A Bactolife, startup que vem se destacando ao criar uma nova categoria de ingredientes funcionais para a saúde intestinal à base de proteínas de ligação, acaba de concluir uma rodada Série B para avançar no mercado de bem-estar dos Estados Unidos.

O aporte de €30 milhões (cerca de US$ 35 milhões) foi liderado pelo fundo Cross Border Impact Ventures e pelo fundo estatal dinamarquês EIFO, com a participação de investidores já conhecidos da empresa, como Novo Holdings e Athos.

As chamadas binding proteins representam uma nova classe de ingredientes alimentares e suplementos, inspirada em fragmentos de IgG presentes nos anticorpos encontrados no leite de camelídeos — grupo de mamíferos que inclui camelos, alpacas e lhamas. A Bactolife utiliza fermentação de precisão para programar microrganismos capazes de produzir essas proteínas em escala. Estudos indicam que elas contribuem para o equilíbrio do intestino, tanto em humanos quanto em animais.

Os primeiros produtos da empresa com essas proteínas serão direcionados ao mercado de saúde humana nos EUA e devem chegar ao mercado ainda este ano, sob a marca de ingredientes Helm.

“Com a conclusão bem-sucedida da nossa Série B, abrimos caminho para uma nova fase de crescimento”, afirma Sebastian Søderberg, CEO da Bactolife. “Esse investimento nos permite avançar na validação clínica, ampliar a produção e levar nossas soluções a um público muito maior.”

Como as proteínas de ligação atuam na saúde intestinal

A história dessas proteínas começa nos anos 1990, quando pesquisadores observaram que os anticorpos dos camelídeos têm uma estrutura menor e mais simples, com alta capacidade de se ligar a alvos específicos. Décadas depois, novas pesquisas revelaram como essa característica pode ser aplicada à saúde intestinal.

Cada proteína de ligação atua de forma seletiva, conectando-se a metabólitos indesejáveis — toxinas que podem prejudicar o organismo — e permitindo que eles atravessem o trato gastrointestinal sem causar danos ao microbioma. Diferentemente dos antibióticos, essas proteínas não eliminam bactérias benéficas, não atravessam a barreira intestinal nem ativam o sistema imunológico. Sua ação é rápida, eficaz mesmo em doses baixas, e os efeitos podem ser percebidos pouco tempo após o consumo.

Versáteis, elas podem ser incorporadas a alimentos, suplementos, rações e outros produtos, com o objetivo de prevenir e reduzir infecções gastrointestinais em humanos e animais.

A produção é viabilizada por fermentação de precisão, processo no qual trechos específicos de DNA são inseridos em microrganismos para que passem a produzir as moléculas desejadas durante a fermentação. Essa abordagem garante fornecimento estável, escalável e com custos mais acessíveis.

“A Bactolife demonstra, de forma consistente, um forte compromisso com o desenvolvimento de uma plataforma biotecnológica inovadora voltada à saúde intestinal”, comenta Sophia Heyde, vice-presidente de investimentos em saúde planetária da Novo Holdings. “Estamos entusiasmados em ver essa rodada impulsionar a chegada dos primeiros produtos ao mercado, gerando benefícios reais para a saúde humana e animal.”

Países de baixa e média renda são prioridade estratégica

Nos últimos anos, a saúde intestinal ganhou destaque nas conversas sobre alimentação e bem-estar, impulsionada tanto pela popularização de medicamentos como Ozempic e Wegovy quanto por tendências nas redes sociais, como o aumento do consumo de fibras. Hoje, 37% dos norte-americanos apontam a saúde do intestino como uma de suas principais metas de bem-estar para 2026.

É nesse contexto que a Bactolife pretende expandir o uso de suas proteínas de ligação. Os novos recursos serão direcionados a estudos clínicos com humanos nos EUA, na Ásia e em países de baixa e média renda, além da ampliação da capacidade produtiva e da cadeia de suprimentos. O foco inclui aplicações em alimentos e bebidas funcionais, fórmulas infantis, suplementos alimentares e aditivos para ração.

Embora os Estados Unidos sejam o primeiro mercado-alvo, a empresa planeja avançar também na União Europeia e na Ásia. Outro pilar central da estratégia é tornar essas proteínas acessíveis a mulheres e crianças em regiões com maior vulnerabilidade social.

“As proteínas de ligação da Bactolife têm potencial para fortalecer a saúde intestinal de mães e crianças em países de baixa e média renda, oferecendo uma solução escalável, segura e que pode ser incorporada à alimentação diária”, afirma Donna Parr, sócia-diretora da Cross Border Impact Ventures.

Ao mesmo tempo, ela destaca o enorme potencial de crescimento na América do Norte, Europa e Ásia. “Esse investimento reflete nossa convicção de que tecnologias baseadas em evidências científicas podem alcançar mercados globais de alto crescimento e, ao mesmo tempo, beneficiar quem mais precisa. Estamos animados em apoiar a Bactolife na validação clínica, na expansão da produção e na democratização do acesso a essas soluções.”

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