Pesquisadores da Connectomix Bio estão investigando um método para transformar resíduos agrícolas em gordura para uso em alternativas à carne.

O método envolverá transformar partes descartadas de colheitas, como cascas de milho, em gás. Esse gás então deve usado para alimentar os micróbios, que produzirão lipídios por meio da fermentação. Os ácidos graxos resultantes, adicionados a carnes cultivadas e à base de plantas, melhoram seu sabor e textura.

Os pesquisadores adaptarão os lipídios para aplicações específicas, como alternativas de frango, carne bovina ou suína. Eles também investigarão diferentes processos – por exemplo, o biogás inicialmente produzido pode ser convertido em outro tipo de gás ou líquido para tornar o método mais econômico.

Financiado pela GFI, o projeto será executado por uma equipe baseada em Luxemburgo em colaboração com instituições nos EUA, Reino Unido, Itália, Israel, Dinamarca e Canadá. A VNG, um grupo de empresas do setor europeu de gás, também estará envolvida.

Resíduos agrícolas

Nos últimos anos, tem havido uma crescente conscientização sobre a importância da gordura em permitir alternativas à carne para competir com o sabor e a textura da carne animal. Várias empresas estão agora trabalhando nessa área, incluindo a Hoxton Farms do Reino Unido, a Nourish Ingredientes da Austrália e a Melt&Marble da Suécia.

A GFI Europe disse que o novo projeto seria valioso porque colocaria informações sobre alternativas sustentáveis de gordura em domínio público. Dessa maneira, a Connectomix Bio concordou, enfatizando as vantagens ambientais.

De acordo com o diretor-gerente Dorian Leger: “Estamos desenvolvendo uma tecnologia que existe há milênios – a fabricação de cerveja –, mas a grande diferença é que, em vez de dedicar terras para cultivo especificamente para esse processo, estamos usando fontes renováveis”.

“Isso pode ter enormes vantagens ambientais. Se você deixar resíduos agrícolas no campo, eles criarão metano, que tem um potencial de aquecimento global maior do que o CO2. O que estamos fazendo é capturar esse gás e transformá-lo em um ativo”, acrescentou a gerente de projetos científicos Milena Ivanisevic.

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Imagem ilustrativa de capa: Divulgação Melt&Marble

Por Ana Cristina Gomes em 3 de fevereiro
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