Você sabia que uma vacina plant-based contra o coronavírus pode ser uma opção no futuro?

Um processo comum na fabricação de vacinas é o uso de ovos, o Instituto Butantã utilizou esse produto para desenvolver a ButanVac (contra a COVID-19) que, segundo estimativas, irá produzir duas doses de vacina por ovo. Até o final dessa semana, o Butantã pretende fazer um pré-cadastro de voluntários para testar a vacina, após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A meta é entregar 40 milhões de doses a partir de julho e cerca de 20 milhões de ovos serão usados nesse processo.

O veganismo, de acordo com a The Vegan Society, é vivido na medida do possível e do praticável. Portanto, a sociedade não indica evitar medicamentos testados em animais, caso prescrito por seu médico ou no caso de uma vacina, por exemplo. Uma sugestão dada em seu site é: “O que você pode fazer é pedir ao seu médico de família ou farmacêutico que lhe forneça, se possível, medicamentos que não contenham produtos de origem animal, como gelatina ou lactose”. No futuro é provável que seja mais praticável encontrar vacinas e medicamentos veganos, que não sejam testados em animais.

Uma boa notícia é que uma vacina plant-based contra a COVID-19 já está em desenvolvimento. Trata-se da vacina inovadora que a Medicago, uma empresa de biotecnologia do Quebec, desenvolveu com a farmacêutica GlaxoSmithKline. Apesar de ser testada em animais, em sua composição está a Nicotiana benthamiana, uma espécie parente da planta do tabaco e sem o uso de ovos, sendo então, uma vacina plant-based. Para obter os benefícios completos da imunização, será necessário tomar duas doses, com 21 dias de intervalo.

Brian Ward, diretor médico-chefe do Medicago, disse à Verywell Health: “Toda a empresa está trabalhando a todo vapor desde fevereiro do ano passado e dentro de alguns meses, saberemos como essa vacina funcionará […] Funciona em macacos, tem uma ótima resposta imunológica e parece ser muito seguro para administrar às pessoas”.

O diretor e Robert Kozak, professor assistente PhD do Departamento de Medicina Laboratorial e Patobiologia da Universidade de Toronto, não envolvido na produção da vacina da Medicago, apontam como benefícios das vacinas plant-based sua produção mais rápida e barata, respectivamente, em relação aos métodos tradicionais que utilizam ovos.

Um dado citado é a comparação da vacina plant-based de gripe da empresa Medicago (em análise pela agência governamental Health Canada) em relação ao imunizante feito em processo tradicional. É dito que as vacinas da Medicago ficam prontas de cinco a seis semanas, enquanto as vacinas feitas de ovos levam cerca de cinco a seis meses para serem produzidas. Portanto, essa rapidez em um contexto de pandemia, seria algo relevante para a saúde da população.

Atualmente a vacina da Medicago está na fase 3, recrutando diversos voluntários de todo o mundo para testá-la. A empresa espera disponibilizar o imunizante em breve nos Estados Unidos e Canadá.

O mercado de vacina plant-based

O mercado global de vacinas plant-based poderá ultrapassar US$ 584,1 milhões até 2028. É o que afirma a Coherent Market Insights (CMI), uma organização de consultoria e inteligência de mercado global. Só em 2021 esse mercado está avaliado em US$ 43,7 milhões e deve apresentar um CAGR de 49,9% durante o período previsto (2021-2028).

Segundo afirmação da Coherent Market: “Várias vacinas plant-based estão atualmente em fase I, II e III de ensaios clínicos. […] No entanto, não há vacina derivada de planta aprovada para ser comercializada para consumo humano até o momento”.

Alguns dos desafios apresentados na realização dessas vacinas são os seguintes: a seleção do antígeno e o hospedeiro da planta, a uniformidade da dosagem e a fabricação das vacinas plant-based seguindo os procedimentos das boas práticas de fabricação (ou Good Manufacturing Practice – GMP).

O veganismo e a saúde 

O Vegan Business já falou que mais pessoas aderiram a uma dieta vegana devido a pandemia do coronavírus, buscando uma alimentação mais saudável e por relacionar a pandemia com o consumo de carne animal. Uma nova pesquisa realizada pela BMJ Nutrition, Prevention and Health, dá ainda mais motivos para ter uma dieta vegana, porque quem segue uma dieta plant-based tem 73% menos de chances de ter um quadro moderado a grave de COVID-19.

Além disso, quem segue uma dieta plant-based ou pescetariana tem 59% menos chance de sofrer da infecção.

Para chegar nesse resultado, foram examinados dados de quase 3.000 profissionais de saúde de seis países diferentes, sendo os seguintes: França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e EUA, que tiveram exposições significativas aos pacientes com quadros de coronavírus.

Esses profissionais responderam a uma pesquisa da web, entre julho e dezembro de 2020, dando detalhes sobre as características demográficas, padrões alimentares e seus resultados do COVID-19, no caso, 2.316 participantes não foram infectados com o vírus até a data do estudo. Mas, 568 já apresentaram a doença, desses, 138 com sintomas moderados e graves e 430 com sintomas leves ou muito leves.

Apesar dos resultados favoráveis para quem tem uma dieta plant-based é necessário apontar as limitações do estudo. Conforme o professor de nutrição e ciência dos alimentos Gunter Kuhnle, da Universidade de Reading (Inglaterra), devido à metodologia da pesquisa ser via autorrelato, pode apresentar dados que não são verificáveis ou confiáveis. Ele diz à Totally Vegan Buzz: “Neste estudo, os participantes foram questionados sobre sua dieta após serem diagnosticados com Covid-19, e isso pode levar a relatórios incorretos, especialmente entre os participantes que estão interessados ​​em uma possível ligação entre dieta e doença” e aponta que, por ser realizado em diversos países, irão ocorrer diferenciações na alimentação dos locais pesquisados.

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por Amanda Stucchi em 14 de junho