Se você acompanha o Vegan Business, já deve ter percebido que o mercado das proteínas vegetais está com tudo. Já falamos aqui no portal que a indústria de proteínas alternativas alcançou o recorde de US$ 3,1 bilhões investidos no ano de 2020, esse valor é três vezes superior ao de 2019. Então, saiba mais sobre essa tendência do mercado vegano, conhecendo algumas fábricas de carne cultivada, e outros processos que também estão sendo muito utilizados no momento.

O Andrew D Ive, fundador e sócio gerente geral da Big Idea Ventures, empresa de investimento que busca apoiar os melhores empreendedores com o objetivo de resolver grandes problemas do mundo, fez alguns comentários para o Yahoo News, no qual cita a Cingapura e a aprovação da venda de carne cultivada com células, e o aumento do interesse por proteínas vegetais devido ao coronavírus. 

Ele também falou sobre algumas tendências para esse mercado ao veículo, vamos descobrir? 

Fermentação 

Esse processo pode fazer de frutos-do-mar veganos até óleos sustentáveis. 

Podemos citar como exemplo dessa prática a micoproteína feita de batatas da The Better Meat Co., cujo processo é: “O alimento principal para fazer o Rhiza são as batatas. O processo de fermentação ocorre assim: aceleram o processo natural de fermentação e, depois de algumas horas, o produto pode ser recolhido com processamento mínimo. Dessa forma, são feitas as carnes plant-based da The Better Meat Co.”. 

Produtos à base de células

Outra tendência do mercado vegano são os produtos feitos à base de células. Para fazer esse tipo de alimento, os cientistas recolhem uma pequena amostra do animal por biópsia (é importante lembrar que esse procedimento não causa nenhum dano ao animal), depois essas proteínas são colocadas em um laboratório, dentro de um ambiente aquoso, que possui proteínas, aminoácidos, minerais, sais e ar. Após isso, essas células de proteínas se proliferam, formando um tecido muscular cheio de proteínas que é colocado em uma espécie de fermentador ou biorreator (esse simula o corpo de um animal). Assim, se obtêm uma massa muscular sem nenhuma gordura. 

Como falamos na nossa matéria, de acordo com notícias, a carne cultivada poderá chegar no Brasil entre 2024 e 2025, lembrando que é necessário haver uma aprovação dos Órgãos Regulamentares brasileiros. 

Fundado por mulheres

Felizmente, várias mulheres estão fundando as suas próprias empresas e já fazem parte do mercado de proteínas alternativas. Andrew D Ive falou ao Yahoo News: “Mais de 50% das startups provenientes do programa acelerador da Big Idea Venture são fundadas por mulheres […]”. 

Aqui também podemos citar o evento Vegan Women Summit, no qual a edição de 2021 homenageou mulheres que constroem o futuro do planeta, transformando o mundo em um lugar mais sustentável. Esse evento foi feito para celebrar as vozes das mulheres no movimento vegano, conforme a fundadora Jennifer Stojkovic. 

Restaurantes e take away 

Outra tendência citada por Andrew são mais restaurantes e take aways (modo em que pessoas fazem o pedido e retiram na loja) que ofereçam mais opções de proteínas veganas. 

É interessante notar que alguns fast foods já oferecem opções livre de carne de origem animal em seus menus, um exemplo é o Burger King, com hambúrgueres vegetarianos. 

Carne cultivada com células: conheça fábricas dessa tendência do mercado vegano

Você sabia que a Wildtype e a Future Meat Technologies já estão com fábricas pilotos? A da Wildtype está localizada nos Estados Unidos, enquanto a segunda está em Israel. 

A Wildtype falou que o objetivo de sua unidade não é uma produção em larga escala, sendo a fábrica destinada a permitir ciclos de inovação acelerada em escala de demonstração, para aprimorar seus métodos de produção e educar o público sobre a agricultura à base de células. Também é necessário ressaltar que ainda não há a aprovação da Food and Drug Administration para frutos-do-mar cultivado, lembrando que é necessário ter sua aprovação para a comercialização. 

A carne cultivada com células é uma tendência do mercado vegano - Imagem do salmão à base de células da Wildtype
Imagens: Divulgação Wildtype

A capacidade de produção da fábrica da Wildtype é de 22.680 quilos até, aproximadamente, 90.700 quilos. O co-founder Justin Kolbeck disse a Green Queen sobre a fábrica: “Instalações em escala de demonstração como essa, prova que podemos cultivar frutos-do-mar da mais alta qualidade em qualquer lugar do mundo: urbano ou rural, temperado ou tropical”. A intenção é que no futuro a empresa lance um sushi de salmão nos supermercados. 

Quanto a Future Meat Technologies, a empresa falou que sua fábrica pode produzir cerca de 500 quilos de carne cultivada por dia (isso seria 5.000 hambúrgueres) e pretende ter seus produtos comercializados nos Estados Unidos em 2022. 

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por Amanda Stucchi em 29 de junho