Quer conhecer a visão de duas ativistas veganas sobre a crise climática e sua relação com a Amazônia

A temática da preservação da Amazônia e a relação da carne de origem animal com o grave impacto no clima foi debatido em uma sessão do senado nessa última sexta-feira. A sessão contou com a participação da ativista sueca Greta Thunberg que, aos 16 anos, foi eleita a personalidade do ano pela revista Time, sendo a pessoa mais jovem a ser indicada para esse título. 

Os políticos analisaram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Globais (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A visão das ativistas veganas 

Greta Thunberg, atualmente com 18 anos,  declarou: “O mundo não pode arcar com o custo de perder a Amazônia, precisamos alcançar as metas do Acordo de Paris. Não alcançar seria uma sentença de morte para a humanidade. Sou apenas uma pessoa, mas os olhos de todo mundo estão voltados para vocês no Brasil”. 

O Acordo de Paris é um tratado mundial que tem o objetivo de reduzir o aquecimento global. A meta principal é diminuir as emissões de gases de efeito estufa e, dessa forma, limitar o aumento médio de temperatura global a 2 °C, preferencialmente esse limite deve ficar até 1,5 °C

Outra ativista que também defende que o Brasil se comprometa com a proteção da Amazônia e reveja o sistema alimentar com o objetivo de cumprir as metas do Acordo de Paris é Brunna Sachs. Ela é vegana, tem 12 anos e é embaixadora jovem do Plant Based Treaty no Brasil (tratado que procura colocar o sistema alimentar na frente do combate à crise climática). 

Brunna falou sobre o assunto: “A Amazônia sofre constantemente com o desmatamento para pasto. A destruição da floresta e a queima de biomassa estão relacionadas à liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono. Assim, o desmatamento na Amazônia pode influenciar as mudanças climáticas globais”. Dessa forma, a visão das ativistas veganas demonstra a importância da Amazônia para o meio ambiente

Com o objetivo de contribuir com o Acordo de Paris, a campanha Plant Based Treaty aborda os danos da produção de carne, laticínios e ovos, que provocam emissões de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, três dos principais gases do efeito de estufa.

Os perigos do metano 

Os especialistas ouvidos pelo Senado reforçaram que a redução de emissão de metano é provavelmente a única forma de evitar aumentos de temperatura acima de 1,5 °C. O metano é um gás produzido pela decomposição da matéria orgânica e tem um potencial de aquecimento global 20 vezes maior do que o dióxido de carbono. 

O químico David King, líder do Conselho Consultivo de Crise Climática destacou no Senado: “Temos constantemente aumentado a emissão de gás metano, presente nos combustíveis e na atividade agrícola. Essa fome do mundo por carne vermelha é responsável pelo aumento de metano na atmosfera. Já aumentou em três vezes as emissões desde 2000. Temos de refletir sobre o tipo de comida que queremos”.

No Acordo de Paris, o Brasil assumiu como objetivo cortar as emissões de gases de efeito estufa (entre eles o metano) em 37% até 2025, com o indicativo de redução de 43% até 2030.

Conforme mostra os resultados do IPCC, divulgados em agosto, as atividades humanas são as principais responsáveis pela crise climática. Portanto, a campanha do Plant Based Treaty incentiva os líderes a negociarem um acordo global em torno de três princípios, são eles: 

  • Acabar com a alteração do uso da terra, degradação de ecossistemas ou desmatamento para fins de exploração animal
  • Fazer uma transição ativa dos sistemas agrícolas de base animal para sistemas alimentares estritamente de vegetais e recuperar ecossistemas
  • Reflorestar a terra danificada

Brunna relatou: “Um dos maiores causadores do aquecimento global e mudanças climáticas é justamente a pecuária intensiva. Enquanto não mudarmos nossa relação com os alimentos, estaremos arriscando o futuro do nosso planeta e o nosso”. 

Sobre o Plant Based Treaty e a embaixadora Brunna Sachs

O Plant Based Treaty foi elaborado para colocar o sistema alimentar na frente do combate à crise climática. 

A iniciativa procura travar a degradação generalizada dos ecossistemas causada pela agropecuária atual e promover uma mudança para dietas vegetais sustentáveis e mais saudáveis.

O objetivo é incentivar a sociedade, cientistas, empresas e cidades a apoiarem este apelo para a ação e pressionarem os governos nacionais para eles negociarem este tratado global.

O apoio pode ser feito pelo e-mail ([email protected]) ou se inscrevendo no site

Agora que você conhece mais sobre essa iniciativa, que tal conhecer mais sobre a Brunna

Com 12 anos, a ativista é vegana desde os quatro anos e mora no Rio de Janeiro. 

É a primeira organizadora brasileira do Youth Climate Save, uma organização jovem do Movimento Save, com ênfase na ligação entre a pecuária e as mudanças climáticas. Foi nomeada embaixadora jovem do Plant Based Treaty, tratado que acompanha o Acordo de Paris, o qual promove uma mudança para dietas a base de plantas, mais saudáveis e sustentáveis.

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*Imagem de capa da Greta Thunberg: Foto de Lëa-Kim Châteauneuf, via wikimedia commons (CC BY-SA 4.0) / adaptado



por Amanda Stucchi em 14 de setembro