Assim que vira o ano, nós brasileiros já começamos a pensar em que? Em carnaval! Claro que há exceções, mas muitos brasileiros são completamente apaixonados por essa época do ano. Alguns programam viagens, outros pensam no desfile da escola de samba do coração, outros já pensam nos trios elétricos, e alguns se empolgam com a ideia de irem à bloquinhos. Mas uma coisa poucos brasileiros pensam é: como fazer um carnaval sustentável?

Um dos grandes problemas do carnaval começa com a quantidade gigantesca de lixo produzido durante esse período. Com relação isso já fica a primeira dica:

Reduzindo a quantidade de lixo

Em 2015, o Rio de Janeiro chegou a acumular mais de mil toneladas de lixo durantes os dias festivos. Já no ano de 2018 tivemos uma pequena melhora, o mesmo estado registrou 486 toneladas de lixo. É muito lixo!

Em São Paulo a história foi inversa. Em 2017 já o estado já tinha acumulado 640 toneladas de lixo, e no ano de 2018 aumentou a quantidade para 957,9 toneladas de resíduos provenientes do carnaval de rua e do Anhembi.

Para ajudar a evitar essa quantidade gigantesca de lixo, você pode tomar pequenas atitudes que já fazem muita diferença.

Descarte o lixo no lugar certo e, caso não ache um local ideal por perto, guarde até que você encontre. Também evite o desperdício de comidas e bebidas. Se possível, evite o uso de copos. Leve copos, canecas e garrafas já de casa.

Escolha um glitter ecológico

Se tem uma paixão maior do que o carnaval é usar muito glitter no carnaval. Essa tendência ao mesmo tempo que deixa tudo mais bonito, causa um grande estrago no meio ambiente.

Na composição do glitter você encontra pedaços de plásticos copolímeros, folhas de alumínio, dióxidos de titânio, óxidos de ferro, oxicloretos de bismuto ou outros materiais pintados em metálico, cores neon e cores iridescentes para refletirem a luz em um espectro de espumantes. Nenhum desses componentes pode ser reciclado e o tempo de decomposição muito grande, cerca de 400 anos.

Fora que esse plástico vai direto para nossos oceanos. Um relatório mostrou que 83% das 159 amostras de água potável, dos cinco continentes, contêm vestígios de plástico.

Quais as melhores soluções para o glitter?

Ninguém quer deixar de usar glitter no carnaval, eu entendo. Por isso algumas marcas inovaram e trouxeram glitters sustentáveis.

Com nomes de “bioglitter”, “glíter orgânico” ou “eco glíter”, os glitters sustentáveis são feitos com produtos naturais que não causam nenhum tipo de impacto na natureza. Dentre os ingredientes você encontra sal, pó de rocha e até gelatina de algas em pó.

Veja algumas marcas que já vendem esses glitters:

Além disso, você pode fazer o seu próprio glitter em casa! No Youtube você encontra alguns tutoriais, como o Glitter de Sal caseiro.

Pense em alternativas sustentáveis

Um elemento também muito presente no carnaval é o confete. No Brasil é comum que esses enfeites sejam feitos de papel, porém algumas marcas tentam “inovar” criando confetes de celofane. Qual a consequência disso? Ao caírem no chão e ultrapassarem as estações de tratamento de esgoto, esse confete vira microplástico que vai direto para nossos oceanos.

Recentemente começou a circular nas redes sociais a proposta de fazer confetes com folhas secas. Pode parecer algo bobo, mas a ideia de reaproveitar folhas que já estão caídas no chão é bastante sustentável. Em vez de comprar os confetes prontos das lojas e gerar mais lixo no final do carnaval, você vai estar contribuindo com o meio ambiente.

Enquanto confetes sustentáveis não são vendidos pelas marcas (atenção marcas), você pode criar os seus na sua casa.

Qualquer tipo de papel usado serve para virar confete: folhas rabiscadas, contas antigas, jornais e revistas velhos, folhas caídas das árvores. Depois basta pegar um furador de papel e sair produzindo seu próprio confete sustentável.

O que você fez com a última fantasia?

Se você é do time que compra uma fantasia nova por carnaval, já deve imaginar a quantidade de problemas que está gerando, não?

Para confeccionar uma fantasia é preciso: matéria-prima, água e energia. Também vale contar com o transporte utilizado para a locomoção da peça que aumenta a emissão de gás carbônico no meio ambiente. Ah, sua fantasia é cheia de glitter? Então vale reler o tópico acima.

Para não sair em todas as fotos de todos os anos com a mesma roupa, você pode adotar algumas medidas que vão fazer um carnaval sustentável, como:

  • Trocar as fantasias com seus amigos;
  • Reformar e estilizar uma fantasia antiga;
  • Criar fantasias com as roupas que já tem em casa;
  • Criar fantasias com produtos que tem em casa;
  • Vender fantasias antigas (melhor do que deixar parada em casa ou no lixo, não é?)

O principal é usar muito a sua criatividade para economizar e não prejudicar o meio ambiente.

Outro ponto bem importante: evite ao máximo plumas e penas. Esses acessórios, muitas vezes, são retirados de patos e gansos.

O que as marcas podem tirar disso tudo?

A sustentabilidade é um tema tendência (felizmente) e precisa ser tratado com muita atenção. Para as marcas, investir em produtos sustentáveis pode ser uma grande oportunidades. Dados já mostram que as pessoas dão preferências a marcas que investem em sustentabilidade, veja:

  • 54% das pessoas frequentemente ou sempre dão preferência a empresa ou marcas reconhecidas por cuidar do meio ambiente;
  • 65% deixariam de comprar produtos de uma empresa que poluísse o ambiente;
  • Só no Brasil, 85% dos consumidores dizem se sentir melhor quando compram de marcas sustentáveis.

Como marca, é importante se posicionar em relação ao excesso de lixo e plástico que o carnaval gera nos dias festivos. Desenvolver produtos novos e alternativas para os brasileiros pode trazer um grande reconhecimento para a marca. E o meio ambiente agradece!

Com o carnaval chegando, vamos repensar nossas atitudes e escolher aquelas que trazem mais benefícios para o meio ambiente, e dessa forma vivenciar um carnaval sustentável.

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por Lari Chinaglia em 21 de janeiro