, a palavra pandemia não é reconfortante. No entanto, está sendo cada vez mais usados em conexão com a disseminação do novo coronavírus que emergiu a partir da China.

A Organização Mundial da Saúde define pandemia como a disseminação mundial de uma nova doença. A palavra é mais comumente usada no contexto da gripe.

As pandemias de gripe ocorrem quando novas cepas de vírus da gripe emergem da natureza – digamos, um vírus da gripe suína ou uma cepa de gripe circulando entre galinhas – e começam a infectar pessoas.

Mas outras doenças também podem ser declaradas pandemias.

Os primeiros casos humanos da doença causada pelo coronavírus foram identificados na cidade de Wuhan, China, em dezembro de 2019. Há indícios de que tudo se iniciou  em um mercado na China, onde os vendedores vendem animais vivos e mortos para consumo humano.

Portanto, até que a fonte desse vírus seja identificada e controlada, existe o risco de reintrodução do vírus na população humana e o risco de novos surtos como os que estamos enfrentando atualmente.

Afinal, criar animais com a finalidade de alimentação em condições duvidosas é um terreno fértil para doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos.

O contexto climático e a crise atual

O atual empecilho imposto pela pandemia não é algo exatamente novo. Trata-se do mesmo impasse, existente há anos, décadas, pela emergência climática. No entanto, a relação entre o mercado vegano e a pandemia de coronavírus parece deixar a situação ainda mais clara.

Os cientistas já estão cansados de repetir que se faz necessário uma mudança urgente no estilo de vida, ou condenaremos a nossa própria espécie ao desaparecimento. Ou pior ainda, quem sobreviver, estará condenado a uma existência infernal, num planeta doente.

A emergência de problemas maiores

Em meados de novembro de 2019, cerca de 11 mil cientistas em diversos países demandaram que as indivíduos ao redor do planeta tomassem consciência de seus estilos de vida e reduzissem urgentemente a ingestão de carne.

O apelo para que todos adotassem uma dieta baseada em vegetais foi um alerta de que a crise chegou e está se acelerando mais rapidamente do que a maioria dos cientistas esperava. E ainda, que a situação é mais grave do que o previsto, ameaçando ecossistemas naturais e o destino da humanidade.

De fato, dados científicos disponíveis há anos mostram que o planeta está superaquecendo aceleradamente, em níveis incompatíveis com a vida de muitas espécies. E o que a maioria parece não querer enxergar é que, esse superaquecimento está destruindo a nossa Terra.

Em março de 2020, a ONU publicou um relatório alertando sobre a aceleração dos impactos das mudanças climáticas. No documento, há ainda o destaque para que ninguém permita que a pandemia distraia a necessidade em enfrentar as mudanças climáticas. Bem como, a desigualdade e outros problemas que o mundo enfrenta.

A pandemia e o padrão de consumo

Definitivamente, não restam dúvidas de que é preciso interromper o consumo do planeta, que há que se mudar radicalmente os padrões de consumo, que o nosso habitat não comporta a ideia de crescimento infinito.

É um fato comprovado que, a emissão de carbono desde a revolução industrial, o desmatamento,  queima de carvão e petróleo, se tornaram uma força de destruição capaz de alterar o clima de todo o planeta.

Quanto a pandemia que atualmente assola o planeta, tudo indica que a doença seja temporária. No entanto, a mudança climática é um fenômeno permanente que exigirá ação constante. Os incêndios ocorridos na Austrália e na Amazônia, por exemplo, devem impactar a indústria de laticínios e levar a uma enorme mudança para produtos veganos. 

Passada a turbulência provocada pelo coronavírus, a China deve reestruturar seu sistema alimentar e tomar medidas a fim mitigar problemas sanitários. Dessa maneira, estruturas como os mercados de carne viva devem perder força, de acordo com publicação do South China Morning Post. Tudo indica que a demanda por alimentos saudáveis ​​disparará na China.

O mercado vegano pós-pandemia de coronavrus

Por enquanto, a crescente pandemia de coronavírus força dezenas de milhares de restaurantes, bares e outras empresas a fecharem. Assim, há uma ameaça de afundar toda a economia do planeta em uma recessão. No entanto, empresas focadas no mercado vegano podem sobreviver mais facilmente ao desastre anunciado.

Com o aumento na demanda por produtos éticos, principalmente vinda de consumidores mais conscientes, o mercado vegano pode sofrer menos impacto no médio e longo prazo.

Além disso, empreendedores podem enxergar na crise uma oportunidade para iniciarem novos negócios envolvendo o mercado vegano.

Enfim, com a exposição de tantos problemas relacionados à produção e consumo de produtos de origem animal, a tendência é de que mais e mais pessoas se conscientizem dos benefícios de uma alimentação baseada em plantas. Assim, o mercado vegano poderá se manter aquecido, mesmo em tempos de crise.

Leia também sobre surto do coronavírus e os alimentos veganos, e entenda por que abrir um negócio vegano.



por Nadia Ferreira Gonçalves em 21 de abril