A carne de plantas está se tornando mais popular a cada dia, e por boas razões. Além da possibilidade de oferecer proteínas sem origem animal, é muito mais sustentável e contém sabores, aromas e texturas autênticos. Certamente, a carne vegetal está facilitando a redução do consumo de carne animal, ou até mesmo, eliminando-o por completo.

O consumo de alternativas à carne nunca foi tão expressivo. De acordo com um relatório de pesquisa de mercado da Packaged Facts, cerca de um em cada quarto americanos consomem carne à base de plantas. Ainda, 37% dos consumidores que ainda não consomem carnes de origem vegetal estão interessados ​​em experimentar.

O relatório, intitulado “Alternativas de carne, aves e frutos do mar: perspectivas para produtos de consumo baseados em células vegetais e cultivadas”, descobriu que os consumidores estão interessados ​​em alternativas de carne devido a preocupações ambientais, questões de saúde e cobertura de notícias de abuso de animais na indústria da carne.

A pecuária é insustentável

Um dos principais motivos para o aumento no consumo de carne de plantas é a sustentabilidade.

De acordo com a Food and Agriculture Organization of the United Nations, as emissões totais de gases do efeito estufa pela pecuária global são da ordem de 7,1 Gigatoneladas de Co2-equiv por ano, representando 14,5% de todas as emissões antropogênicas.

A pecuária ocupa quase 80% das terras agrícolas globais, mas produz menos de 20% do suprimento mundial de calorias. Uma vez que exige vastas áreas de pastagem, a produção de animal é um dos fatores mais importantes no desmatamento global, e consequentemente, um dos principais motores das mudanças climáticas.

Em termos geográficos, a maioria das emissões de carnes e laticínios vem de um pequeno número de países ou regiões com grandes extensões de terra. Os principais são as regiões exportadoras de carnes e laticínios: Estados Unidos (EUA) e Canadá; a União Europeia (UE); Brasil e Argentina. Esses países respondem por 43% do total das emissões globais da produção de carne e laticínios, embora abriguem apenas 15% da população mundial. Esses também são os países onde a maioria das principais empresas de carnes e laticínios tem suas operações.

Segundo relatório da GRAIN e Institute for Agriculture and Trade Policy (IATP), as maiores empresas de carne e laticínios do mundo podem superar a Exxon, a Shell e a BP (maiores petrolíferas) como principais poluidores do clima do mundo.

Por fim, a produção de carne convencional usa quase um terço de toda a água para a agricultura. Isso sem mencionar a poluição da água e a poluição por nutrientes, que compromete a qualidade da água em todo o mundo, causando acúmulos mortais de nutrientes através do escoamento.

A carne de plantas é mais sustentável

A alternativa vegetal à carne é menos prejudicial para o clima de forma crítica.

De acordo com o relatório do The Good Food Institute, a carne vegetal usa de 47 a 99% menos terra do que a proveniente de animal, com economia média de 93%.  Assim, a sua produção causa 30 a 90% menos emissões de gases de efeito estufa do que a produção de carne animal, com economia média de 88,5%. Além disso, a produção de carne de plantas usa 72 a 99% menos água, com economia média de 95,5%.

A carne vegetal resulta em 51 a 91% menos poluição por nutrientes nos sistemas aquáticos, com economia média de 75,5% em comparação com a carne convencional.

Carne de plantas não é só para veganos

Idealmente, a carne vegana foi desenvolvida para veganos e vegetarianos. No entanto, embora estes tenham conquistado seu espaço na atualidade, são os flexitarianos e onívoros o principal mercado-alvo para a carne à base de plantas da atualidade.

O relatório de pesquisa de mercado da Packaged Facts investigou os motivos pelos quais os consumidores se interessam tanto por alternativas vegetais à carne, dentre elas:

  • A publicação contínua de notícias sobre abuso de animais e más condições em fazendas industriais está fazendo com que as pessoas pensem mais sobre a origem de seus alimentos e o impacto que eles têm no mundo e nos animais usados.
  • As preocupações com as mudanças climáticas estão levando os consumidores a questionar se a carne faz parte de uma dieta sustentável.
  • A percepção de que os produtos à base de vegetais são mais saudáveis ​​do que a carne convencional impulsiona as vendas dessas alternativas entre aqueles que buscam melhorar sua dieta alimentar.

Os dados sugerem que esteja ocorrendo uma mudança na dieta americana, direcionando o consumo de alimentos à base de plantas, mesmo para indivíduos não veganos. Quer queiramos, quer não, o padrão alimentar da população brasileira é fortemente influenciado pela cultura alimentar americana. Nesse sentido, uma alteração alimentar nas terras do Tio Sam certamente indica a consolidação de mudanças por aqui, que por sinal, já estão acontecendo.

Leia mais em:

Vice-presidente dos EUA fala sobre o impacto do consumo de carne

União Europeia é favorável às carnes de plantas

9 benefícios da dieta baseada em plantas



por Nadia Ferreira Gonçalves em 13 de novembro