A Believer Meats acaba de se tornar a quinta empresa de carne cultivada a conquistar a aprovação regulatória nos Estados Unidos. A startup israelense recebeu uma carta oficial da FDA (Food and Drug Administration) afirmando não ter objeções à segurança do produto — um importante passo rumo à comercialização.

Além disso, a empresa concluiu a construção da maior fábrica de carne cultivada do mundo, localizada na Carolina do Norte. É também a primeira companhia de fora dos EUA a obter essa validação da agência norte-americana.

Embora a FDA ainda não tenha publicado os documentos técnicos da aprovação, a confirmação veio diretamente do CEO da Believer Meats, Gustavo Burger. Em publicação no LinkedIn, ele classificou o momento como transformador — tanto para a empresa quanto para o setor como um todo. “Não é apenas progresso. É um salto ousado em direção ao nosso propósito: liderar a inovação alimentar com responsabilidade ambiental”, declarou.

Curiosamente, o anúncio coincidiu com a aprovação da Mission Barns — outra empresa do setor — que recebeu o aval do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) para produzir e rotular gordura de porco cultivada.

Tecnologia para escalar e reduzir custos

Fundada em 2018 com o nome de Future Meat Technologies, a Believer Meats nasceu a partir da visão do professor Yaakov Nahmias, especialista em engenharia biomédica da Universidade Hebraica de Jerusalém. Desde então, a startup vem apostando em soluções próprias para tornar a carne cultivada mais acessível e sustentável.

Utilizando sistemas de perfusão por centrífuga e um processo de renovação contínua do meio de cultura celular, a empresa conseguiu reduzir significativamente o desperdício de recursos como água e nutrientes. Isso permitiu eliminar subprodutos e reutilizar materiais, diminuindo custos de produção.

Outro avanço importante foi a adoção da filtração tangencial (TFF), técnica eficaz na separação e purificação de biomoléculas, aplicada com sucesso à produção contínua de carne cultivada. Somado a isso, a empresa desenvolveu um meio de cultura 100% livre de insumos animais, com custo de apenas US$ 0,63 por litro.

Inspirada na linha de montagem automatizada de Henry Ford, a Believer Meats implementou um novo método de montagem de biorreatores capaz de multiplicar células em larga escala: 130 bilhões por litro, com rendimento de 43% em peso por volume. A cultura das células de frango foi mantida de forma contínua por mais de 20 dias, com colheitas diárias da biomassa. O resultado? Um custo projetado de US$ 6,20 por libra de frango cultivado — valor competitivo com o frango orgânico tradicional nos EUA.

A aprovação da FDA representa apenas a primeira etapa. A empresa ainda precisa obter a liberação final do USDA para a planta industrial e a rotulagem do produto antes de iniciar as vendas.

“Nosso foco agora é transformar potencial em realidade, com produtos que contribuam para um sistema alimentar mais resiliente e sustentável”, reforçou Burger.

Fábrica de US$ 123 milhões pronta para operar

Anunciada no fim de 2022, a nova unidade da Believer Meats possui 200 mil pés quadrados (cerca de 18,5 mil m²), localizada no condado de Wilson, na Carolina do Norte. O espaço inclui um centro de inovação e uma cozinha de degustação, com capacidade para produzir até 12 mil toneladas de frango cultivado por ano.

A empresa já iniciou o comissionamento da planta e trabalha em conjunto com o USDA nos últimos detalhes para obter a licença de inspeção.

Outro destaque é a parceria com a alemã GEA, referência em engenharia industrial. Juntas, as empresas estão desenvolvendo tecnologias para reduzir os custos e a pegada ambiental da produção de carne cultivada, com foco em inovação nos biorreatores, sistemas de perfusão e economia circular — incluindo o reaproveitamento de fluxos residuais, uso eficiente de energia e consumo otimizado de água.

“Com a fábrica pronta, o processo regulatório avançando e um caminho claro para o mercado, estamos mais perto do que nunca de levar a carne cultivada à escala industrial e reforçar a segurança alimentar global”, declarou a Believer Meats.

2025 marca avanço nas aprovações regulatórias

Além da Believer Meats, outras quatro startups já conquistaram aprovações da FDA para carnes cultivadas nos EUA: Good Meat e Upside Foods (ambas com frango), Mission Barns (gordura suína) e Wildtype (salmão).

No cenário internacional, a Good Meat e a Vow já têm permissão para comercializar em Singapura, Austrália e Nova Zelândia. A Aleph Farms foi aprovada em Israel, enquanto a britânica Meatly lançou uma carne cultivada específica para alimentação animal. União Europeia, Suíça, Tailândia, Coreia do Sul e o Reino Unido (que criou uma estrutura regulatória específica para o setor) também estão avaliando pedidos de aprovação.

A aprovação da Believer Meats é a quarta somente neste ano, e chega em um momento estratégico para um setor que, além das dificuldades de financiamento, tem enfrentado pressões políticas nos EUA por meio de propostas de proibição em estados conservadores. Ao que tudo indica, outras decisões regulatórias devem ser anunciadas em breve, sinalizando uma nova fase de consolidação para a carne cultivada.

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