A Bosque Foods, empresa de biotecnologia alemã, levantou € 2,8 milhões em uma rodada seed para desenvolver carne de corte inteiro feita de micélio. Os investidores incluiram a FoodLabs, Happiness Capital, SOSV, Blue Horizon, Blue Impact e Arman Anatürk (cofundador da FoodHack e investidor anjo). 

“Depois de dois anos incrivelmente intensos, as coisas estão prestes a ficar mais movimentadas! Com esse capital estamos a um passo de levar ao mercado produtos mais saudáveis, sustentáveis ​​e saborosos”, comentou a fundadora Isabella Iglesias-Musachio em sua rede social profissional

Com o valor, além de acelerar o desenvolvimento e a comercialização desse tipo de carne, a empresa também iniciará colaborações com chefs e restaurantes, testará a tecnologia de fabricação em escala piloto e solicitará a aprovação regulatória para levar os alimentos para a Europa e os Estados Unidos. 

Carne de corte inteira feita de micélio

A Bosque Foods utiliza uma tecnologia proprietária para fabricar os produtos, utilizando um processo chamado fermentação de biomassa em estado sólido. Isso difere de outas empresas, pois a grande maioria dá preferência para a fermentação líquida. 

Isso significa que em vez de utilizar um biorreator para fermentar no líquido de cultura de células, a empresa utiliza placas de micélio em incubadoras  — espécie de biorreator adequado para a fermentação em estado sólido — dessa forma, após o crescimento dos fungos, a marca consegue cortar essas placas e produzir a carne. 

“Cultivamos nosso micélio puro em incubadoras exclusivas, colhemos e misturamos ingredientes naturais e especiarias para transformá-lo em nossos deliciosos cortes inteiros”, escreveu a empresa. 

É informado que esse processo leva menos de 10 dias, podendo ocorrer em uma configuração vertical indoor, auxiliando a economizar espaço e recursos. 

Sobre a Bosque Foods 

A empresa foi fundada por Isabella Iglesias-Musachio. 

A história é a seguinte: quando estava estudando desenvolvimento sustentável e agricultura sustentável, passou a aprender sobre as condições da criação de animais e seu impacto em nosso clima, dessa forma, decidiu se tornar vegetariana e começou a enxergar os cogumelos como um ótimo substituto para a carne. 

Após trabalhar em organizações não governamentais e startups, decidiu começar a sua própria startup. Em um vídeo sobre o início da empresa, ela afirmou: 

“O que está no mercado hoje em dia, em sua maioria, são hambúrgueres, linguiças e nuggets. No final do dia, o que os consumidores querem são produtos minimamente processados, saudáveis, cheios de nutrientes e com variedade de texturas. É muito difícil criar um produto com proteína de ervilha isolada, já que tem que haver a extrusão, o que significa que deve se tornar ultraprocessado, com um rótulo que tem 20-40 ingredientes. Os consumidores olham e não desejam comer esses alimentos todos os dias”. 

Portanto, a empreendedora prosseguiu explicando que a empresa consegue criar produtos que são minimamente processados, densos em nutrientes e mais saudáveis, ao mesmo tempo que a textura é parecida com a carne. 

Isabella também explicou na sua rede social profissional que, por não ter vindo de uma área científica e desejar criar uma empresa de biotecnologia, as probabilidades estavam contra ela e muitas pessoas a alertaram sobre isso. 

“Para dizer o mínimo, foi uma jornada e testou meus limites em todos os sentidos. No entanto, não troco esta experiência por nada. É um privilégio construir algo que eu realmente acredito que pode ter um impacto positivo para o nosso meio ambiente e clima. É um privilégio ainda maior trabalhar com cientistas, engenheiros e empresários tão inspiradores e talentosos”, finalizou no comunicado. 

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*Imagem de capa: Divulgação Bosque Foods 

Por Amanda Stucchi em 17 de maio