Complexo, misterioso e originado ha aproximadamente sete mil anos, a sua adoração se estende até os dias atuais e seguindo aos padrões e tendências alimentares mais modernos, o vinho vegano deve ganhar destaque nas adegas, desde os supermercados até os menus de restaurantes.

O que torna um vinho vegano?

À princípio, existem alguns aditivos, assim como na cerveja, que podem ter origem animal e ser usados na etapa de clarificação vínica. A clarificação consiste numa etapa fundamental da fabricação de vinhos brancos ou rosés, onde se busca tirar a turbidez do vinho e deixá-lo visualmente límpido, belo e atrativo. 

Aqui está uma explicação simples para a compreensão global do que torna, ou não, um vinho vegano. Para que se clarifique, é adicionado uma espécie de cola, com a função de se juntar com alguns polifenóis, taninos ou leucoantocianinas e coagulá-los. Até que na floculação as impurezas da bebida serão arrastadas pelos coágulos para o fundo, de modo a reduzir significativamente a turbidez do vinho.

Portanto, para esse processo, existem as colas de origem animal, vegetal ou mineral.

Produtos de origem animal utilizados:

  • Gelatina, derivada de tecidos animais. Se liga principalmente aos taninos e assim além de clarificar reduz a adstringência do vinho.
  • Isinglass, derivado da bexiga natatória dos peixes e consegue coagular substâncias mais densas.
  • Albumina, derivada de ovos e reduz taninos de forma mais amena que a gelatina, logo também é usada em vinhos tintos.
  • Caseína, derivada do leite e remove alguns polifenóis. Ela previne o escurecimento por contato com o oxigênio em vinhos brancos.
  • Bentonite, uma mistura de argilas finas, utilizada com cuidado já que durante a clarificação acaba absorvendo grande parte do aroma do vinho, o que não é agradável para o produto final.
  • Carvão ativado, absorve a cor e odores indesejáveis do vinho.

Nesse contexto, é notório que a maioria dos clarificantes disponíveis são de origem animal, embora a utilização desses agentes não seja unanimidade. De certo modo, a tradição ainda é fator determinante na escolha do agente a ser utilizado, uma vez que o sabor do vinho não depende diretamente do uso de certos clarificantes, portanto, há opção de trocar as colas de origem animal por minerais ou vegetais durante o processo de fabricação e assim, tornar o vinho vegano.

Como identificar um vinho vegano?

A primeira dica serve para qualquer produto, leia o rótulo e o contra-rótulo. Sempre. Isso porque, como já visto, as substâncias de origem animal utilizadas para a clarificação do vinho não permanecem no produto final e nem mesmo os paladares mais apurados conseguem percebê-las.

Se no rótulo aparecem as expressões “não filtrado”, “não afinado” ou “métodos de autoclarificação natural” significa não foram utilizados agentes clarificadores na elaboração, desse modo, o consumo é liberado.

É comum que apenas os vinhos orgânicos mencionam os componentes da produção na embalagem. Logo, nem sempre é possível se basear nos rótulos para verificar o uso ou não desses agentes clarificantes.

Assim, conhecer quem é o fabricante do vinho pode ser o caminho mais seguro para uma escolha assertiva. Portanto, não hesite em entrar em contato com o fabricante e pedir as informações que julgar necessárias. 

Em caso de dúvidas remanescentes, uma boa opção são os espumantes tipo kosher, uma vez que são fabricados sob rigorosos critérios do judaísmo, sendo um destes critérios, não utilizar nada de origem animal.

Há também a possibilidade de o produtor colocar estampas nos rótulos ou nas garrafas, indicando se a bebida é adequada para veganos. 

Implicações do mercado vegano no consumo de vinhos

As tendências atuais de mercado são claras e o veganismo veio mesmo pra ficar. Com o aumento do número de pessoas aderindo ao estilo de vida baseado em plantas e fortemente vinculado à saúde e ao bem-estar, há implicações diretas no consumo de vinhos. 

Como esperado, o aumento de adeptos consequentemente acarreta maior procura por produtos isentos de substâncias de origem animal, e quando se trata de vinhos não é diferente.

A crescente gama de produtos veganos, demonstra a importância de se adaptar à demanda certa e exigente desse novo perfil de consumidores e dar um up nos negócios. A lógica é, se houver adequação dos produtos, haverá mais consumo consciente, mais satisfação dos clientes e mais lucros. Portanto, ideologias e princípios que orientam o veganismo também podem ser encontrados na degustação de vinhos.

Vinhos veganos para um cardápio completo

Finalmente, para fornecedores e clientes, há uma importância intrínseca na oferta de vinhos veganos. Tanto em adegas e supermercados, quanto em restaurantes e bares, a identificação de opções adequadas ao consumo para os adeptos ao veganismo já pode ser considerada um fator de inclusão, bem como, determinante na escolha do estabelecimento.

Assim, para dar aquela força extra para quem busca por garantir opções veganas na carta de vinhos, separamos algumas sugestões:

Miolo Wine Group: vinícola 100% nacional. Todos os vinhos produzidos pela Miolo são isentos de cola de origem animal. Fique com vinhos saborosos e com excelente custo benefício:

Vinho Miolo Reserva Chardonnay – Safra 2017 (750ml) R$ 56    

Elaborado com uvas Chardonnay cultivadas em vinhedos próprios localizados na região da Campanha Gaúcha. Este vinho teve uma breve passagem por carvalho francês, a cor apresenta-se esverdeada com reflexos palha, o aroma é intenso, complexo e o paladar é harmonioso e untuoso.

Vinho Miolo Cuvée Giuseppe Merlot – Safra 2017 (750ml) R$ 86    

Vinho tinto de guarda, resultante do corte das uvas Merlot e Cabernet Sauvignon selecionadas nos melhores vinhedos da família Miolo no Vale dos Vinhedos/RS.

Casillero del Diablo: apenas os vinhos tintos não possuem aditivos animais. Alguns que merecem atenção:

Casillero Del Diablo Reserva Carmenere – Safra 2017 (750ml) R$ 52

Um excelente exemplar Chileno, este puro Carmenére é produzido no Vale Central. É um vinho bem suave ao paladar, com aromas de frutas maduras e sutis notas de café torrado. Na cor revela o vermelho profundo.

Casa Valduga: todos os vinhos produzidos são fabricados sem nada de origem animal.

Gran Identidade Corte – Safra 2012 R$ 136

Vinho intenso, com taninos firmes e equilibrada acidez. Passa por período de um ano em maturação em carvalho francês, revelando-se um vinho opulento e pleno. Remete à presença de frutas vermelhas e notas tostadas da madeira.

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por Nadia Ferreira Gonçalves em 10 de dezembro