Você sabia que grandes varejistas apostam em proteínas alternativas? A FAIRR Initiative, rede colaborativa de investidores em ESG, trouxe dados no relatório Appetite for Dirsruption, elaborado em setembro desse ano. 

Grandes varejistas apostam em proteínas alternativas

É explicado que 28% dos grandes varejistas e fabricantes globais de alimentos (7 dos 25 analisados) possuem metas para expandir seu portfólio de proteínas alternativas, sendo que em 2018 esse número era inexistente. 

Um exemplo oferecido é a Unilever, marca que se comprometeu a atingir US$ 1,2 bilhão em vendas de carnes e laticínios alternativos entre 2025 e 2027. 

Entretanto, também é informado que 72% das marcas de alimentos não criaram metas formais para diversificar as fontes de proteínas em seus esforços para reduzir as emissões de carbono. Apesar disso, vários consumidores  estão demandando essa ação, como podemos perceber em estatísticas relacionadas ao mercado e ao crescimento de vendas de alimentos à base de plantas. 

Mesmo assim, vale ressaltar que agora 48% das empresas estão rastreando e divulgando de forma pública as emissões que a pecuária acarreta, sendo que em 2019 esse número era de 21%. Além disso, atualmente 52% das empresas desejam se tornar net zero (em 2019 eram só 8%). Essas situações demonstram avanços. 

Também é afirmado que cinco empresas (Tesco, Nestlé, Unilever, Sainsbury’s e Conagra) foram elogiadas pelo fato de serem “pioneiras” na pesquisa e inovação das proteínas sustentáveis. 

Além disso, é afirmado que os grandes varejistas Tesco e Sainsbury, localizados no Reino Unido, apostam em proteínas alternativas ao demonstrar liderança global na diversificação e inovação nesse setor. A Marks & Spencer, também presente no país, teve um destaque por conta de sua parceria com a startup de micoproteínas ENOUGH e o seu comprometimento em elevar as vendas de sua linha Plant Kitchen. 

Proteínas alternativas: esse é o ano da carne cultivada 

O relatório também informou que 2021 é o ano da carne cultivada. 

Jeremy Coller, presidente da Fair Iniative e CEO da Coller Capital, relatou em uma comunicação: “Embora muitas empresas estejam atrasadas, estamos satisfeitos que a FAIRR tenha visto a liderança visível de 28% dos maiores varejistas e fabricantes de alimentos, incluindo os principais supermercados do Reino Unido, bem como notável inovação em proteína sustentável”. 

Ele acrescentou: “Este tem sido o ano da carne cultivada com um recorde de  US$ 506 milhões investidos em  alternativas de carne cultivada em laboratório, que agora está ocupando seu lugar ao lado da proteína vegetal nas agendas de investimento”. 

Esse investimento de US$ 506 milhões se refere somente aos primeiros seis meses desse ano, pensando no leite e na carne cultivada. É dito no relatório: “Isso inclui investimentos em empresas de carne cultivada e laticínios de US$ 506 milhões até agora, já excedendo o total do ano de 2020 inteiro para essa tecnologia”.

Também é explicado que três quartos do investimento foram em empresas com sede nos Estados Unidos. Exemplos são: GOOD Meat, Blue Nalu e Mission Barns, além da Aleph Farms e Future Meat Technologies, ambas sediadas em Israel. 

Para ler o relatório completo da FAIRR Initiative é possível baixá-lo nessa página (em inglês). 

Parceria e lançamento da Nestlé no setor de proteínas alternativas 

Uma das marcas que apostam em proteínas alternativas é a Nestlé. 

Esse ano a empresa fez uma parceria com a Future Meat Technologies, visando explorar os componentes desse alimento e não comprometer o sabor nem a sustentabilidade. 

No comunicado da FAIRR é destacado: “Esta é a primeira vez que uma empresa engajada na FAIRR — um grande fabricante de alimentos — faz parceria com uma nova startup no campo de carne cultivada”. 

No mês passado, a Nestlé também trouxe um camarão à base de plantas (feito de algas marinhas e ervilhas), sob o nome Vrimp, além de ter criado um ovo vegetal com proteína de soja, para ser utilizado como “ovo mexido”. A novidade estará disponível ainda esse ano na Suíça. 

Mercado de proteínas alternativas está em crescimento

Uma pesquisa da ReportLinker demonstrou que o mercado de proteínas alternativas está crescendo, a previsão é que atinja US$ 4,8 bilhões até 2027 — crescendo a um CAGR de 8% durante o período previsto (2020-2027). 

Além disso, uma pesquisa da consultoria McKinsey também apontou que é possível que o mercado de carne cultivada atinja US$ 25 bilhões até 2030, entretanto essa previsão é influenciada por diversos fatores. 

Um dos fatores é o fornecimento, a carne cultivada tem que ser produzida de forma suficiente para fazer parte da economia de larga escala, já que se tiver pouca produção há pouca compra. Isso tudo é muito lógico. 

Portanto, é ótimo que mais varejistas e fabricantes se abram para a possibilidade de comercializar (e produzir) proteínas alternativas — sejam elas à base de vegetal ou à base de célula  —  especialmente, se essas últimas não utilizam o soro fetal bovino e não praticam nenhum tipo de crueldade aos animais. 

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*Imagem de capa: Pexels



por Amanda Stucchi em 9 de novembro