A startup norte-americana Climax Foods acaba de iniciar um novo capítulo em sua trajetória: muda de nome, passa a se chamar Bettani Farms, ganha um novo CEO e anuncia um aporte de US$ 6,5 milhões na primeira fase da sua rodada Série A. A captação foi liderada pela S2G Investments e contou com a participação de fundos como At One Ventures, Gratitude Railroad, Manta Ray Ventures e Toba Capital – todos já bem atentos ao potencial da inovação plant-based.
Com esse novo aporte, a empresa alcança um total de US$ 33,5 milhões captados desde sua fundação, há seis anos. E a liderança também ganha novo fôlego: quem assume o comando agora é Sandeep Patel, ex-CFO da Califia Farms, substituindo o fundador Oliver Zahn, que se desligou da empresa.
A nova fase marca uma guinada estratégica: o foco deixa de ser o sofisticado blue cheese vegano, que chegou a integrar os cardápios de restaurantes estrelados como Eleven Madison Park (NY) e Atelier Crenn (SF), e passa a mirar queijos mais amplamente consumidos, como mussarela e feta — mirando diretamente o mercado de food service, especialmente o de pizzas.
Uma nova proposta de caseína vegana
Por trás dessa virada está um ingrediente proprietário chamado Caseed – uma versão vegetal da caseína, proteína central do leite de vaca, conhecida por proporcionar o derretimento, elasticidade e textura característica dos queijos tradicionais. A diferença aqui é que a Caseed é 100% derivada de plantas, sem traços de laticínios, soja ou oleaginosas. E mais: é produzida a partir de sementes oriundas de culturas regenerativas, o que adiciona um ponto relevante de sustentabilidade à proposta.
Com esse diferencial, a Bettani quer resolver um dos grandes entraves do queijo vegano: a performance. A ideia é entregar queijos plant-based com sabor agradável, que derretem, esticam e oferecem a textura que o consumidor espera — com um perfil nutricional reforçado em proteínas (12 a 20g por 100g). Tudo isso sem os principais alérgenos e com uma pegada ambiental significativamente mais leve.
Segundo a empresa, a abordagem também é mais competitiva em custo do que as tecnologias baseadas em fermentação de precisão para desenvolver caseína idêntica à do leite animal.
Superando os desafios do setor
Apesar do sucesso com chefs renomados e até uma parceria com a gigante francesa Bel Group (dona de marcas como Babybel, The Laughing Cow e Boursin), a startup não passou ilesa pelos desafios que abalaram o setor de proteínas alternativas nos últimos anos. A empresa precisou se reestruturar, cortou metade da equipe e recorreu a funding ponte para manter as operações.
Um episódio de destaque foi a controvérsia envolvendo o Good Food Awards: o seu queijo Climax Blue chegou a ser anunciado como vencedor – seria o primeiro vegano a conquistar o prêmio – mas foi desclassificado após uma mudança retroativa no regulamento, supostamente motivada por pressões da indústria de laticínios. A história teve tanta repercussão que foi até parar no programa The Late Show with Stephen Colbert, em um quadro que satirizou a semelhança entre o queijo vegano e o original.
O futuro: levar o queijo vegano ao mainstream
Agora, com um reposicionamento claro e caixa reforçado, a Bettani mira alto. A empresa quer ser para o mundo das pizzas o que o leite de aveia se tornou para o café: uma alternativa plant-based que realmente conquista o consumidor final, sem comprometer em sabor, textura ou funcionalidade.
A estratégia comercial está voltada para o B2B: food services, marcas veganas que querem reformular seus produtos e fabricantes de congelados prontos para escalar uma nova geração de queijos vegetais. Além dos queijos que derretem, a Caseed também permite criar versões veganas de queijos como feta, cream cheese e até tipo de cabra, ampliando as possibilidades de aplicação no food service e em refeições prontas.
Sandeep Patel resume bem o posicionamento da empresa nesta nova fase: “O que o leite de aveia fez pelo café, queremos fazer pelas pizzas. Com sabor, desempenho e perfil nutricional compatíveis com o que o consumidor busca – sem os alérgenos e sem o impacto ambiental dos laticínios.”
Já Sanjeev Krishnan, sócio da S2G Investments, aposta no potencial transformador da empresa: “A Bettani tem o que é necessário para tornar os queijos veganos ricos em proteínas uma presença comum no mercado.”
Com tecnologia proprietária, time renovado e uma proposta que resolve as dores do setor, Bettani Farms se posiciona como um dos nomes mais promissores da nova geração de laticínios plant-based. E o mercado parece pronto para essa transformação.
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