Um novo documentário da Netflix aborda uma solução viável para as mudanças climáticas, por meio da agricultura regenerativa. A obra, intitulada Kiss the Ground, é uma seleção oficial do Festival de Cinema Tribeca 2020.

O filme aborda a ideia de que regenerar os solos da Terra poderia rapidamente estabilizar o clima, restaurar os ecossistemas locais e criar suprimentos alimentares abundantes.

A peça que faltava no quebra-cabeça climático

De fato, no início deste ano, o Fórum Econômico Mundial atingiu um marco sombrio: pela primeira vez na história de seu Relatório de Riscos Globais, os 5 principais problemas estavam todos relacionados a questões ambientais.

De eventos climáticos extremos à perda de biodiversidade, as questões climáticas e ecológicas se tornaram uma teia complexa. Soma-se a isso, uma série de fatores contribuintes ligados a uma mistura de desinformação, falta de educação, apatia total e drama geopolítico. Mas felizmente, onde há um problema de várias camadas, geralmente há uma solução de várias camadas, e uma que tem ganhado atenção recentemente é a agricultura regenerativa.

Kiss the Ground apresenta uma variedade de maneiras pelas quais os humanos podem apoiar a agricultura regenerativa e conta com um elenco de peso. Narrado por Woody Harrelson, o documentário destaca os ambientalistas e fazendeiros que lideram o movimento em todo o mundo. Ainda, conta com celebridades como Gisele Bündchen, Tom Brady e Patricia Arquette.

O documentário demorou sete anos para ser feito. Os diretores Josh e Rebecca Tickell passaram esse tempo rastreando a agricultura regenerativa e revelando a ciência por trás dela. Outrossim, o documento também oferece um amplo contexto histórico. Além disso, aborda como o solo do mundo se degradou a níveis tão drásticos, traçando as primeiras causas para a agricultura industrial e o uso generalizado de pesticidas após a Segunda Guerra Mundial.

A tese do filme propõe que, ao regenerar os solos, os humanos podem rapidamente estabilizar o clima da Terra, restaurar os ecossistemas e criar suprimentos alimentares abundantes.

A agricultura regenerativa e veganismo

O filme usa gráficos e visuais criativos, juntamente com imagens impressionantes da National Aeronautics and Space Administration – NASA e National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA.

A ideia é ilustrar como, ao reduzir o carbono atmosférico, muitos dos problemas climáticos e ambientais mais urgentes da humanidade podem ser resolvidos. Até recentemente, no entanto, as funções do solo e dos animais que pastavam eram peças que faltavam no quebra-cabeça do clima.

Segundo a organização que deu nome ao documentário, a agricultura regenerativa é um sistema de princípios e práticas agrícolas que aumenta a biodiversidade, enriquece os solos, melhora as bacias hidrográficas e melhora os serviços do ecossistema.

Ademais, seu objetivo é capturar carbono no solo e na biomassa acima do solo (plantas), revertendo as atuais tendências globais de acumulação atmosférica e mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, oferece maior produtividade, resiliência à instabilidade climática e maior saúde e vitalidade para as comunidades agrícolas e pecuárias.

Em uma entrevista à revista digital Elle Decor, quando questionado sobre o papel da dieta nesse contexto, o diretor do documentário, Hosh Tickell, afirmou:

“Uma dieta regenerativa é principalmente uma dieta vegana; reduz o consumo de carne para cerca de um terço do que consumimos hoje…”

Por fim, o que ficou subentendido no documentário foi o fato de ser plenamente possível que vacas, porcos e galinhas, assim como outros animais domesticados, contribuam para a regeneração do solo sem que os humanos os reproduzam, abatam e comam.

Kiss the Ground está disponível na Netflix Brasil desde 22 de setembro de 2020 com o título “Solo Fértil“.

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por Nadia Ferreira Gonçalves em 24 de setembro