O veganismo já se tornou uma opção de estilo de vida para milhões de pessoas em todo o mundo, e a demanda por alimentos veganos industrializados não para de crescer. Os consumidores estão cada vez mais exigentes por produtos que não contêm substâncias de origem animal – tanto por preocupação com sua saúde quanto por razões éticas e ambientais.

A indústria de alimentos sem carne, substitutos de frutos do mar e proteínas alternativas estão crescendo na preferência dos consumidores. Gigantes mundiais da área,  como a Nestlé, a Danone e a Cargill, estão trabalhando para navegar em um mundo em que a proteína não é dominada por fontes animais tradicionais.

Infelizmente, alimentos industrializados de origem animal ainda respondem por uma grande fatia do mercado. Para atender a demanda, a indústria da carne evoluiu para um negócio global complexo que envolve gigantes fazendas, além de centros de processamento e armazenamento, transporte e logística, matadouros, e muito mais.

Apesar da consolidação maciça do setor nos últimos anos, o âmbito de carnes industriais enfrenta uma maré crescente de desafios, na forma de negócios inter-relacionados, preocupações éticas e ambientais. 

Além disso, hoje eles também enfrentam uma situação política única, e desde que os EUA e a China entraram em seu conflito comercial, as incertezas da indústria agrícola a colocaram em uma verdadeira corda bamba.

Enquanto isso, as startups veganas, que utilizam a tecnologia para projetar alimentos a partir de proteínas de origem vegetal estão aumentando em popularidade. Produtos alimentares sem carne, de hambúrgueres sem carne a camarões à base de ervilha, ameaçam o futuro dos gigantes da carne.

Além de oferecer novos produtos, essas startups têm o potencial de alterar todas as partes do processo de produção de carne.

Especialmente vulneráveis ​​a essas mudanças são empresas de alimentos como a JBS, Tyson, Pilgrim’s e Sanderson Farms, que dependem de produtos à base de carne para 80% ou mais de sua receita.

As startups de alimentos veganos industrializados

As startups estão interrompendo a cadeia de valor da indústria da carne através do desenvolvimento de produtos proteicos de alta tecnologia, ameaçando players estabelecidos como a JBS e a Tyson.

As startups de substitutos de carne não estão apenas competindo com carnes preparadas e congeladas, mas também estão criando lanches alternativos, como o Futuro Burguer e a Salsicha Vegetal Superbom.

Embora os benefícios ambientais para alimentos industrializados à base de plantas sejam potencialmente enormes, esses produtos ainda são significativamente mais caros do que as alternativas à base de carnes.

Substitutos lácteos para alimentos veganos industrializados

Não são apenas os substitutos da carne que perturbam a cadeia alimentar tradicional: as alternativas de substituição ao leite e seus derivados também estão ganhando força no espaço alimentar.

As alternativas aos laticínios tradicionais também estão recebendo maior atenção dos investidores e dos consumidores, pois estes estão cada vez mais inclinados a dietas à base de plantas e fontes alternativas de proteínas.

Pequenas e grandes empresas focadas na produção de leite a partir de fontes vegetais, assim como, queijos e iogurtes, já estão vendendo seus produtos em supermercados para consumo diário.

Ao fornecer novas opções de alimentos veganos industrializados para atender à demanda do mercado, a tendência é de reduzir ainda mais a participação tradicional do mercado de produtos de origem animal, e alavancar a indústria à base de plantas.

A tendência da “carne” sem carne

Uma outra tendência que colabora substancialmente para o constante crescimento da indústria de alimentos veganos são os hambúrgueres à base de plantas que ‘sangram’ e têm gosto de carne.

Hambúrgueres à base de plantas recentemente se tornaram muito mais populares e agradam não apenas veganos e vegetarianos.

As startups que produzem esses hambúrgueres têm como alvo as dietas à base de plantas e à base de carne, e suas estratégias perpassam o aumento das opções para vegetarianos e veganos, bem como, a atração de apreciadores de carne, sem, no entanto, comprometer o sabor.

A Impossible Foods, uma das principais empresas do setor, utiliza a engenharia molecular para criar hambúrgueres sinistros à base de plantas, e a empresa afirma que seus produtos são quase indistinguíveis da carne.

A descoberta da molécula heme, rica em ferro e que dá o aspecto suculento e a aparência de conter sangue à carne vegetal, permitiu replicar o sabor “sangrento” em seus produtos à base de plantas.

No ano passado, a empresa anunciou que está expandindo os canais de distribuição para cafeterias de universidades, cafés de museus e outros pontos de venda. O hambúrguer da Impossible Foods já está disponível em redes de hamburguerias, e a empresa não para de anunciar novas parcerias.

A Beyond Meat é outra grande empresa que produz hambúrgueres à base de plantas e outros produtos que imitam a carne, como tiras de frango e carne moída. A empresa também vem experimentando um produto de porco à base de plantas.

As indústrias de carnes de origem vegetal têm visto rondas cada vez maiores do capital de risco e de outros tipos de investidores.

Com mais de US $ 750 milhões em financiamento divulgado, a Impossible Foods tem o maior financiamento dentre todas as startups no espaço de substitutos de carne até o momento. No Brasil a Fazenda Futuro recebeu um aporte de R$ 31 milhões em sua primeira rodada de investimento externo.

Um mercado que não para de crescer

Considerando as tendências de mercado, nos próximos anos, podemos esperar que o custo de produção de alimentos veganos industrializados diminua consideravelmente.

A partir daí, é apenas uma questão de quais empresas colocarão seus produtos no mercado primeiro e posicionarão melhor seus produtos pelo preço.

Os contínuos avanços na engenharia de alimentos e inovação na criação de alimentos veganos melhorarão o sabor e provavelmente focarão os benefícios à saúde para incentivar o consumo.

Independentemente dos obstáculos para o mercado de alimentos veganos, os produtos industrializados estão claramente se diversificando e crescendo, capturando a atenção do investidor e do público.



por Nadia Ferreira Gonçalvez em 14 de novembro