A startup japonesa Spiber, fundada em 2007, produz seda vegana e levantou 34,4 bilhões de ienes (US$ 314 milhões) através de dois investimentos simultâneos. 

O primeiro investimento foi uma rodada de equity que incluiu a empresa de investimentos Carlyle e o fundo Cool Japan Fund. Também aprovou o investimento da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities, que aportou um valor adicional de 10 bilhões de ienes (US$ 91,5 milhões), totalizando o valor. 

A empresa realiza uma biofabricação, com seu processo chamado de Brewed Protein (em tradução livre proteína fabricada). A fabricação é feita utilizando a biomassa derivada de plantas com um processo de fermentação proprietário da empresa. 

Além de produzir seda vegana, é explicado que esse processo permite a produção de peles sem o uso de animais, alternativas de couro e é possível criar até semelhantes às cascas de tartaruga ou chifres de animais, se as proteínas são processadas em resinas. Também existe um uso potencial em aplicações médicas e materiais de composição leve. 

Anteriormente, a Spiber também criou uma parca forrada com seda para a The North Face, utilizando a seda de aranha emulada. Esses animais também produzem seda, porém, é mais difícil explorá-los, pois acabam ingerindo a teia uma da outra quando estão próximos. 

 

Casaco com seda vegana

Divulgação: The North Face Japan

Com o valor levantado, a Spiber irá industrializar seus produtos visando se tornar uma líder no mercado de materiais sustentáveis de bioengenharia. É dito no comunicado: “Spiber também está se preparado para começar a implementar a produção em massa por meio de sua fábrica na Tailândia em 2021, e nos EUA já em 2023”. 

A empresa também planeja realizar um IPO nos próximos anos e entrar na bolsa de valores. 

A importância da seda vegana

Agora que você já sabe um pouco mais sobre essa novidade na área financeira, que tal conhecer mais sobre os problemas da seda feita com animais? 

Em uma matéria da UOL é explicado um poucos sobre esse processo com imagens: o bicho-da-seda morre desidratado para produzir seus fios, pois os casulos são aquecidos em temperaturas de até 105 graus célsius. Além disso, as larvas são mortas nos casulos para não danificar os fios. 

Depois que ocorre a secagem, os casulos dos animais são cozidos em água para poderem retirar o tecido. A partir disso, máquinas como a “vassourinha” (utilizada para encontrar o fio) agem para desenrolá-lo, que depois são unidos em uma espécie de novelo. A Vegnews também afirma que é necessário matar 2.500 animais para criar um quilo de sedaEntretanto, os problemas desse produto não terminam aí.

Em certas indústrias de seda, é utilizado o trabalho infantil. Em uma matéria histórica da Folha, datada dos anos 90, é afirmado haverem 187 crianças trabalhando em uma indústria de fiação de seda de São Paulo.  Em vez de estudar, elas faziam esse trabalho. 

Além desses problemas sociais, a seda é um produto que tem uma grande pegada de carbono: conforme o Higg Index esse é um dos tecidos com pior impacto para o meio ambiente. 

Portanto, é necessário que o público-geral pense nessas situações, refletindo sobre o processo de produção dos materiais que compram: essa é uma das maneiras de termos um mundo mais sustentável e justo para todos. 

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*Imagem de capa:  Suéter da goldwin Sports (com seda de aranha da Spiber) / divulgação Spiber e Goldwin Sports



por Amanda Stucchi em 21 de setembro