Um ano depois de anunciar que já conseguia produzir carne cultivada com custo equivalente ao do frango convencional, a SuperMeat acaba de dar um passo importante rumo à chegada de seu produto ao mercado.
A startup sediada em Tel Aviv captou US$ 3,5 milhões em um novo aporte, que será direcionado à comercialização de seu frango cultivado premium na Europa.
A rodada foi liderada pela Agronomics, investidora de longa data da empresa, que colocou US$ 2 milhões na operação (combinando recursos em caixa e novas ações). O fundo Milk and Honey Ventures, também já acionista, acompanhou o investimento. Com isso, o total captado pela SuperMeat chega a US$ 18,5 milhões.
Esse aporte faz parte de um esforço maior da empresa para levantar US$ 4,5 milhões por meio de um SAFE (Simple Agreement for Future Equity), que permitirá aos investidores converterem os recursos em participação acionária numa próxima rodada qualificada, com desconto de 70% e avaliação máxima de US$ 35 milhões pós-investimento.
“Estamos muito satisfeitos em ampliar nosso investimento na SuperMeat e em sua equipe”, afirmou Jim Mellon, presidente executivo da Agronomics. “O avanço rumo à produção industrial de carne cultivada representa não apenas uma oportunidade financeira promissora, mas um movimento estratégico para um futuro alimentar mais limpo, resiliente e tecnologicamente avançado.”
Como a SuperMeat produz frango 100% cultivado com custo competitivo
Fundada há dez anos por Ido Savir, Shir Friedman e Koby Barak, a SuperMeat é uma das pioneiras globais em carne cultivada.
Seu frango é produzido a partir de células de músculo e gordura de galinha, cultivadas em um processo contínuo. As células se desenvolvem dentro de um biorreator, onde recebem calor, oxigênio e nutrientes, amadurecendo em tecido animal da mesma forma que ocorreria no corpo de um frango. Quando atingem a densidade ideal, o material é colhido por meio da remoção do meio de cultivo restante.
O resultado é uma massa de frango moído pronta para uso culinário, colhida diariamente. A operação exige pouco espaço e recursos e entrega cerca de 1,3 kg de carne – o equivalente ao rendimento de um frango – em apenas dois dias, em contraste com os 42 dias necessários na criação convencional.
A empresa desenvolveu uma linha celular robusta e autorrenovável, capaz de atingir densidades de 80 milhões de células por mililitro em nove dias. Além disso, criou um sistema de alta eficiência que substitui ingredientes de origem animal, como soro e albumina, por alternativas mais acessíveis, reduzindo o custo do meio de cultivo para menos de US$ 0,50 por litro.
No ano passado, a SuperMeat revelou avanços importantes que reduziram significativamente os custos de produção. Graças à estabilidade da linha celular, a uma formulação totalmente livre de insumos animais e a protocolos rápidos de diferenciação, a empresa alcançou US$ 11,8 por libra (cerca de US$ 26 por quilo) em uma escala de 25 mil litros – valor comparável ao do frango premium vendido nos EUA.
E um ponto essencial: esses números se referem a um produto 100% cultivado, composto por 85% músculo e 15% gordura, sem recorrer ao modelo híbrido que mistura células cultivadas com uma base majoritariamente vegetal.
Foco na Europa e parcerias estratégicas
“Com a demanda global por proteína em alta, é fundamental atender esse consumo de forma sustentável, reduzindo o impacto ambiental e os riscos à saúde associados à agropecuária intensiva”, afirmou Mellon. “Empresas como a SuperMeat e seus parceiros estão construindo a base científica, tecnológica e comercial necessária para uma transformação real.”
Um estudo de Análise do Ciclo de Vida conduzido pela CE Delft no ano passado estimou que o frango cultivado da SuperMeat gera cerca de 50% menos emissões de carbono do que o frango convencional.
Hoje, a empresa opera uma unidade capaz de produzir algumas centenas de libras de frango cultivado por semana. Em escala industrial, a previsão é chegar a 6,7 milhões de libras (aproximadamente 3 milhões de kg) por ano, o equivalente a cerca de 2,7 milhões de frangos, ocupando 80% menos área.
Embora a empresa esteja em diálogo com reguladores nos EUA, Europa e Ásia, o novo aporte aponta para uma priorização mais intensa do mercado europeu.
A SuperMeat é membro fundador da Cellular Agriculture Europe e firmou parceria com o gigante alemão de proteína animal PHW Group para lançar seu frango cultivado na União Europeia. Também fechou acordo com a varejista suíça Migros para produzir e distribuir o produto na Suíça. E, no início deste ano, anunciou uma colaboração com a empresa de biotecnologia Stämm, mirando o lançamento comercial até 2026.
“Avançamos de maneira significativa em nossa plataforma de produção no último ano, tornando viável pela primeira vez a fabricação comercial de frango cultivado”, afirmou Savir, CEO da SuperMeat. “Agora, nosso foco é transformar esses resultados em produtos no mercado. Esse investimento fortalece nossa trajetória e nos aproxima do lançamento, ao lado de parceiros que compreendem o potencial desse novo segmento de proteína.”
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