A Umami Bioworks, uma das empresas pioneiras no desenvolvimento de frutos do mar cultivados e ingredientes marinhos por agricultura celular, está reforçando sua presença no Japão com um novo acordo estratégico de distribuição.

A startup sediada em Singapura firmou um Memorando de Entendimento com a Nippon Barrier Free, companhia japonesa especializada na comercialização de materiais funcionais derivados do salmão. A parceria tem como foco levar ao mercado japonês — e a outros países — ingredientes marinhos cultivados voltados aos segmentos de cosméticos e suplementos.

O movimento acontece poucos meses depois de a Umami Bioworks anunciar uma colaboração com a IntegriCulture, referência em agricultura celular no Japão, para o desenvolvimento de cosméticos inovadores a partir de células de peixes. Na mesma ocasião, a empresa também revelou planos de instalar, até 2027, uma fábrica de frutos do mar cultivados em Tóquio.

Distribuição em 19 países

A Nippon Barrier Free atua com o aproveitamento integral do salmão para a criação de ingredientes funcionais. Com o novo acordo, a empresa passa a ser responsável pela venda e distribuição dos ingredientes da Umami Bioworks não apenas no Japão, mas também em outros 18 países.

“Queremos, juntos, criar uma nova categoria de ingredientes marinhos sustentáveis, ampliando as fronteiras da inovação inspirada nos oceanos, em benefício das pessoas e do planeta”, afirmou a Umami Bioworks em comunicado oficial.

A startup fornecerá ingredientes marinhos desenvolvidos a partir de células para aplicações em saúde, beleza e bem-estar. Embora tenha nascido com foco em frutos do mar cultivados, a empresa ampliou sua atuação em 2025 ao entrar no setor de cosméticos com o lançamento da linha Marine Radiance, composta por bioativos produzidos por cultivo celular.

Pensada para produtos de cuidados pessoais e nutracêuticos, a linha busca solucionar desafios recorrentes da cadeia de ingredientes marinhos, como instabilidade de fornecimento, questões éticas e variação de qualidade. A proposta é oferecer insumos prontos para o mercado, com produção consistente, escalável e totalmente rastreável.

O primeiro ingrediente lançado foi o PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) livre de origem animal. Tradicionalmente extraído do esperma de salmão, o composto é conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e regenerativas, além de estimular a produção de colágeno e reduzir a hiperpigmentação. Seu uso vem crescendo em skincare, cicatrização de feridas e medicina regenerativa.

Em entrevista ao Green Queen, o fundador e CEO da Umami Bioworks, Mihir Pershad, explicou que a entrada no mercado de cosméticos aconteceu de forma natural. “Percebemos que nossas células geravam coprodutos com forte atividade cosmética, como ação antioxidante e antienvelhecimento. Ao conversar com marcas e fornecedores de ingredientes, ficamos surpresos com a rapidez com que demonstraram interesse em receber amostras e entender nossa capacidade de produção”, contou. Segundo ele, essa demanda clara mostrou que os ingredientes cosméticos cultivados atendem a uma necessidade real do mercado.

Japão no centro da estratégia

A linha Marine Radiance é sustentada pela plataforma proprietária de inteligência artificial da empresa, a Alkemyst. A tecnologia combina aprendizado de máquina, biologia computacional e o conceito de “gêmeos digitais” para acelerar e refinar a pesquisa e o desenvolvimento de espécies marinhas cultivadas. A plataforma analisa grandes volumes de dados, identifica padrões e otimiza etapas como seleção celular, formulação de meios de cultivo e controle de processos, reduzindo custos, tempo e a necessidade de testes em escala.

A parceria com a IntegriCulture integra a Alkemyst ao ingrediente Cellament, um soro cultivado a partir de células que atua na revitalização da pele em nível celular. Produzido a partir do cultivo seletivo de células de ovos — como âmnio e saco vitelino —, o ingrediente potencializa os nutrientes naturalmente presentes nos ovos. Juntas, as empresas pretendem desenvolver cosméticos considerados “fundamentalmente diferentes” dos produtos convencionais, incluindo, no futuro, soluções baseadas em células de peixes.

Esse avanço acontece em um momento de forte crescimento do mercado japonês de clean beauty, que deve crescer cerca de 16% ao ano e ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão até 2030. Na região Ásia-Pacífico, o segmento de beleza cruelty-free é o que mais cresce, impulsionado por consumidores cada vez mais atentos aos impactos ambientais e sociais de suas escolhas.

Em novembro, a Umami Bioworks também ampliou seu portfólio com o lançamento de uma linha de suplementos marinhos cultivados, voltados a pessoas que não consomem frutos do mar e podem apresentar deficiências nutricionais. Segundo a empresa, os produtos estão em estágio avançado de comercialização com parceiros internacionais, com previsão de chegada ao mercado ainda este ano.

Paralelamente, a startup segue avançando em sua plataforma de frutos do mar cultivados. Recentemente, anunciou planos para investir US$ 10 milhões na construção de uma unidade produtiva no Japão até 2027, com capacidade inicial entre 10 e 50 kg por mês. Caso a demanda justifique, a empresa pretende escalar para uma planta maior, capaz de produzir entre 1.000 e 2.000 kg mensais.

A Umami Bioworks também abrirá, ainda este ano, uma instalação no Japão dedicada à otimização do cultivo celular por meio de inteligência artificial. Além disso, mantém uma colaboração com a gigante japonesa de pescados Maruha Nichiro para o desenvolvimento conjunto de novos produtos.

Embora o Japão ainda não conte com um marco regulatório específico para alimentos inovadores, o governo vem trabalhando na criação dessas normas desde o final de 2024. A Umami Bioworks, que já obteve autorização para vender peixe branco cultivado para ração pet na União Europeia, aguarda aprovação para consumo humano em mercados como Reino Unido, Estados Unidos e Singapura, onde planeja lançar seus produtos no segundo trimestre.

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