Alimentos que priorizam a saúde, possuem baixo impacto ambiental e protegem o futuro do planeta. É assim que imaginamos a alimentação vegana se inserindo em cenários futuros, e obtendo o combustível necessário para a sua rápida ascensão.

Em princípio, o debate sobre negócios veganos recai prioritariamente sobre a alimentação. Ao propósito, com a população mundial se aproximando dos 8 bilhões, atender às necessidades alimentares e nutricionais de maneira saudável e sustentável tem se tornado a cada dia mais urgente. Soma-se a isso o fato de que a indústria de alimentos tradicional tem se mostrado uma alternativa de baixa viabilidade, dado a motivos diversos.

Logo, desafios éticos e ambientais são amplamente associados à produção e ao consumo de animais e seus derivados. Estes, são considerados como os principais componentes da iminente crise climática, além de negativamente impactantes para a saúde humana e o bem-estar animal.

Paradoxos atuais sobre alimentos e nutrição

Inegavelmente, a relação do ser humano com a alimentação toma diferentes formas ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, ultrapassando as questões relativas à necessidade, e assumindo sentidos socialmente contextualizados. Essa questão torna difícil prever os cenários futuros do mercado de alimentos, mas observando a realidade atual é possível x

Em seu relatório sobre as tendências e perspectivas para 2030, a Barilla Center For Food and Nutrition trouxe os três grandes paradoxos sobre alimentação, vivenciados hoje em escala global. Neste panorama, a insustentabilidade dos modelos de produção e consumo praticados é reafirmada, nos convidando a enxergar a alimentação vegana numa perspectiva ainda mais ampla.

Os paradoxos apresentados:

  • Hoje, em todo o mundo, para cada pessoa desnutrida, há duas pessoas obesas ou com sobrepeso;
  • Um terço de toda a produção de alimentos é destinado à alimentação dos animais de criação. Além disso, uma participação crescente de terras agrícolas é usada para a produção de biocombustíveis. Ao que tudo indica, estamos escolhendo alimentar automóveis em vez de pessoas.
  • Todos os anos e em todo o mundo, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos perfeitamente comestíveis são desperdiçados, enquanto 868 milhões de pessoas passam fome.

Adicionalmente, há ainda a informação de que a porção de tudo o que consumimos é maior que a capacidade de regenerar. Para manter o nosso estilo de vida atual, é estimado que em 30 anos precisaremos de 1,5 planetas, e em 40 anos, de 3.

O consumo de animais em cenários futuros

O sistema alimentar baseado no consumo de animais é um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa, além de ser extremamente intensivo no consumo de recursos naturais essenciais. Por exemplo, para se produzir uma única caloria de carne de frango, considerada a de produção mais eficiente, são necessárias nove calorias de entrada.

Para além do desgaste planetário envolvido neste sistema alimentar, os danos causados à saúde humana também são relevantes. A longo prazo, o consumo de animais e derivados se associa fortemente a inúmeras doenças, como as cardiovasculares, metabólicas e o câncer. Ainda, há uma problemática referente à proliferação de doenças zoonóticas, altamente potencializada pela industrialização da pecuária.

Pensando em cenários futuros, se faz necessário que ocorra uma mudança de paradigmas no sistema alimentar. Em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a humanidade precisa utilizar fontes nutricionais mais sustentáveis, priorizando a eficiência energética e a saúde global.

Alimentação vegana em cenários futuros

As características disruptivas dos negócios veganos possuem potencial suficiente para que estes ofereçam o combustível necessário à mudança de paradigmas. Principalmente no que se refere a alimentação, mas não se limitando a esta, hoje vemos uma verdadeira quebra de padrões de consumo, com os holofotes se voltando para a sustentabilidade e a manutenção da saúde como um todo.

Impulsionados, em parte, pela crescente demanda, vimos na última década um surpreendente avanço do mercado vegano. Pesquisa acadêmica, investimento financeiro e mídia positiva possibilitaram o crescimento desse mercado em todo o planeta, e de olho no futuro, empreendedores e grandes empresas estão apostando nessa onda verde.

O surgimento de novos produtos alimentícios está revolucionando o sistema alimentar. A ética e a transparência da indústria de alimentos à base de plantas têm chamado a atenção de diversos públicos, fazendo com que seus produtos alcancem e conquistem novos perfis de consumidores.

Movimento em alta

Mesmo no Brasil, onde o movimento plant based está apenas no início, é notório que os alimentos de origem vegetal estão em alta.

Tudo indica que essa tendência veio para ficar e que já estamos com o pé no futuro. Isso faz parte de um movimento maior, que envolve pessoas que se preocupam com o planeta e com a construção de um enredo eco-positivo para a humanidade.

Pessoas, políticas e empresas ao redor do mundo já se atentaram à questão. O fato de grandes empresas terem se inserido no mercado vegano é um forte indício de que outras empresas serão também motivadas, fazendo com que a onda cresça ainda mais, e chegue às massas.

Finalmente, também veremos mais produtos não alimentares veganos e novas matérias-primas sustentáveis surgindo e se popularizando. No cenário da moda, da beleza e até automobilístico… não há como negar a presença dos negócios veganos em cenários futuros, e dessa vez o lucro também é da saúde e do planeta.

Quer saber mais sobre veganismo? Leia tudo sobre veganismo e sobre o movimento Go Vegan!



por Nadia Ferreira Gonçalves em 14 de agosto