A carne vermelha está associada a um aumento de 22% do risco de doenças cardiovasculares ateroscleróticas para cada 1,1 porção consumida por dia. É o que apontou um estudo publicado na revista científica Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology (Arteriosclerose, Trombose e Biologia Vascular) da American Heart Association. 

O estudo também investigou os motivos por trás disso, ressaltando que os produtos químicos produzidos no trato digestivo por micróbios intestinais após o consumo do produto podem ajudar a explicar essa situação. 

As pesquisas anteriores descobriram que metabólicos – os subprodutos químicos da digestão de alimentos – como o TMAO (N-óxido-trimetilamina) estão associadas a esse risco. Na pesquisa atual, foi concluído que o aumento desse elemento e dos metabólitos relacionados – derivados de altos níveis de L-carnitina encontrado em certas carnes – explicou aproximadamente 10% do risco elevado. 

Meng Wang, co-autora do estudo, PhD e pós-doutoranda na Friedman School of Nutrition Science and Policy na Universidade Tufts (EUA) explicou em um comunicado

“A maior parte do foco na ingestão de carne vermelha e na saúde tem sido em torno dos níveis de gordura saturada e colesterol no sangue. Com base em nossas descobertas, novas intervenções podem ser úteis para direcionar as interações entre a carne vermelha e o microbioma intestinal para nos ajudar a encontrar maneiras de reduzir o risco cardiovascular”. 

O TMAO em altos níveis no sangue também pode estar associado a outras enfermidades, como doença renal crônica e o diabetes tipo 2. Além disso, o açúcar no sangue e a inflamação também podem auxiliar a explicar as doenças cardiovasculares e sua ligação com a carne vermelha. 

“Esforços de pesquisa são necessários para entender melhor os potenciais efeitos à saúde da L-carnitina e outras substâncias na carne vermelha, como o ferro heme, que tem sido associado ao diabetes tipo 2, em vez de se concentrar apenas na gordura saturada”, destacou Meng Wang. 

Como foi feita a pesquisa que associa a carne vermelha a doenças cardiovasculares? 

O estudo incluiu 3.931 pessoas dos 5.888 que foram convidados para participar da pesquisa Cardiovascular Health Study (CHS) entre os anos 1989 e 1990. 

Os participantes selecionados estavam sem doença cardiovascular no momento em que se inscreveram no CHS, ali foram medidos biomarcadores sanguíneos no início e de novo entre 1996 e 1997, com amostras de sangue em jejum que foram congeladas a -80°C e testadas quanto aos níveis de TMAO, entre outras substâncias. 

Ademais, os participantes também responderam dois questionários a respeito de sua frequência e hábitos alimentares, incluindo aqui a carne vermelha, processada, peixes, frango e ovos, tendo feito isso no início do estudo e de novo em 1995 e 1996. 

Primeiro, responderam com qual frequência nos últimos 12 meses – em média – comeram determinados alimentos, baseando-se em porções médias que variavam conforme a fonte alimentar. Já o segundo, utilizou uma frequência de dez categorias de ingestão média nos últimos 12 meses, pensando em tamanhos de porção padrão definidos. 

Nas análises atuais, os pesquisadores compararam o risco de doença cardiovascular entre os participantes que consumiram diferentes quantidades de alimentos animais, descobrindo o risco maior de doença cardiovascular de 22% para cada 1,1 porção por dia de carne, especialmente a carne vermelha e processada. Conforme o estudo, o consumo de peixes, ovos e aves não foi associado ao aumento do risco. 

O tempo médio de acompanhamento dos participantes foi de 12,5 anos, chegando até 26 anos em alguns casos. Foi informado que na consulta de acompanhamento, foram avaliados o histórico médico, condições de saúde, características sociodemográficas (renda familiar, escolaridade e idade), bem como estilo de vida. 

As limitações do estudo 

As limitações que devem ser consideradas são as seguintes: 

  • Modo de pesquisa observacional. 
  • Consumo alimentar ter sido autorreferido (medido pelas próprias pessoas) o que pode causar erros nos relatos. 
  • Maioria dos participantes eram homens e mulheres estadunidenses brancos, com uma idade mais avançada. Aqui a idade média dos participantes no momento em que se inscreveram era de 73 anos, 2 terços mulheres e 88% eram brancos. 
  • Logo, a pesquisa pode diferir se forem medidas pessoas mais jovens ou de outras raças.

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*Imagem ilustrativa de capa: Unsplash

Por Amanda Stucchi em 5 de agosto