A MycoWorks, marca de couro de micélio, anunciou hoje que levantou US$ 125 milhões em uma rodada bem-sucedida da Série C. Segundo o Crunchbase, a empresa estadunidense já levantou US$ 187 milhões em sua história, contando com esse novo investimento. 

Quem liderou a rodada foi o Prime Movers Lab — empresa de venture capital que investe em startups científicas — outros participantes incluíram SK Networks, Mirabaud Lifestyle Impact & Innovation Fund, entre outros. 

O que a marca de couro de micélio irá fazer com o investimento? 

O valor será utilizado para criar uma planta de produção para atender a demanda pelos materiais da empresa, é esperado que essa nova instalação entre em operação em até um ano. Além disso, o investimento também será utilizado para aumentar a equipe e investir nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a tecnologia patenteada Fine Mycelium. 

O CEO da MycoWorks, Matt Scullin, afirmou em um comunicado: “Estamos entusiasmados em fazer parceria com investidores novos e antigos que têm profunda experiência em escala de fabricação. A plataforma Fine Mycelium da MycoWorks produz o material de couro da mais alta qualidade do mundo por meio de um processo proprietário que possuímos e operamos”, complementando que o capital será utilizado para crescer a posição de liderança da marca. 

David Sminoff, sócio geral da empresa investidora Prime Movers, também destacou: “O que a MycoWorks alcançou com sua plataforma Fine Mycelium não é apenas um avanço, é uma revolução para as indústrias que estão prontas para a mudança. Esta oportunidade é enorme, e acreditamos que a qualidade incomparável do produto combinada com um processo de fabricação próprio e escalável torna o MycoWorks pronto para servir como a espinha dorsal da revolução dos novos materiais”. 

A tecnologia patenteada projeta as células de micélio à medida que elas crescem para criar estruturas tridimensionais entrelaçadas e fortes. A marca afirmou em um vídeo que os designers podem estabelecer propriedades para seus produtos que não são obtidas com couro de origem animal e sintéticos.

Segundo a empresa, o produto se difere do couro de cogumelo tradicional porque o material comprimido não oferece tanto desempenho e resistência como os couros de origem animal e sintéticos. 

A sustentabilidade do produto + a parceria com a Hermès

Nós já falamos por aqui que o couro de micélio é uma alternativa mais sustentável para o mundo da moda. Além de não ter crueldade animal, também emite menos carbono e utiliza menos água.

Como sabemos, várias marcas estão criando produtos com couro alternativo: a Nike desenvolveu um tênis com couro de fibra de abacaxi, a Gucci lançou sapatos com couro feito de vegetais, entre muitas outras. 

A MycoWorks tem parceria com grandes marcas de luxo globais. No ano passado, anunciou a primeira parceria com a Hermès para uma bolsa exclusiva feita com couro de micélio. 

Matt Scullin falou na época: “Não poderíamos imaginar um parceiro melhor do que a Hermès para apresentar nosso primeiro objeto feito com o Fine Mycelium. Hermès e MycoWorks compartilham valores comuns de perfeição, qualidade, inovação e paciência”. 

Bolsa do MycoWorks

Imagem: MycoWorks / foto de Coppi Barbieri

O profissional também contou ao The Guardian que a empresa está trabalhando primeiro com a moda de luxo, já que essas marcas estão à frente da curva quando se trata de sustentabilidade, pois estão em uma posição de pensar grande e a longo prazo. Entretanto, há planos para realizarem parcerias com empresas do mercado de “massa”, portanto, é provável que veremos no futuro mais peças com o material.  

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*Imagem de capa: Foto de Carla Tramullas | Reprodução MycoWorks / via Instagram @mycoworks 



por Amanda Stucchi em 13 de janeiro