A Plantible Foods acaba de colocar em operação sua primeira planta industrial de grande porte para produção de proteína de lentilha-d’água, no Texas (EUA). Localizada em Eldorado e batizada de The Ranchito, a instalação ocupa 100 acres e tem capacidade para produzir milhares de toneladas de biomassa por ano — o que se traduz em centenas de toneladas da Rubi Protein, ingrediente desenvolvido pela startup.

A Rubi Protein é a versão própria da empresa para a rubisco, proteína presente na lentilha-d’água e considerada a mais abundante do planeta. Segundo a Plantible, substituir proteínas animais e ingredientes sintéticos pelo seu produto pode evitar a emissão de até 8 mil toneladas de CO₂e por ano.

“Este é um momento marcante para a Plantible, nossos parceiros e a comunidade de Eldorado. Estamos mostrando que é possível criar soluções alimentares sustentáveis, economicamente viáveis e capazes de gerar oportunidades reais no interior dos EUA”, afirmou o CEO e cofundador Tony Martens.

Lentilha-d’água: potencial ambiental e nutricional

Também conhecida como lemna ou water lentils, a lentilha-d’água é uma planta aquática que cresce naturalmente em águas doces, formando uma fina camada verde na superfície. É consumida há séculos no Sudeste Asiático e ganhou atenção global na última década, graças ao seu alto valor nutricional e baixo impacto ambiental.

O cultivo não ocupa áreas agrícolas nem causa desmatamento, oferece mais micronutrientes que muitos vegetais, tem digestibilidade máxima de proteína (índice 1.0) e é a planta de crescimento mais rápido do mundo, dobrando de tamanho em apenas dois a três dias.

Na Plantible, a produção ocorre em aquafarms controladas, com reciclagem contínua da água — o que garante uma pegada hídrica 10 vezes menor que a da soja. Após a colheita, as plantas passam por moagem, filtragem e secagem, até que a proteína pura seja extraída das folhas. O resultado é um pó branco, sem odor, com 85% de proteína e todos os nove aminoácidos essenciais, livre de 20 alérgenos e com funcionalidades importantes para a indústria alimentícia, como emulsificação, geleificação e ligação de gorduras.

A empresa já desenvolveu dois blends funcionais:

Rubi Whisk: confere estrutura, retenção de umidade e de óleo para confeitaria sem ovos e sem glúten (como tortas, macarons e cookies).

Rubi Prime: substitui o metilcelulose, atuando como emulsificante e agente de ligação em carnes vegetais servidas quentes ou frias.

A nova planta conta com estufas, sistema de filtragem de última geração e uma cepa de lentilha-d’água de alto rendimento, que reduziu significativamente o custo de produção e aumentou a eficiência, aproximando a operação da lucratividade.

Expansão e próximos passos

A Plantible já fornece sua proteína para empresas parceiras, como a ICL Food Specialties, com quem desenvolveu uma solução de ligação para carnes e frutos do mar plant-based. Também está testando novas cepas da planta — existem mais de 1.000 variedades — para ampliar ainda mais a produtividade, a escalabilidade e a competitividade do ingrediente.

Após captar US$ 30 milhões em rodada Série B no ano passado (totalizando US$ 57 milhões captados desde a fundação, em 2016), a startup agora busca novos investimentos para triplicar a capacidade produtiva e atender à demanda crescente.

Enquanto isso, segue expandindo o complexo de Eldorado, contratando mão de obra local e fortalecendo sua presença no mercado global de proteínas alternativas — segmento que já conta com outros players como Sustainable Planet (Reino Unido), GreenOnyx (Israel), MicroTerra (México), DryGro (Quênia), Ful Foods (Paquistão), Rubisco Foods e Rinus & Hans (Holanda) e Fyto (EUA).

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