A Rebellyous Foods acaba de dar um passo importante para tornar as proteínas vegetais mais acessíveis. Enquanto grande parte das empresas do setor de proteínas alternativas ainda enfrenta desafios para escalar a produção, reduzir custos e captar recursos, a foodtech norte-americana segue na contramão desse cenário.
Com sede em Seattle, nos Estados Unidos, a empresa lançou o Mock 3 Production System, uma tecnologia própria que transforma a fabricação de carnes vegetais em um processo contínuo, automatizado e viável em escala industrial. Na prática, o sistema permite atingir volumes semelhantes aos da produção convencional de frango, ao mesmo tempo em que reduz de forma significativa os custos de seus produtos plant-based.
Esse avanço chega após um ano especialmente positivo para a Rebellyous Foods. As vendas cresceram 30% em relação ao ano anterior, mantendo margens saudáveis, e em novembro a empresa anunciou a captação de US$ 3,5 milhões para sustentar seus planos de expansão até 2026.
Rumo à paridade de preços com a carne convencional
Desenvolvido ao longo de vários anos e protegido por 14 patentes nos Estados Unidos e em outros países — além de seis pedidos ainda em análise —, o Mock 3 permite a produção contínua e sob demanda das bases de carne vegetal, utilizando apenas uma fração da mão de obra normalmente necessária nesse tipo de operação. O resultado são economias relevantes que se refletem diretamente no preço final ao consumidor.
O novo sistema tem capacidade para produzir mais de 2.200 quilos por hora de nuggets, hambúrgueres e tiras de “frango” vegetal. A inauguração da tecnologia também marca o retorno da empresa ao estado de Washington, depois de operar a versão anterior do sistema, o Mock 2, em uma unidade no Novo México.
Segundo Cruz Philippe, engenheiro mecânico responsável pelo desenvolvimento do projeto, alcançar paridade de custos não depende apenas de aumentar escala. “O desenvolvimento de tecnologias de manufatura direcionadas é essencial para viabilizar produtos de proteína alternativa com preços equivalentes aos da carne. Foi exatamente isso que conseguimos entregar com o Mock 3”, afirma. O sistema entrou em operação comercial no fim de dezembro e já passou por testes contínuos em múltiplos turnos, com ajustes de escala em tempo real conforme a demanda.
A Rebellyous Foods já vinha oferecendo produtos competitivos em preço, e a chegada do Mock 3 aprofunda ainda mais essa estratégia de redução de custos. O movimento é decisivo para ampliar a adoção de alimentos plant-based em um mercado onde as alternativas veganas ainda custam, em média, 82% mais do que as carnes convencionais. Não por acaso, o preço é hoje a principal barreira para o consumo de proteínas vegetais na América do Norte, segundo quase metade dos consumidores. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que 44% dos norte-americanos optariam por proteínas vegetais se elas fossem mais baratas do que a carne.
Impacto direto na alimentação escolar
Para a CEO da empresa, Christie Lagally Bradburn, fundadora da Rebellyous Foods em 2017 e ex-engenheira da Boeing, levar o Mock 3 ao estágio comercial foi um desafio tão grande quanto criar a tecnologia. “Ver essa solução funcionando no mundo real significa concretizar todo o investimento de tempo e recursos que fizemos para alcançar a paridade de custos na produção de carnes alternativas”, destaca.
Atualmente, os produtos da Rebellyous Foods estão presentes em 45 estados norte-americanos. Todos os seus sete SKUs são elegíveis para o Programa Nacional de Alimentação Escolar do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o que permite que escolas ofereçam opções de proteína acessíveis e sustentáveis aos estudantes.
Para Tina Meredith, diretora de negócios da empresa, esse é um dos maiores impactos do novo sistema. “Estamos, de fato, democratizando o acesso às alternativas à carne. Elas deixam de ser exclusivas de quem pode pagar por produtos premium. O Mock 3 torna possível alcançar paridade de preços justamente no mercado mais sensível a custos: o programa de alimentação escolar”, afirma.
Até meados de 2025, as proteínas vegetais da Rebellyous Foods já haviam chegado a mais de cinco milhões de estudantes em mais de 390 distritos escolares nos Estados Unidos. Para Lagally Bradburn, encerrar 2025 comprovando que a carne vegetal pode ser produzida de forma contínua, automatizada, em grandes volumes e com muito menos mão de obra do que os métodos tradicionais foi um marco histórico — não apenas para a empresa, mas para todo o setor plant-based.
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