Em um ano marcado por retração em parte do mercado plant-based, a italiana Dreamfarm seguiu na contramão. Especializada em queijos vegetais, a startup fechou 2025 com um desempenho expressivo, impulsionado principalmente por sua mozzarella de amêndoas com rótulo limpo, conservada em salmoura — um formato bastante familiar para quem consome queijo tradicional.

Com sede em Parma, a empresa mais do que dobrou sua receita em relação ao ano anterior, alcançando cerca de € 2 milhões em 2025. Embora o volume ainda seja modesto, o resultado ganha relevância em um país onde o queijo é parte central da cultura alimentar e onde alternativas veganas costumam dividir opiniões.

“Os consumidores reconhecem nosso cuidado com a qualidade, o uso de poucos ingredientes e, claro, o sabor”, afirma Giovanni Menozzi, cofundador e CEO da Dreamfarm. “Os varejistas também percebem isso, veem uma boa saída dos produtos nas prateleiras e se mostram abertos a ampliar a distribuição e incluir novos SKUs.”

A expectativa agora é repetir esse ritmo em 2026, com o lançamento de novidades e a ampliação da presença no varejo e no foodservice europeu. “Queremos continuar dobrando ano a ano, mesmo sabendo que, com o crescimento, esse desafio se torna cada vez maior”, diz Menozzi.

Crescimento sustentado por portfólio, expansão e marketing

A Dreamfarm desenvolve alternativas vegetais a queijos clássicos da culinária italiana, como mozzarella, ricota e stracciatella, utilizando amêndoas e castanhas-de-caju. Todos os produtos carregam Nutri-Score A e seguem a proposta de rótulo limpo. A empresa também oferece pastas tipo cream cheese, em versões natural e com alho e ervas.

Segundo a startup, o avanço em 2025 foi resultado de uma demanda consistente e de uma alta rotatividade dos produtos nos pontos de venda. Na Itália, a marca já está presente em redes como Esselunga, Coop e Conad, mas o foco estratégico tem se voltado cada vez mais para o mercado internacional.

Hoje, os queijos veganos da Dreamfarm podem ser encontrados em países como Holanda, Bélgica, Alemanha e França, em redes como Albert Heijn, Monoprix, Edeka e no supermercado online Picnic.

O ano também foi marcado por novidades no portfólio, como o lançamento das ciliegine vegetais — pequenas bolinhas de mozzarella — e por ações criativas de marketing. Uma delas chamou atenção nas ruas de Milão, onde atores caracterizados como turistas, usando máscaras de vaca e roupas de férias, encenaram uma “folga” para os animais.

Para sustentar a expansão internacional, a empresa ampliou sua equipe para 15 pessoas em 2025, fortalecendo áreas como inovação, operações e desenvolvimento de mercado. Outro reconhecimento importante veio de Miyoko Schinner, referência global em queijos plant-based, que descreveu os produtos da Dreamfarm como “opulentos, sedosos e deliciosos” em entrevista ao Green Queen.

Foodservice ganha espaço e conversas com investidores começam

“Atualmente, cerca de 90% da nossa receita ainda vem do varejo, que sempre foi nosso foco principal”, explica Menozzi. No entanto, ao longo de 2025, a Dreamfarm começou a estruturar sua atuação no foodservice, firmando parcerias com distribuidores especializados em atender restaurantes e cozinhas profissionais.

Esse canal deve ganhar protagonismo em 2026. “Queremos avançar especialmente na Itália, onde já estamos listados em grandes distribuidores como DAC e MARR”, afirma o CEO. Segundo ele, há um trabalho importante de educação junto aos representantes comerciais, para que consigam mostrar aos restaurantes e pizzarias o valor de incluir os produtos da marca em seus cardápios.

O bom momento da empresa acompanha uma tendência mais ampla no continente. Em 2024, as vendas de queijos veganos cresceram em quatro dos seis maiores mercados europeus, superando o desempenho de outras categorias plant-based, especialmente na Itália e na França.

De olho nesse cenário, a Dreamfarm não descarta ampliar sua atuação para além dos queijos vegetais. A empresa captou € 5 milhões em 2023 e, de acordo com Menozzi, não tem necessidade imediata de novos aportes em 2025. Ainda assim, as conversas já começaram.

“Estamos dialogando com possíveis investidores e parceiros pensando no longo prazo, porque será necessário expandir a capacidade da nossa fábrica para atender ao aumento da demanda e ao lançamento de novos produtos”, conclui.

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