A Upfield, uma das maiores autoridades em nutrição à base de plantas, está investindo € 50 milhões em um centro de pesquisas e inovação em alimentos plant based, localizado na região de Wageningen, na Holanda.

De fato, o local é reconhecido como o “Vale do Silício” de alimentos e também abriga a The Wageningen University & Research (WUR), um dos maiores centros de pesquisa da indústria de alimentos.

Protagonista dessa história

A Upfield nasceu de uma divisão da Unilever, e ganhou esse nome ao ser adquirida pela Kohlberg Kravis Roberts, KKR & Co. Inc., uma empresa de private equity americana. A KRR tem um extenso portfólio, com mais de 100 marcas que incluem margarinas, como as da marca Becel, e queijos, como da marca Violife.

Atualmente, a Upfield é considerada a maior empresa produtora de margarinas do mundo, com cerca de 27% de participação global, e opera em mais de 95 países. Rama e Blue Band são suas marcas com maior presença na Europa, enquanto Shedd’s Country Crock é a marca líder nos Estados Unidos.

Outros produtos do portfólio incluem Doriana e Becel na América Latina, Planta Fin na França, Solo e Planta na Bélgica, Laetta na Alemanha e Milda na Escandinávia, Sana na Turquia, Tulipan na Espanha e Delma na Europa Oriental.

Certamente, uma nova adição ao portfólio é o fabricante de base vegetal Arivia, fabricante de queijo vegano com a marca Violife. Este, foi adquirido no início de 2020 por cerca de € 500 milhões.

Upfield Food Science Center

O novo Upfield Food Science Center foi anunciado recentemente, e a previsão é de que fique pronto até o final de 2021. Espera-se que o novo centro de inovação plant based traga à Upfield, acesso a equipamentos e tecnologias de última geração. Além disso, fomente uma forte rede de criação de novos produtos.

Segundo comunicados da empresa, o foco do Upfield Food Science Center deve se concentrar em três áreas bastante sensíveis:

  • embalagem sustentável
  • perfil de sabor
  • nutrição

Por certo, sair das embalagens plásticas pode ser considerado um dos maiores ganhos da indústria plant based, com benefícios significativos para o planeta e para seus próprios lucros. A poluição do plástico é um problema ambiental enorme. Estima-se que, em 2025, o oceano contenha uma tonelada de plástico para cada três toneladas de peixes, e em 2050, mais plásticos do que peixes.

Recentemente, a Upfield anunciou a rotulagem de carbono nas embalagens para 100 milhões de seus produtos vegetais até o final de 2021. A intenção da empresa é ajudar os consumidores a tomar decisões informadas sobre o impacto ambiental de os alimentos que eles escolhem.

Ainda, considerando o perfil de sabor e nutrição, aprimoramentos serão cruciais para a expansão da indústria plant based. Consumidores do novo milênio esperam que seus alimentos sejam ao mesmo tempo saborosos, nutritivos e sustentáveis.

O “Vale do Silício” de alimentos

A escolha do local para implantação do centro não poderia ser mais assertiva. A The Wageningen University & Research está localizada nas proximidades e é classificada como uma das principais universidades do mundo para pesquisa de alimentos veganos, segundo o Good Food Institute.

O “Vale do Silício” de alimentos pode ser considerado um ecossistema único, liderado pela indústria para promover a criação de produtos mais saudáveis ​​e saborosos usando métodos de produção sustentáveis. O conglomerado compreende empresas de alimentos, Universidade de Wageningen, o governo local e a Agência de Desenvolvimento Regional Oost NL.

Seu objetivo é conectar empresas de alimentação com conhecimento relevante para os setores privado e público. O ambiente é propício à colaboração tecnológica, bem como, alianças voltadas para negócios, e parcerias de marketing.

Mais um um centro de inovação plant based no “Vale do Silício” de alimentos

Definitivamente, a Upfield não é a única grande empresa que a marcar presença em Wageningen. A Unilever já anunciou a construção de um centro de inovação no valor de € 85 milhões no final do ano passado. A instalação será usada para “acelerar a tecnologia e inovação” de alternativas baseadas em plantas.

O desenvolvimento e a inovação não é exclusividade das grandes matrizes. Marcas menores também estão desenvolvendo novos métodos de elaboração de produtos à base de plantas, às vezes com ingredientes inesperados.

Por exemplo, Fora Foods, uma startup sediada no Brooklyn, produz manteiga vegana a partir de aquafaba, substância viscoespumosa que encontrada no grão de bico. No final de 2018, atraiu um investimento de US$ 1,4 milhão de fundos de capital de risco vegan, Stray Dog Capital e Blue Horizon. Este último é um dos maiores investidores na área de alimentos à base de plantas.

Finalmente, o desenvolvimento de mais um centro de inovação plant based no Vale do Silício de alimentos mostra o quanto a inovação de alimentos à base de plantas está na mira de empresas do ramo alimentício por todos os lados.

Leia mais sobre o mercado de alimentos veganos industrializados.



por Nadia Ferreira Gonçalves em 26 de agosto