A Sociedade Alemã de Nutrição (DGE), a entidade mais influente na política nutricional do país, revisou sua posição oficial sobre a nutrição vegana, declarando que uma dieta vegana é extremamente amigável ao meio ambiente e pode ser benéfica para a saúde.

Pela primeira vez, a organização considera o meio ambiente, o bem-estar animal e questões sociais como objetivos de uma dieta mais sustentável, além da saúde. Essa mudança é decisiva, pois a DGE, cujas recomendações moldam a alimentação coletiva e os conselhos nutricionais na Alemanha, se afastou de sua postura negativa anterior.

“Essa nova posição inaugura uma nova era na política nutricional na Alemanha”, comenta Anna-Lena Klapp, líder de Nutrição e Saúde Internacional na ProVeg.

“Ao lado das diretrizes atualizadas da DGE, a nova posição deixa claro que todo o espectro de estilos alimentares à base de plantas, do flexitariano ao vegano, contribui para resolver nossos problemas nutricionais.”

O que mudou na posição da DGE sobre a nutrição vegana?

O novo documento afirma: “Pela primeira vez, todas as quatro dimensões de uma dieta mais sustentável (saúde, meio ambiente, social e bem-estar animal) foram consideradas na reavaliação da posição da DGE sobre a nutrição vegana, focando nas dimensões de saúde e meio ambiente. Na dimensão da saúde, os documentos anteriores consideravam principalmente o fornecimento de nutrientes. Agora, outros parâmetros relacionados à saúde (como níveis de lipídios no sangue) e o risco de doenças relacionadas à dieta (como doenças cardiovasculares) também foram incluídos na avaliação.

“Com base no estado atual do conhecimento, a DGE chegou a novas avaliações em sua reavaliação: para a população adulta saudável, uma dieta vegana, além de outras dietas, pode também representar uma dieta promotora de saúde, desde que se tome suplemento de vitamina B12, se faça uma seleção alimentar equilibrada e planejada e se garanta a ingestão de nutrientes potencialmente críticos para atender às necessidades (possivelmente também através de outros suplementos).”

Benefícios ambientais e de saúde

Carnes e laticínios estão entre os alimentos que mais impactam o clima: só na Alemanha, a agricultura animal é responsável por cerca de 70% das emissões agrícolas de gases de efeito estufa. Isso é altamente relevante em termos de política nutricional, e pela primeira vez a DGE também chegou à mesma conclusão: uma dieta vegana é recomendada para reduzir o impacto ambiental do nosso sistema alimentar.

“Segundo cálculos, uma dieta vegana pode mais que reduzir pela metade as emissões relacionadas à dieta em comparação com uma dieta mista”, explica Klapp.

De acordo com a ProVeg, inúmeros estudos demonstraram de forma impressionante o potencial preventivo de uma dieta vegana para adultos saudáveis. Cada vez mais sociedades nutricionais ao redor do mundo classificam-na como uma dieta saudável que pode reduzir o risco de muitas doenças. “Entre outras coisas, uma dieta vegana pode prevenir doenças cardiovasculares e a ‘doença generalizada’ da obesidade”, explica Klapp. A DGE também concorda com isso em seu novo documento. A avaliação se aplica a adultos saudáveis que tomam vitamina B12, garantem ingestão suficiente de iodo e mantêm uma dieta equilibrada.

Com relação a crianças, gestantes, lactantes e idosos, a DGE é mais cautelosa e se refere ao número limitado de estudos. Não pode “fazer uma recomendação clara a favor ou contra uma dieta vegana”. Embora muitos estudos sobre dietas veganas tenham sido publicados nos últimos anos, a ProVeg também sente falta de estudos bem fundamentados sobre esses grupos populacionais, bem como sobre atletas. “São necessários serviços de aconselhamento competentes para os multiplicadores relevantes”, observa Klapp.

A DGE também enfatiza expressamente que uma dieta vegana não é cara. Na verdade, uma alimentação saudável geralmente representa desafios para famílias de baixa renda. Isso precisa mudar e requer medidas políticas, como um ajuste direcionado do IVA. A ProVeg também está exigindo isso porque: “Quando se trata de nutrição saudável e sustentável, especialistas nacionais e internacionais concordam que alimentos plant-based devem ser favorecidos”, explica Klapp.

Alimentação coletiva

As posições da DGE desempenham um papel decisivo na alimentação coletiva e são bem recebidas. Elas influenciam, entre outras coisas, o planejamento de cardápios em cantinas de empresas e em universidades e escolas. A ProVeg Food Services tem conduzido cursos de treinamento direcionados com equipes de cozinha por muitos anos, nos quais a organização comunica o potencial das refeições veganas para reduzir emissões e prevenir problemas de saúde, além de ensinar técnicas e receitas.

“Estou encantada que a DGE agora também deixe claro que aqueles que optam por uma refeição plant-based estão fazendo muito bem para si mesmos e para o meio ambiente”, explica Katleen Haefele, diretora de Engajamento Corporativo e Institucional da ProVeg. “A alimentação coletiva deve firmemente incorporar refeições à base de plantas bem planejadas em seu cardápio.”

A especialista em nutrição da ProVeg, Anna-Lena Klapp, diz: “A posição revisada da DGE é caracterizada por um equilíbrio muito maior e enfatiza claramente os benefícios de uma dieta vegana, que é orientada para soluções.”

Leia a declaração completa da DGE aqui.

Confira a matéria publicada na vegconomist.

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