A Happy Plant Protein, jovem empresa de Helsinque, quer inaugurar um novo capítulo para o tradicional TVP (texturizado vegetal). A proposta é simples, mas ambiciosa: produzir um ingrediente mais saboroso, livre de subprodutos químicos e com consumo reduzido de água – tendo a fava como protagonista.

A novidade foi apresentada na Food Ingredients Europe, realizada em Paris entre 2 e 4 de dezembro. Lá, a startup lançou seu texturizado de proteína de fava, resultado de uma tecnologia própria de extrusão que combina bom desempenho nutricional, menor impacto ambiental e um perfil sensorial mais agradável.

“Para que o mercado plant-based realmente cresça, precisamos de proteínas que tenham sabor, sejam produzidas de forma eficiente e funcionem bem em diferentes tipos de produtos”, afirmou Jari Karlsson, cofundador e CEO da Happy Plant Protein. “Nosso processo entrega exatamente isso: amplia o acesso a proteínas vegetais de alta qualidade e dá às indústrias a liberdade de criar as texturas que desejam.”

Um processo que rompe com o padrão atual

Criada em 2024 como um spin-off do centro de pesquisa VTT Technical Research Centre of Finland, a Happy Plant Protein aposta em resolver um problema que persiste no setor: o sabor residual amargo e o “gosto de feijão cru” presente em muitas alternativas vegetais.

Segundo Karlsson, a raiz dessa questão está nos isolados proteicos tradicionais, que dependem de extração química, grandes volumes de água e etapas intensivas em energia, gerando efluentes e, muitas vezes, mantendo sabores indesejados.

A tecnologia da startup elimina essas etapas. Em vez de produzir isolados, ela utiliza apenas farinha de leguminosas, transformando-a diretamente em proteína texturizada por meio de extrusão a seco, sem químicos e sem geração de resíduos. Além de simplificar o processo, a solução favorece o uso de matérias-primas regionais, reduzindo a dependência de importações.

O método funciona em uma única etapa, é compatível com equipamentos já usados pela indústria e requer pouco investimento adicional. A empresa destaca ainda que a tecnologia já foi testada com diferentes extrusoras, cereais e leguminosas, comprovando versatilidade e robustez.

Outro ponto importante é o controle preciso de textura e funcionalidade. Durante a extrusão, é possível definir desde uma estrutura mais firme e fibrosa, parecida com carne, até versões mais leves e porosas. Para a startup, essa flexibilidade abre caminho para uma nova geração de proteínas texturizadas e produtos híbridos.

Fava ganha destaque e agrada à indústria

A versão feita com fava tem apresentado resultados superiores ao TVP de ervilha em vários quesitos sensoriais. O ingrediente tem sabor e aroma neutros, amargor reduzido e menos notas vegetais intensas. A coloração naturalmente clara e o baixo teor de sódio ampliam seu uso em diversas aplicações.

Disponível nas formas moída, granulada e em pedaços, a proteína de fava pode melhorar estrutura e composição de produtos como carnes vegetais, blends com proteína animal, refeições prontas, snacks e muito mais.

Do ponto de vista nutricional, o ingrediente também se destaca: são 61 g de proteína e 9 g de fibra a cada 100 g, valores que atendem à crescente demanda por alimentos mais densos em nutrientes.

A Happy Plant Protein afirma que a tecnologia vem recebendo “feedback extremamente positivo e validação consistente” de fabricantes de alimentos e ingredientes. A combinação de sabor, funcionalidade e facilidade de uso tem chamado atenção do setor.

Esse reconhecimento ajudou a startup a chegar à final da categoria “Solução FoodTech Mais Inovadora” no FiE Startup Challenge. “É motivador ver essa categoria ganhar espaço, porque mostra que nossa missão está alinhada com um movimento global. Queremos tornar a alimentação mais saudável para as pessoas e para o planeta”, comentou Karlsson. “Nossa visão é oferecer uma proteína capaz de reduzir drasticamente os custos e a complexidade de produção.”

A aposta na fava também tem atraído gigantes do setor. A Beyond Meat lançou recentemente um produto de proteína moída à base de fava, com apenas três ingredientes adicionais – um sinal de que o mercado começa a enxergar a leguminosa como uma nova força no universo clean label.

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