A startup norte-americana Tender Food, nascida em 2020 a partir de uma tecnologia desenvolvida no Wyss Institute da Universidade de Harvard, está mudando de nome e de foco. Agora chamada Lasso, a empresa quer ir além da carne vegetal e consolidar-se como uma foodtech de base tecnológica, pronta para oferecer ingredientes limpos e naturais a um mercado cada vez mais crítico em relação aos alimentos ultraprocessados (UPFs).

A transformação acontece após uma nova rodada de investimento de US$ 6,5 milhões, liderada pela Rhapsody Venture Partners, que eleva o total captado pela companhia para mais de US$ 25 milhões. O objetivo é acelerar a expansão da tecnologia proprietária da empresa – batizada de Lasso SpinTech – e ampliar o alcance comercial por meio do licenciamento da plataforma para outros produtores.

Da carne vegetal à plataforma de ingredientes limpos

A tecnologia da Lasso utiliza um processo de fiação de proteínas e fibras que lembra a produção de algodão doce: em vez de extrusão e altas temperaturas, o sistema usa força centrífuga para “tecer” ingredientes em folhas fibrosas, sem aditivos, ligantes ou gomas artificiais. O resultado são ingredientes clean label, com textura e valor nutricional elevados, que podem ser aplicados em diversas categorias — de snacks e barras de proteína a confeitaria e até pet food.

Segundo o CEO Mike Messersmith, ex-presidente da Oatly North America, a nova fase da empresa responde à necessidade de um setor que busca soluções mais saudáveis e sustentáveis: “O mercado de carnes vegetais está em um momento difícil. Nossa meta é criar impacto real, oferecendo uma tecnologia capaz de transformar várias categorias, e não apenas uma.”

Produção eficiente e custo competitivo

A Lasso conseguiu escalar sua tecnologia em ritmo impressionante: cada equipamento, do tamanho de uma máquina de lavar, já é capaz de produzir mais de 450 kg por hora de produto final. Além disso, o sistema consome 95% menos energia e emite 85% menos gases de efeito estufa do que as tecnologias tradicionais, como a extrusão. Essa eficiência permitiu reduzir o custo de produção das carnes alternativas de US$ 30 para cerca de US$ 3,50 por libra, tornando-as quase equivalentes às proteínas animais.

De olho no consumidor “anti-UPF” e na era dos GLP-1

O reposicionamento da Lasso também acompanha mudanças de comportamento do consumidor. Com a popularização dos medicamentos GLP-1 (como Ozempic) e a crescente rejeição aos ultraprocessados, há demanda por alimentos ricos em proteínas e fibras, mas com rótulos simples. Messersmith, que utiliza medicamentos da classe GLP-1, afirma que o próprio estilo de vida o inspirou a criar produtos mais adequados a esse novo perfil alimentar.

Novas marcas e parcerias estratégicas

Com os novos recursos, a Lasso pretende lançar marcas próprias em categorias como snacks e licenciar a SpinTech para grandes indústrias de alimentos interessadas em desenvolver produtos mais naturais e sustentáveis. A empresa já testou aplicações em mais de 15 categorias e negocia parcerias globais para escalar a produção.

O plano é posicionar a Lasso como uma plataforma de tecnologia alimentar – um padrão de referência para a próxima geração de produtos plant-based e clean label.

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