No Brasil consumimos muito feijão com arroz e isso não é segredo para ninguém. Porém, você sabia que há uma espécie do grão que é destaque internacional entre as proteínas vegetais? O feijão-fava é pouco cultivado no Brasil, mas assume um papel importante na transição para proteínas vegetais, principalmente na Europa.

Nesse contexto, a Meelunie, empresa global de ingredientes plant-based, acredita que essa leguminosa auxiliará a atender uma demanda crescente por proteínas vegetais, enquanto trata dos desafios climáticos e do desmatamento. Marco Heering, CEO da empresa, disse à imprensa: “A falta de uma alternativa não tropical à soja tem sido um freio de mão na transição para proteínas vegetais por vários anos. Como os feijões-fava prosperam em climas não tropicais, como Europa e América do Norte, esta planta pode mudar o jogo”.

Tudo isso por conta de uma tecnologia de última geração produzida pela SiccaDania, que utiliza uma metodologia pioneira feita pela Universidade de Copenhagen, na Dinamarca. Nesta pesquisa foi descoberto que as favas têm maior potencial de proteína do que o amaranto, o trigo-sarraceno, a quinoa e as lentilhas. O método usado para concentrar as proteínas de fava e retirar as substâncias que impedem sua digestão foi o “Fracionamento úmido”. Dessa forma, é possível extrair todos os benefícios nutricionais deste grão. 

O Chefe de Projeto da Meelunie, Gijs van Elst, explicou ao Vegconomist: “Em primeiro lugar, conseguimos eliminar o sabor amargo da fava, o que a torna perfeita para uso na nutrição humana – desde laticínios e alternativas à carne até nutrição esportiva e produtos sem glúten. Além disso, o processo da Universidade de Copenhagen é mais eficiente, então podemos utilizar o grão inteiro”. 

O estudo também fala que, segundo a WWF, a soja é o segundo contribuinte do desmatamento, ficando atrás da pecuária. No site da Instituição é possível verificar que o plantio de soja em grande escala, com áreas de monocultura para produção comercial, acarreta um estrago para o meio ambiente. Conforme a WWF: “Enquanto as monoculturas oferecem benefícios econômicos que não podem ser ignorados, seus resultados vêm predominantemente de desmatamentos e desaparecimentos da vegetação natural, o que resulta em perda de grande quantidade de habitats naturais para os animais silvestres”.

Sobre a Meelunie

A empresa foi criada em 1867 por Pieter Glasz. Atualmente tem uma sede em Amsterdã (Holanda) e escritórios regionais nos seguintes países: Estados Unidos, Cingapura, China, África do Sul, Argentina e México, tendo quase 100 funcionários. Seu faturamento é de cerca de € 250 milhões, e vende ingredientes e matérias-primas agrícolas, como açúcares, amido e proteína. 

Curiosidade: benefícios do feijão-fava

O feijão-fava é uma fonte de fibras e proteínas, contendo manganês, ferro, ácido fólico e vitaminas A, B e C que auxilia a prevenir diversos tipos de câncer e doenças cardiovasculares. No Brasil, é plantado especialmente nas Regiões Nordeste e Sul, bem como, no Estado de Minas Gerais. Por fim, pode ser usado em receitas in natura, bem como, em misturas industrializadas como uma fonte de proteínas.

 Leia também: Frimesa lança primeiro hambúrguer vegetal e Hábitos alimentares: os impactos que causamos sobre nós



por Amanda Stucchi em 2 de junho