A Asterix Foods, foodtech israelense com sede em Tel Aviv, anunciou a captação de US$ 4,2 milhões em uma rodada Seed liderada pela CPT Capital, com participação da ReGen Ventures, SOSV, Grok Ventures e da Autoridade de Inovação de Israel. A empresa, que até então operava em modo stealth, busca transformar a forma como as proteínas bioativas são produzidas — componentes de alto valor estratégico para os setores de alimentos e biotecnologia.
O desafio dos custos na produção de proteínas
A fabricação de proteínas bioativas por métodos tradicionais, como a fermentação de precisão, enfrenta um grande obstáculo: o custo elevado. A construção e operação dessas plantas industriais exigem investimentos que facilmente ultrapassam US$ 100 milhões, tornando o processo pouco acessível.
A Asterix Foods acredita ter encontrado um caminho mais inteligente e econômico. A empresa desenvolveu uma plataforma baseada em culturas de células vegetais, eliminando a necessidade de modificar microrganismos e simplificando etapas complexas da fermentação microbiana. Essa abordagem reduz os custos de infraestrutura em mais de 95% em comparação aos sistemas tradicionais, acelera o desenvolvimento — de anos para poucos meses — e dispensa a construção de salas limpas especializadas.
“Nosso sistema mostra como as futuras fábricas de produção de proteínas poderão ser instaladas de forma rápida, flexível e com custos muito menores”, explica Dan Even, CEO da Asterix Foods. Formado em Biologia Molecular de Plantas e Engenharia Genética pelo Instituto Weizmann de Ciências, Even combina conhecimento científico e visão de negócios para liderar a empresa nessa nova fronteira tecnológica.
Células vegetais: complexidade natural a favor da inovação
Diferentemente dos microrganismos usados na fermentação, as células vegetais são organismos multicelulares com maquinaria biológica avançada, capazes de produzir proteínas complexas, como glicoproteínas, com alto grau de bioatividade. Além disso, são mais resistentes a contaminações, o que permite a produção em ambientes menos controlados e com custos operacionais significativamente menores.
“Cada vez mais empresas reconhecem os limites da atual cadeia de suprimentos de proteínas e buscam alternativas capazes de gerar produtos de alto valor com custos muito mais baixos e em volumes antes impossíveis”, comenta Harry Kalms, investidor da CPT Capital.
Um modelo de produção flexível e escalável
Um dos pontos mais impressionantes da tecnologia da Asterix é sua flexibilidade operacional. A startup mantém uma planta piloto em um edifício comercial no centro de Tel Aviv, mostrando que sua produção pode ser realizada praticamente em qualquer lugar — mesmo em locais sem solo cultivável.
Os biorreatores modulares desenvolvidos pela empresa permitem iniciar operações em pequena escala, com investimento reduzido, e expandir conforme a demanda. O sistema também possibilita a produção de diferentes tipos de proteínas em uma mesma linha, aumentando a eficiência e o retorno sobre o investimento.
Outro diferencial é a operação contínua. Enquanto os processos tradicionais de fermentação precisam ser interrompidos regularmente para manutenção e limpeza, os biorreatores da Asterix funcionam de forma constante, garantindo produção ininterrupta durante todo o ano. Operando à temperatura ambiente, o sistema também reduz o consumo de energia e água, tornando-se uma solução mais sustentável e econômica.
“As culturas de células vegetais já são utilizadas por várias multinacionais para fabricar desde vacinas até pigmentos alimentícios”, destaca Po Bronson, sócio da SOSV e diretor do programa IndieBio. “A Asterix está levando essa plataforma além, criando novas oportunidades para produzir proteínas alternativas com precisão e eficiência de custos sem precedentes.”
Com o novo investimento, a Asterix Foods planeja expandir sua planta piloto em Tel Aviv e iniciar a entrega de amostras a parceiros estratégicos, consolidando sua posição como uma das startups mais promissoras na intersecção entre biotecnologia e sustentabilidade alimentar.
Leia também:
Nestlé abandona aliança global criada para reduzir emissões de metano no setor de laticínios
Mercado global de cosméticos veganos pode ultrapassar US$ 28,5 bilhões até 2031
Hector Bellerin vence o BBC Green Sport Awards e reforça: “Com poder vem responsabilidade”
Compartilhe:

