Falar na evolução da carne de plantas parece algo futurístico. É difícil imaginar um tempo em que os animais não estivessem presentes na dieta dos seres humanos.

No entanto, graças ao desenvolvimento tecnológico, alternativas à carne isentas de produtos de origem animal podem ser criadas em laboratório. Essas alternativas, além de gerarem menos poluentes e crueldade com os animais, são mais saudáveis para os seres humanos.

A evolução da carne de plantas se deve, principalmente, ao crescimento da demanda, por parte de consumidores que se identificam como veganos, vegetarianos ou flexitarianos. Além disso, preocupações com a saúde e o meio ambiente acabam gerando a necessidade de inovação na indústria de alimentos.

Opções alternativas

A crescente preocupação com as consequências da agricultura animal e o consumo de produtos animais tem acelerado a inovação. 

Seja pela ingestão de carne ou pela quantidade de produtos químicos e poluentes usados na pecuária, que acabam se contaminando o solo e consequentemente afetam a qualidade da água potável, bem como, degradam a camada de ozônio. De fato, a produção de alimentos de origem animal é insustentável.

Um estudo de 2017 descobriu que, juntos, os três principais produtores de carne do mundo (JBS, Cargill e Tyson) emitiram mais gases de efeito estufa em 2016 do que toda a França e quase tanto como algumas das maiores companhias de petróleo, como Exxon, BP e Shell.

Simultaneamente, estatísticas surpreendentes sobre a ligação da carne vermelha e processada ao câncer colorretal, também impactaram diretamente a indústria da carne.

Como exemplo do crescimento de novas alternativas e o impacto nas indústrias tradicionais, a indústria de laticínios dos EUA perdeu cerca de US$ 1,1 bilhão. Isso se deve pela preferência dos consumidores por alternativas não lácteas, como leite de soja, arroz, amêndoas e aveia.

Onde começou a evolução

O grande marco da popularização de alimentos à base de plantas, se iniciou com a criação dos queridos cereais de flocos de milho, que traziam alternativas ao café da manhã, até então baseado em proteínas animais. Neste sentido, John Harvey Kellogg, em 1889, em conjunto com seu irmão William criaram a “protose”.

O alimento que ficou bastante conhecido no início do século XX é uma espécie de patê, mistura de manteiga de amendoim, purê de feijão, água, amido de milho, cebola, sálvia e sal, cozidos no vapor. Ele substituía a carne nas refeições.

Loma Linda Foods, em 1931, foi mais uma visionária ao começar a produzir alimentos de origem vegetal como forma alternativa à carne animal. E continuamente, em 1981, houve  a criação de um hambúrguer a base de vegetais e arroz por Paul Wenner.

A era dos hambúrgueres de plantas

Quando se trata dos hambúrgueres, tudo começou em 2002, com a parceria entre o Burger King e a Morningstar Farms, subsidiária da Kellogg Company. Juntas, elas lançaram o BK Veggie Burger. Esta ação abriu os olhos tanto de consumidores quanto das indústrias, para as novas opções alimentícias à base de vegetais.

Em se tratando de hambúrgueres vegetais, a Beyond Meat e Impossible Foods, criadas em 2009 e 2011 respectivamente, podem ser consideradas as precursoras modernas. Essas indústrias conseguiram bater de frente com as grandes companhias da carne. Ofereceram hambúrgueres que, mesmo sendo produzidos a partir de plantas, são suculentos e trazem a textura e sabor idênticos aos de origem animal.

É importante ressaltar que, embora ambos sejam produzidos a partir de vegetais, cada um possui um ingrediente “secreto” diferente. Enquanto o hambúrguer da Beyond Meat é produzido a partir da proteína de ervilhas amarelas, o Impossible Burger é à base de soja, proteína de batata e heme, a molécula que permite o hambúrguer de plantas da Impossible literalmente “sangrar”.

Expansão do mercado de hambúrgueres

Nesse cenário evolutivo, outro marco foi o IPO da Beyond Meat. Suas ações ultrapassaram 734% de preço inicial de oferta, abrindo as portas para parcerias com KFC, Subway e até o Blue Apron. Enquanto o IPO da Beyond Meat ganhou as manchetes, a Impossible Foods fechou US$ 300 milhões com investidores que incluem Katy Perry e Serena Williams. 

O Impossible Burger recebeu tratamento real em agosto de 2019, após uma parceria com o Burger King. O Impossible Whopper foi lançado para 7 mil lojas e os clientes afirmaram que “não conseguem perceber a diferença” entre a versão vegetal e a de carne animal.

No Brasil, várias marcas começaram a produzir hambúrgueres vegetais e atender a um público em pleno crescimento. O produto já pode ser facilmente encontrado nos supermercados, onde divide espaço com as tradicionais versões à base de carne animal.

A evolução da carne de plantas continua

Logo depois das opções de hambúrguer vegetal, foi a vez da carne moída de plantas fazer sucesso. Os ingredientes se assemelham aos do hambúrguer, trazendo um blend de vegetais, como o grão-de-bico, ervilha, soja e beterraba.

Em seguida, a aplicação de tecnologias na produção desses alimentos trouxe ao mercado opções variadas, que em muito se assemelham às versões animais. Por exemplo, o Bacon produzido a partir dos micélios de cogumelos. A construção dessa peça possibilita replicar a consistência e textura da carne. Desse modo, atrai mais consumidores que não querem perder as sensações que o bacon traz. 

E para complementar, tem também os aperitivos, como bolinho de bacalhau/ camarão e empanados de frango, tudo vegetal. 

O auge da carne de plantas

Hoje, pode se dizer que a evolução da carne de plantas atingiu seu auge, ou está bem próxima disso. Há no mercado diversas opções de carnes à base de plantas. Contudo, não se limitam apenas a hambúrguer, e conseguem fisgar a atenção de consumidores além daqueles adeptos à alimentação vegetariana. 

A última novidade é a carne 3D. Excelente exemplo dessa evolução, mas principalmente, da tecnologia empregada na criação de alternativas à carne. Para os bifes gerados com uma impressora 3D, os ingredientes continuam sendo vegetais. No entanto, conseguem reproduzir a carne animal em aparência, textura, quantidade de gorduras, proteínas e outros nutrientes.

Enfim, a evolução da carne de plantas percorreu um longo caminho até chegar ao patamar da atualidade. E se as tendências se comprovarem, nos próximos anos veremos o mercado plant based se consolidar como algo jamais visto.  

Leia mais sobre o mercado de carnes de plantas aqui.



por Nadia Ferreira Gonçalves em 15 de julho