A alimentação vegana na infância ainda é um tema que gera muitos questionamentos. Como hoje é o Dia do Pediatra, para homenagear esses profissionais da saúde e abordar esse assunto tão importante, conversamos com o Dr. Bruno Shoiti, médico formado pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em pediatria e especialização em neonatologia, para trazer informações e dicas ao público.

Ele cita que diversas instituições como a Sociedade Canadense de Pediatra, a Academia Americana de Pediatria e a Associação Dietética Americana já dão pareceres favoráveis a uma alimentação sem carne de origem animal. Por isso, confira o texto e aprenda mais sobre o assunto.

Pediatra dá dicas sobre alimentação vegana na infância
Imagem de Bruno Shoiti: Reprodução do site do pediatra

Vegan Business: Muitos pais temem que a nutrição de seus filhos fique comprometida sem o consumo de alimentos de origem animal. Como os pais podem perder o receio de introduzir a alimentação vegetariana ou vegana para as crianças e adolescentes?

Bruno Shoiti: A primeira coisa é procurar um profissional que esteja atualizado sobre essa questão, que saiba como acolher e como orientar da melhor forma, tanto na alimentação quanto na suplementação dessas crianças. Há muita literatura científica e pareceres favoráveis de diversas instituições de peso pelo mundo. É necessário buscar informações e profissionais que podem auxiliar nessa tomada de decisão e nesse acompanhamento. 

VB: Existe algum cuidado específico para uma criança ou adolescente que segue uma dieta vegana ou vegetariana?

BS: Sim, existem alguns cuidados específicos tanto na alimentação quanto na suplementação. A alimentação dessas crianças será baseada em legumes, verduras, leguminosas, cereais, raízes, frutas e oleoginosas, e é muito importante equilibrarmos esses grupos alimentares no prato da criança e do adolescente. É necessário planejar essa alimentação, de preferência com um profissional da área, um nutricionista ou um médico, que esteja acompanhando esse público, para haver todo esse cuidado no planejamento tanto da alimentação quanto da suplementação. 

Além disso, é muito importante que a criança coma uma variedade de leguminosas, do grupo de feijões, ervilha, grão-de-bico, soja e lentilha, com uma variedade e frequência adequada. Esses alimentos são a principal fonte de ferro e proteína para essas crianças. 

VB: Que tipo de suplementação uma criança vegana ou vegetariana precisa?

BS: Uma criança vegana ou vegetariana precisa da suplementação da vitamina B12, já que no Reino vegetal não temos fontes seguras. Obrigatoriamente precisamos realizar a suplementação da B12, e isso precisa ser realizado por um profissional, porque a dose precisa ser adequada para cada indivíduo. Cada pessoa terá uma dose adequada de B12 e nós manipulamos essa vitamina para que haja a suplementação adequada na infância. 

VB: Quais são os tipos de alimentos mais recomendados para as crianças e adolescentes veganos? O que você não recomenda?

BS: Todos esses alimentos, como legumes, verduras, leguminosas, cereais, raízes, frutas e oleoginosas, podem ser utilizados em uma criança saudável. A grande questão, quando a gente retira a carne da dieta de uma criança, é não trocar por um excesso de produtos industrializados, ou seja, substituir a carne por um alimento ultra processado vegano. O mais recomendado é a alimentação natural. 

VB: Como garantir que não vão faltar nutrientes com a alimentação vegana na infância?

BS: É preciso planejar essa alimentação com um profissional, fazer a suplementação dessas vitaminas adequadamente e realizar um acompanhamento com um pediatra que esteja atualizado quanto a esse assunto. Será necessário coletar exames e acompanhar como a criança está se desenvolvendo ao longo do tempo. A resposta é que nós precisamos sempre acompanhar essas crianças, assim como todas, as onívoras (que comem carne) também precisam ser acompanhadas e colher exames em suas rotinas.

VB: Como pais não-veganos podem apoiar a criança ou adolescente caso ela queira seguir essa dieta?

BS: Podem ajudar a encontrar informações de qualidade e fazer acompanhamento adequado junto a um médico ou nutricionista, para que aquele jovem tenha toda a alimentação e suplementação a disposição.  Assim, a criança e o adolescente não farão isso sem segurança.

VB: De que maneira ensinar sobre a alimentação saudável para essa faixa etária? Você tem alguma dica?

BS: Acredito que ensinar alimentação saudável é um hábito. Primeiro os pais precisam aprender a ter uma alimentação saudável também, modificando seus hábitos de vida para hábitos saudáveis (realizando exercícios físicos e tendo uma alimentação adequada). A criança e o jovem absorvem os hábitos que aquela família tem, o primeiro passo é os próprios pais modificarem suas alimentações. 

Outra coisa é trazer as crianças e os jovens para a cozinha, pois tanto a hora de cozinhar como quando se compra os alimentos, são bons momentos onde os pais podem ensinar sobre esse assunto: “como escolher os alimentos adequados?” e “como cozinhar da melhor forma?”. Não é só receber o prato de comida, todo o processo envolvido é uma oportunidade, tanto à mesa quanto antes. 

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*Imagem de capa: Unsplash



por Amanda Stucchi em 27 de julho