A Beyond Meat divulgou novos dados sobre o impacto climático da versão mais recente de seu hambúrguer vegetal e reforçou, mais uma vez, a vantagem ambiental do produto em relação à carne bovina convencional.
No início de 2024, a empresa californiana apresentou a plataforma Beyond IV, que trouxe mudanças importantes na formulação de seus hambúrgueres e carne moída plant-based. Os óleos de canola e coco foram substituídos por óleo de abacate, enquanto a receita passou a incorporar fava e lentilha vermelha. As alterações tiveram como objetivo aprimorar sabor e perfil nutricional, mas também acabaram influenciando a pegada ambiental dos produtos.
A Beyond Meat já havia publicado estudos de Análise de Ciclo de Vida (ACV) das primeiras versões do Beyond Burger, incluindo a terceira geração lançada em 2023. O novo levantamento, focado no Beyond Burger IV, indica reduções semelhantes às anteriores quando comparado à carne bovina, especialmente em emissões de gases de efeito estufa, uso de terra e consumo de água.
Beyond Burger x carne bovina: quem pesa mais para o planeta?
A análise considerou indicadores como aquecimento global, uso de energia não renovável, consumo de água e ocupação de terras. Os dados mostram que a etapa de fabricação do hambúrguer é a maior fonte individual de emissões do Beyond Burger, respondendo por 18,6% do total de gases de efeito estufa.
Ainda assim, quando observada de forma agregada, a produção dos ingredientes é o principal fator de impacto ambiental do produto. Essa etapa concentra 34,9% das emissões totais, 25% do uso de energia não renovável, 90% da ocupação de terras e 75% do consumo de água.
Entre os ingredientes, a proteína de ervilha se destaca como a maior responsável por impactos ambientais, representando 8,3% das emissões, 55% do uso de terra e 8% do consumo de energia não renovável. Já o óleo de abacate lidera no consumo de água, respondendo por 53% do total, além de contribuir com 7,7% das emissões, 12% do uso de terra e 3,9% da energia fóssil utilizada.
O transporte também tem um peso relevante na pegada climática do produto. O transporte refrigerado — tanto de insumos intermediários quanto da distribuição final — responde por 20,6% do impacto no aquecimento global e por 23% do uso de energia não renovável.
As embalagens completam o quadro de impactos significativos, sendo responsáveis por 16,9% das emissões de gases de efeito estufa, 12% do consumo de energia fóssil (principalmente na fabricação das bandejas e tampas plásticas), 7% do uso de terra e 4% do consumo de água.
Quando comparado a um hambúrguer bovino de 113 gramas (80/20) produzido nos Estados Unidos, o Beyond Burger IV apresenta resultados expressivos: 88% menos emissões de gases de efeito estufa, 28% menos uso de energia não renovável, 92% menos consumo de água e 97% menos uso de terra. Mesmo ao incluir as emissões associadas à mudança de uso da terra na cadeia de suprimentos, o produto vegetal ainda gera 86% menos gases de efeito estufa do que a carne convencional.
Transparência climática em um ano desafiador
O estudo de ACV faz parte do Relatório de Responsabilidade Corporativa 2024 da Beyond Meat, que aborda temas como impactos climáticos, embalagens, saúde e nutrição, gestão da cadeia de suprimentos, pessoas e governança responsável. O documento também traz um inventário corporativo de emissões de gases de efeito estufa e um detalhamento dos materiais de embalagem utilizados nos Estados Unidos, com base no peso.
De acordo com o relatório, a empresa reduziu suas emissões de escopo 1 em 11% e de escopo 2 em 12% em 2024, na comparação com o ano anterior. O maior avanço, porém, veio das emissões de escopo 3 — aquelas associadas à cadeia de valor — que recuaram 31% no período.
Além da publicação do relatório, a Beyond Meat informou que realizou, em novembro, sua primeira submissão ao CDP (antigo Carbon Disclosure Project), considerado o maior banco de dados global de divulgação ambiental.
Essas iniciativas encerram um dos anos mais turbulentos da história da empresa. A Beyond Meat enfrentou uma desaceleração contínua nas vendas, em meio a um movimento mais amplo de esfriamento do mercado de carnes vegetais nos Estados Unidos. No terceiro trimestre, a receita caiu 13%, levando a companhia a revisar para baixo suas projeções para o ano.
O desempenho das ações também refletiu esse cenário. O papel iniciou o ano cotado a US$ 3,85 e chegou ao menor valor histórico, US$ 0,52, em outubro, impactado por uma reestruturação de dívidas, movimentos especulativos no mercado e rumores de falência — que ganharam tamanha proporção que a empresa precisou se posicionar publicamente para negá-los.
Como resposta, a Beyond Meat tem ampliado e diversificado seu portfólio. A empresa lançou um bife de corte inteiro feito a partir de micélio e, ao mesmo tempo, iniciou um reposicionamento de marca, reduzindo o uso do termo “Meat” para dar espaço a produtos mais próximos de alimentos integrais. O primeiro exemplo dessa estratégia é o Beyond Ground à base de fava, formulado com apenas quatro ingredientes.
Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, o fundador e CEO Ethan Brown comentou o momento da companhia: apesar dos desafios enfrentados pela categoria e da pressão sobre os resultados de curto prazo, a Beyond Meat encerra o ano com uma estrutura financeira mais sólida, mudanças estratégicas em andamento e um sentimento renovado de confiança e entusiasmo em relação ao futuro.
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