Já falamos aqui no Vegan Business sobre os benefícios da dieta plant-based, relatando, inclusive, que pode proteger contra o acidente vascular cerebral (AVC). Mas, você sabia que essa dieta também protege contra a hipertensão e a pré-eclâmpsia? O termo plant-based foi criado pelo bioquímico T. Colin Campbell, nos anos 80, e é basicamente uma dieta à base de plantas, com alimentos não refinados ou ultra processados.

Ele escreveu em sua página: “Sendo o único membro com experiência em pesquisa baseada em laboratório relacionada ao papel da nutrição e do câncer, fui encarregado de articular as informações, então emergentes, sugerindo que a nutrição realmente parecia ser importante no desenvolvimento do câncer humano”, porém, ele não estava interessado em definir essa dieta como vegetariana ou vegana, para transmitir o que desejava com mais clareza criou o termo “plant-based”, pois nem sempre quem é vegano ou vegetariano tem uma dieta saudável, já que podem comer gorduras ou açúcares, por exemplo.

Benefícios de uma dieta plant-based: proteção contra a hipertensão e a pré-eclâmpsia

Uma descoberta aponta que uma dieta à base de plantas pode oferecer proteção contra a hipertensão e a pré-eclâmpsia, essa última doença ocorre durante a gravidez, com sintomas de pressão arterial alta, suor excessivo nas mãos e pés, além de apresentar proteína na urina. A pré-eclâmpsia pode trazer complicações graves ou fatais para a mãe e o bebê. 

Para essa descoberta, foram realizados testes com ratos, e esses estudos foram publicados na ACTA PHYSIOLOGICA e Pregnancy Hypertension: An International Journal of Women’s Cardiovascular Health, feitas pela Medical College of Georgia e o Medical College of Wisconsin.

Os ratos foram alimentados com dietas ricas em sal, para desenvolver a hipertensão e a doença renal progressiva, foi dito: “Em 2001, o Medical College of Wisconsin compartilhou sua colônia de ratos, que foram alimentados com uma dieta de proteína à base de leite, com Charles Rivers Laboratories. Assim que os ratos chegaram ao Charles River Laboratories, com sede em Wilmington, Massachusetts, eles mudaram para uma dieta à base de grãos”. 

Logo, descobriu-se que a proteína animal aumentou os efeitos do sal no organismo dos ratos. Mesmo tendo sequenciado o material genético dos dois tipos de ratos, constatando estarem idênticos, a resposta a dieta rica em sal era diferente naqueles que tinham uma dieta à base de grãos e ingeriam a mesma quantidade de sal, tendo uma resposta melhor, com menos resultados adversos à saúde.

Sobre o impacto na gestação, os ratos que comiam rações à base de trigo integral tiveram proteção contra a pré-eclâmpsia, enquanto aqueles que se alimentavam de proteína de origem animal, desenvolveram essa complicação. Os cientistas também esperam descobrir se essa proteção passa para os filhotes. 

Dieta plant-based nos hospitais

A dieta baseada em plantas também oferece benefícios nos hospitais. Uma pesquisa de Andrew Ukleja, na Pubmed, afirma que as fórmulas presentes na sonda dos pacientes, que contém ingredientes sintéticos, pode levar a problemas digestivos e intolerância a alimentação enteral, isso pode causar maiores permanências em UTIs. 

Outras pesquisas também indicam que a alimentação baseada em plantas pode ser uma solução para esse problema e também gerenciar algumas doenças crônicas que estão crescendo nos Estados Unidos, como a da The Permanent Journal, que cita: “Mais de 80% das condições crônicas poderiam ser evitadas com a adoção de recomendações de estilo de vida saudável”. 

A American Medical Association (AMA) também recomendou aos Hospitais que retirassem a carne processada dos alimentos que oferecem aos pacientes, pois alguns estudos, como o “Health Risks Associated with Meat Consuption: A review of Epidemiological Studies” (ou Riscos de saúde associados com o consumo de carne: uma resenha de estudos epidemiológicos, em tradução livre), indicam que consumir carne processada pode trazer riscos de cânceres colorretal, estomacal, pancreático, de próstata e de mama, doenças cardiovasculares e, até mesmo, o tipo 2 de diabetes. Então, essa associação recomenda colocar no cardápio dos hospitais, opções plant-based. 

Cynthia Ambres, diretora médica da Kate Farms, empresa de nutrição oral e em sonda plant-base, disse ao Medcity News: “Quando se trata de incorporar nutrição saudável à base de plantas, os hospitais e os sistemas de saúde devem manter suas fórmulas de nutrição enteral no mesmo padrão que os cardápios do refeitório e do paciente”. 

Mercado plant-based 

Os números desse mercado estão crescendo, é o que indica relatórios, como o do Good Food Institute, que falou que os alimentos plant-based nos Estados Unidos representam um mercado de US$ 7 bilhões, tendo tido um crescimento de 27% em 2020. Além disso, uma pesquisa da Meticulous Research, aponta que o mercado plant-based poderá chegar a US$ 74,2 bilhões em 2027, crescendo a um CAGR de 11,9%. 

Outro relatório da GFI também indica que, na última década (2010-2020), as empresas plant-based receberam US$ 2,7 bilhões de investimentos em capital de risco, sendo que o montante de US$ 1,2 bilhões (45% desse total) foi levantado entre 2019 e o primeiro trimestre de 2020, mostrando em valores o crescimento dessa indústria. 

Conforme a plataforma de investimentos Republic, alguns fatores para o público comprar produtos plant-based são os seguintes: proteger os animais e à terra, os trabalhadores e a saúde. Na questão dos trabalhadores, é dito que os funcionários da indústria de carne e latícinios não recebem salários justos e tem condições de trabalho inseguras, já que as linhas frigoríficas possuem um movimento rápido, além disso, trabalham muitas horas por dia. 

Até aí, é possível perceber que os benefícios da dieta plant-based vão além da saúde, englobando o planeta inteiro.

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por Amanda Stucchi em 1 de julho