Pesquisadores na China alcançaram um avanço importante ao desenvolverem embalagens comestíveis, transparentes e biodegradáveis que possui um alto potencial para ser utilizado em embalagens de alimentos.

As embalagens plásticas utilizadas para acondicionar alimentos acabam responsáveis por uma grande parte dos resíduos plásticos acumulados em aterros sanitários em todo o mundo. Devido às preocupações ambientais em constante crescimento entre os consumidores, pesquisadores e fabricantes de todo o mundo estão buscando cada vez mais alternativas ecológicas.

Pesquisadores da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK) recentemente desenvolverem um material comestível, transparente e biodegradável.

Embalagens biodegradáveis

A equipe da CUHK tem se dedicado ao estudo da celulose bacteriana (BC), um composto orgânico obtido a partir de certas espécies de bactérias. A BC tem despertado interesse como uma solução sustentável, cultivada disponível e não tóxica para substituir os plásticos tão amplamente utilizados. O professor To Ngai, do Departamento de Química da CUHK e autor principal do estudo, destacou que uma notável resistência à tração, assim como alta versatilidade da BC são características essenciais para o seu potencial de aplicação.

De acordo com o professor To Ngai: “Foram realizadas extensas pesquisas sobre a celulose bacteriana, incluindo seu uso em embalagens inteligentes, filmes inteligentes e materiais funcionalizados obtidos por meio de mistura, revestimento e outras técnicas. Esses estudos demonstraram o potencial da celulose bacteriana como materiais de uso único em embalagens, tornando-a um ponto de partida lógico para nossa pesquisa”.

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Ao contrário da celulose encontrada nas plantas, a celulose bacteriana pode ser produzida por fermentação microbiana, eliminando a necessidade de utilizar árvores ou plantas. Isso faz com que a celulose bacteriana seja uma alternativa de material mais sustentável e ecologicamente correta em comparação com a celulose vegetal. No entanto, até o momento, o uso generalizado da celulose bacteriana está limitado devido à sua sensibilidade à temperatura atmosférica, que afeta suas propriedades físicas.

Produto inovador

No artigo do Journal of the Science of Food and Agriculture, o pesquisador da CUHK adotou uma abordagem para superar a limitação da celulose bacteriana. Eles conseguiram criar uma embalagem composta à base de BC comestível, transparente e resistente, incorporando certas proteínas de soja em sua estrutura e revestindo-a com um composto resistente a óleo. Ao contrário de outros plásticos biologicamente produzidos, como o ácido polilático, uma embalagem à base de BC não requer condições especiais de compostagem industrial para se degradar.

Além do trabalho realizado pelo pesquisador da CUHK, outras empresas também estão explorando alternativas criativas para embalagens plásticas. Por exemplo, a Notpla e a Sway estão utilizando ingredientes à base de algas para desenvolver soluções que combatem o plástico.

Futuro da pequisa

Atualmente, os pesquisadores da CUHK estão explorando diferentes direções para a continuação da pesquisa. Eles têm como objetivo aprimorar a versatilidade dos filmes de celulose bacteriana modificados, tornando-os adequados para uma ampla gama de aplicações. Um aspecto importante é o desenvolvimento de um adesivo termoendurecível, capaz de criar ligações fortes entre as fibras de celulose bacteriana, permitindo que sejam moldadas em diferentes formas quando aquecidos.

De acordo com o professor Ngai: “Um dos maiores desafios enfrentados pelos filmes feitos de celulose bacteriana é que eles não são termoplásticos, o que limita sua utilização em certas aplicações. Esperamos tornar os filmes de celulose bacteriana mais competitivos em relação aos plásticos convencionais, mantendo assim sua compatibilidade com o meio ambiente.”

Com esses esforços contínuos, os investigadores do CUHK estão certos a superar as reservas atuais e o desenvolvimento de embalagens sustentáveis e de alto desempenho.

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Imagem ilustrativa de capa: Pexels

Por Ana Cristina Gomes em 5 de julho