Proteína e fibra estão cada vez mais presentes nas escolhas alimentares, e a Danone não pretende ficar de fora desse movimento. Diante da desaceleração nas vendas de leites vegetais, a multinacional aposta nesses dois nutrientes para reacender o interesse do público. A estratégia ganha forma com o lançamento de uma nova linha de bebidas da marca Silk, desenvolvida para preencher uma lacuna ainda pouco explorada no mercado plant-based.

Nos últimos anos, a presença de proteína aumentou em produtos de todas as categorias – de salgadinhos a água saborizada. Mesmo assim, apenas uma fração mínima das inovações ricas em proteína acontece no universo das bebidas vegetais, segundo dados da Mintel mencionados pela própria Danone. Para a empresa, esse descompasso ajuda a explicar por que muitos consumidores perderam o entusiasmo pelo segmento. A ideia, agora, é reconquistá-los com a nova série Silk Protein. “Existe uma demanda clara por opções vegetais mais ricas em proteína, e o mercado ainda não entrega isso de forma consistente”, afirma Wendy Nunnelley, presidente da divisão plant-based da Danone na América do Norte.

Silk Protein mira dois nutrientes em alta: proteína e fibra

A Danone já vinha testando versões enriquecidas, como o leite de aveia com 8 g de proteína por porção e o leite de amêndoas com 5 g. A nova linha, porém, eleva o padrão. Disponível nos sabores original e chocolate, Silk Protein chega com 13 g de proteína completa por porção — o maior teor entre os leites vegetais refrigerados disponíveis nos EUA. Além disso, oferece 3 g de fibra, 50% menos açúcar do que seus equivalentes lácteos e não utiliza adoçantes artificiais.

O lançamento começa regionalmente ainda este mês, com expansão nacional prevista para o início de 2026. A aposta acompanha o interesse crescente dos consumidores: em 2025, 39% dos americanos afirmam monitorar a ingestão de proteína e 28% fazem o mesmo com a fibra — ambos índices superiores aos do ano passado. Pesquisas recentes mostram que 70% dos consumidores têm a intenção de aumentar o consumo de proteína, enquanto 85% querem priorizar esse nutriente na dieta. Ao mesmo tempo, 95% da população dos EUA não atinge a ingestão diária recomendada de fibras, embora seus benefícios para a saúde intestinal sejam bem conhecidos. E, mesmo com oscilações, dois em cada cinco lares americanos continuam comprando leites vegetais, com alta taxa de recompra (76%).

“Existe uma oportunidade evidente para uma bebida vegetal com mais proteína — algo que realmente atenda ao que o consumidor procura”, reforça Nunnelley. “O interesse das pessoas por proteína cresceu de maneira impressionante.”

Danone intensifica aposta em proteína e fibra em meio ao boom do GLP-1

A busca por alternativas mais nutritivas chega em um momento delicado para o mercado de leites vegetais nos EUA, que registrou uma queda de 5% nas vendas no varejo no ano passado. Embora a receita tenha aumentado devido aos preços mais altos, o volume de vendas caiu pelo terceiro ano consecutivo. No mais recente relatório de resultados, a Danone descreve o segmento plant-based no país como um “trabalho em andamento”.

Mesmo as categorias tradicionalmente fortes enfrentam desaquecimento: segundo dados da Nielsen, o volume de bebidas lácteas permaneceu estável no acumulado de 52 semanas até 6 de setembro e caiu 0,7% no mês anterior. Os produtos proteicos ainda sustentam parte do valor agregado, mas esse ritmo também perdeu força.

A melhora no perfil proteico — tanto na quantidade quanto na qualidade — abre caminho para novas oportunidades. Marcas como Bam e Niúke já apresentam leites de trigo-sarraceno e quinoa com todos os nove aminoácidos essenciais, assim como a Whole Moon, que combina soja com aveia, amêndoas e pistaches para entregar proteína completa.

A linha Silk Protein também conversa com outra tendência forte: o interesse crescente em alimentos que estimulam a resposta natural de GLP-1, especialmente aqueles ricos em fibras. Paralelamente, pessoas que utilizam medicamentos para perda de peso têm buscado alimentos mais proteicos para reduzir a perda de massa muscular, que pode chegar a 40% ao longo de alguns meses de uso.

A Danone já vinha ampliando esse território com iogurtes e shakes nutricionais que unem proteína e fibra. Agora, Silk Protein se junta ao portfólio voltado a esse consumidor. “Oferecer exatamente o que as pessoas procuram é essencial, principalmente em momentos econômicos mais desafiadores”, conclui Nunnelley.

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