As eleições gerais devem ocorrer no Brasil em outubro de 2022 para eleger: o Presidente, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, os Governadores e os Deputados estaduais. Com movimentações acontecendo nos partidos e campanhas eleitorais próximas, o tema consumo consciente pode crescer entre as pautas abordadas pelos futuros candidatos.

Não é novidade que temos observado o aumento no interesse pela origem dos produtos que são consumidos pela população, seu grau de sustentabilidade e qual o impacto positivo ou negativo que esse produto tem sobre o planeta. Nessa mesma linha, a pauta plant-based ampliou o leque de possibilidades ofertadas aos consumidores, seja na alimentação, vestuário ou como um novo modelo de investimento.

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No mundo corporativo também não é diferente, o conjunto de responsabilidades social e ambiental é denominado de ESG, sigla em inglês que significa environmental social and governance. Ou seja, visa definir métricas que auxiliam as empresas a mensurarem, entre outras coisas, seu impacto ambiental de forma transparente para construir um mundo melhor e mais conectado com as demandas da sociedade.

Redes Sociais

Segundo a “A Estratégia”, consultoria especializada em Social Listening e Data Driven Decision, as redes sociais fornecem  meios e o poder para que gerações possam compartilhar suas opiniões, influenciar pessoas/instituições, e questionar o status quo estabelecido pelas gerações anteriores.

Em artigo publicado em seu site sobre Geração Z: uma nova relação com consumo, a consultoria fez uma análise sobre o curta-metragem lançado em mais de 20 países, no dia  6 de abril de 2021, pela Humane Society International (HSI) denominado “Salve o Ralph”. A animação apresenta a rotina de um coelho que trabalha como cobaia em um laboratório de testes de cosméticos.

A plataforma de social listening da A Estratégia analisou o debate no Brasil em torno dos tópicos “Salve o Ralph” e “cosméticos veganos” entre abril e  julho de 2021 no Twitter, Instagram, YouTube, Facebook e na Web, ao final constatou que houve 5.900 menções únicas, com alcance potencial, dado pelo engajamento, de mais de 35 milhões de pessoas. Já o tópico “cosméticos veganos” somou 7.500 menções únicas, com alcance potencial, dado pelo engajamento de mais de 14 milhões de pessoas.

Outro fator crescente são os aplicativos que visam esclarecer o produto adquirido, como é o caso do app “Do Pasto ao Prato”. A iniciativa da Trase.Earth está em fase piloto no Brasil e seu objetivo é melhorar a transparência das cadeias alimentares.

Nesse sentido, o comportamento nas redes sociais cresce na medida que forma nova opinião pública, a qual pautará também os futuros candidatos nas eleições de 2022.

Candidatos às Eleições 2022 e o Crescimento da Pauta do Consumo Consciente

Como parte da nossa sociedade, a pauta do consumo consciente também marca presença na política. Pesquisa recente do PoderData, a pedido do Instituto Clima e Sociedade, demonstra que a proteção da Amazônia deve ser prioridade de candidatos à presidência em 2022.

Ao analisar as cinco regiões do país, a pesquisa questionou se a proteção da Amazônia deveria ser prioridade, e, os resultados apontaram que 80% foi a média país no qual o tema deve estar na agenda no próximo ano.

Em outras palavras, as responsabilidades ambientais são cruciais para a geração Z, pois a pesquisa apontou 90% de participação dos jovens de 16-24 anos. Nas regiões Norte e Sudeste dos país, a pesquisa aponta que uma agenda específica para a proteção da Amazônia aumentaria em 58% as chances de votar nesse candidato. Isso é um reflexo que compactua com a Geração Z  que hoje representa 30% da população mundial, com poder de voto, e que em 2025 pode chegar a 27% da força de trabalho. 

Quem acompanha o histórico das eleições no Brasil tem percebido que desde de 2014 temos um crescimento de candidatos adeptos ao consumo consciente ou que o incentivam. Esse movimento pode ser observado nas cartas-compromisso da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) que nas últimas eleições vem convidando todos os candidatos aos cargos de – presidente, governador, deputado estadual, deputado federal e senador – a demonstrar seu comprometimento com a causa vegetariana. 

Segundo dados da SVB, nas eleições de 2014 foram 28 candidatos, no total, representando 8 estados e 15 partidos diferentes comprometidos com a agenda, sendo 4 eleitos: Roberto Tripoli (Deputado Estadual PV/SP), Feliciano Filho (Deputado Estadual PEN/SP), Carlos Giannazi (Deputado Estadual PSOL/SP) e Daniel Coelho (Deputado Federal PSDB/PE). Nas eleições de 2018 esse número saltou para 77 candidatos comprometidos com a agenda vegetariana e representando 10 estados e diversos partidos.* 

Nas eleições municipais também não foi diferente, em 2016 foram 68 candidatos signatários da carta-compromisso, sendo 17 vereadores e 1 prefeito eleito. Já nas eleições municipais de 2020, no total, foram 70 candidatos que aderiram à carta, sendo 10 vereadores e 1 prefeito eleito.

Por vezes, cada eleição é uma história porque o país muda muito em quatro anos, da mesma maneira que as candidaturas e a opinião pública.

Sabemos que muita coisa ocorrerá até agosto de 2022, começo oficial da campanha eleitoral no Brasil, mas uma coisa é certa, o aumento no interesse pela origem dos produtos que são consumidos pela população, seu grau de sustentabilidade, e qual o impacto positivo ou negativo que esse produto  tem sobre o planeta está crescendo, da mesma forma que as pautas plant based e de sustentabilidade. Assim, ambos influenciarão cada vez mais a construção de novas políticas públicas e a escolha dos candidatos políticos que irão escrevê-la.

Viu só como as Eleições 2022 e o consumo consciente estão relacionados?

* Não encontramos a lista dos candidatos eleitos em 2018 que assinaram a carta-compromisso.

Imagem de capa: Pexels

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por Juliana Simões Cunha em 8 de setembro