O governo holandês anunciou o plano de investir € 25 bilhões para reduzir o número de rebanhos. Quer saber mais? 

O The Guardian anunciou essa novidade, relatando que a ideia é conter a sobrecarga de esterco animal. 

Por que o esterco pode ser perigoso? 

Esse elemento contém nitrogênio — a atmosfera é composta por 80% dessa substância — apesar de ser essencial para a vida,  também pode prejudicar o ecossistema ao causar zonas mortas aquáticas ao desenvolver muitas algas em contato com a água. 

Além disso, quando o estrume é misturado com a urina isso se transforma em amônia (combinação de nitrogênio e hidrogênio), que também é uma substância perigosa: quando está em altas concentrações, pode ocasionar dermatite, problemas respiratórios, irritar os olhos, causar cegueira e até mesmo acarretar a morte. 

O plano do governo da Holanda para reduzir o número de rebanhos

O governo criou esse plano multibilionário, sendo que a ideia é começar como um programa voluntário, oferecendo compensações. 

É explicado no documento que anuncia esse investimento: “Um Programa Nacional de Área Rural enfrenta os desafios da agricultura e da natureza com um fundo de transição no qual € 25 bilhões serão disponibilizados cumulativamente até 2035”.  

Portanto, irão realizar o pagamento aos criadores de gado para que possam se relocar ou sair da indústria, além de auxiliar a fazerem a transição para um método de agricultura extensivo, ou seja, com menos animais e uma área maior de terra. 

É informado que o resultado final será a redução de um terço no número de vacas, porcos e galinhas na Holanda. 

Vale lembrar que a Holanda é um dos países com a maior presença de gado. Conforme o Eurostat, são 3,8 cabeças de gado por hectare, o segundo maior país é Malta com 2,9 cabeças de gado por hectare. 

O parlamentar Tjeerd de Groot, do partido Democratas 66, destacou no The Guardian que é necessário sair desse modelo de produção, já que essa indústria está causando males ao modelo de negócios dos produtores rurais e ao meio ambiente. 

Ele afirmou: “É hora de restaurar a natureza, o clima e o ar, e em algumas áreas isso pode significar que não há mais lugar para fazendeiros intensivos lá”. 

É provável que outros países também pratiquem essa mesma ação no futuro.

De acordo com o veículo Politico, pode ser que a Dinamarca, Bélgica e Alemanha tomem a mesma atitude em breve, segundo os especialistas consultados. 

Outros governos que estão investindo para transformar o sistema alimentar 

Já falamos aqui no Vegan Business sobre outros governos que estão investindo no sistema alimentar para deixá-lo mais sustentável. 

Um deles é o Reino Unido, que investiu £ 1 milhão na empresa de carne cultivada Roslin Technologies. 

Outro país é a Dinamarca, que desenvolveu um Fundo para Produtos Alimentares de Base Vegetal, oferecendo 675 milhões de coroas dinamarquesas (€ 90 milhões) durante nove anos para auxiliar no desenvolvimento e promoção de produtos à base de plantas.

Nesse caso, também existe uma ação para agricultores onde o governo dinamarquês pagaria um bônus para quem cultivasse proteínas vegetais para o consumo humano. 

Na época, Christian Wolthers, fundador do Vegan Business, vegano e dinamarquês, comentou sobre essa ação. 

Ele falou: “Como dinamarquês e vegano estou muito feliz em ver essa iniciativa acontecendo e espero que outros governos do mundo todo se inspirem nessa iniciativa visando construir um futuro mais viável para as próximas gerações”. 

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*Imagem de capa: Pexels



por Amanda Stucchi em 20 de dezembro