A vacina à base de plantas da Medicago apresentou resultados positivos na terceira fase de testes. 

Já falamos sobre o assunto em uma matéria, onde explicamos que o processo para a fabricação de vacinas tradicionais envolve o uso de ovos, sendo que o imunizante dessa fabricante não utiliza esse produto.

Mesmo assim,  a vacina é testada em animais — por exigências legais todas as vacinas devem ser testadas nesses seres vivos — felizmente, já existem campanhas como a Make More Medicines Vegan, da The Vegan Society, que buscam incentivar os governos a encontrarem alternativas sem o uso de animais. 

Nesse caso, é necessário nos lembrarmos da definição de veganismo feita por essa instituição: “O veganismo é uma filosofia e um modo de vida que busca excluir — na medida do possível e praticável — todas as formas de exploração e crueldade contra os animais para alimentação, roupas ou qualquer outro propósito”. 

Portanto, a instituição não recomenda evitar medicamentos prescritos pelos médicos. Além de ter afirmado sobre a vacinação: “A Vegan Society encoraja os veganos a cuidar de sua saúde e a de outras pessoas, a fim de continuar a ser defensores eficazes do veganismo e de outros animais”. 

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Mais detalhes sobre a vacina à base de plantas da Medicago

A Medicago é uma empresa de biotecnologia canadense que desenvolveu o imunizante com a farmacêutica GlaxoSmithKline, em sua composição está a espécie parente da planta do tabaco Nicotiana benthamiana

Em uma comunicação, foi afirmado que a vacina possui 71% de eficácia contra todas as variantes, porém, a variante ômicron não estava circulando durante essa pesquisa. 

O estudo foi conduzido com mais de 24 mil pessoas de 6 países diferentes, todas maiores de idade. 

Takashi Nagao, presidente e CEO da Medicago, relatou: “Este é um momento incrível para a Medicago e para as novas plataformas de vacinas. Os resultados de nossos ensaios clínicos mostram a eficácia da tecnologia para a produção de vacinas em plantas. Se aprovado, contribuiremos para a luta global contra a pandemia de COVID-19 com a primeira vacina do mundo produzida com plantas e para uso humano”. 

O Diretor Científico da Medicago, Yosuke Kimura, também falou: “Estou feliz em ver nossa vacina avançar para oferecer ao mundo a primeira vacina contra COVID-19 produzida à base de plantas, diversificando assim o fornecimento de vacinas disponíveis para melhorar a saúde pública e proteger mais pessoas”. 

No momento, a Medicago iniciou a submissão regulatória ao Food and Drug Administration (EUA), Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (Reino Unido) e também ao Health Canada. 

Outros planos são preparar um dossiê para submeter a OMS e criar um estudo de fase um e dois no Japão, para ter também aprovação regulatória. 

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Uma análise do imunizante com relação às variantes 

É necessário destacar que o imunizante foi testado em um ambiente com variantes do SARS-CoV-2, enquanto as outras vacinas aprovadas na atualidade foram testadas em um ambiente onde o vírus original ainda dominava. Portanto, o estudo afirmou que isso torna as comparações impossíveis

Mesmo assim, iremos abordar mais profundamente os resultados. 

  • A taxa geral de eficácia em um ambiente dominado por variantes é de 71% (com intervalo de confiança de 95%). 
  • A eficácia em pessoas sem exposição anterior ao coronavírus é de 75,6%. 
  • A taxa de eficácia contra a variação Delta é de 75,3%, enquanto contra a Gama é de 88,6%. 

Sobre efeitos colaterais, é dito que não foram relatados efeitos adversos graves, houve somente reações adversas leves ou moderadas bem transitórias (cujos sintomas duraram entre um e três dias). É informado também que febres foram observadas em uma frequência baixa (menos de 10%), mesmo após a segunda dose do imunizante. 

Após a vacina estar regulamentada, o regime de vacinação será feito em duas doses, administradas via intramuscular com 21 dias de intervalo.

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*Imagem de capa: Unsplash



por Amanda Stucchi em 9 de dezembro