Consumidores exigentes estão estimulando uma verdadeira revolução. Depois dos hambúrgueres e carnes à base de plantas, chegou a vez do peixe vegano.

Durante os últimos anos, pudemos observar como as indústrias, os restaurantes e as lanchonetes adaptaram cada vez mais suas ofertas de alimentos. Também, como os varejistas aproveitaram a onda plant based e introduziram com sucesso seus próprios produtos sem carne.

Ao que tudo indica, ter alternativas alimentares que excluam produtos provenientes de animais parece ser a maior tendência dessa década. Mas e os peixes? Finalmente, peixes e frutos do mar estão na mira das grandes foodtechs mundiais.

A importância do peixe vegano

O peixe sempre foi a maior lacuna no que se refere a carne à base de plantas. Se considerarmos os problemas relacionados à sustentabilidade, não há diferenças significativas em relação à produção e consumo de outras carnes:

  • A sobrepesca comercial e as mudanças climáticas destroem os ecossistemas marinhos e colocam em risco a oferta global de frutos do mar;
  • Fazendas de criação de peixes e captura de frutos do mar são práticas que infringem o bem-estar animal;
  • Micro plásticos e resíduos industriais, quando ingeridos, afetam drasticamente a saúde humana.

As novas gerações, particularmente os millenials e a geração Z, também se preocupam com os impactos éticos e ambientais dos alimentos que ingerem. Eles estão atentos às consequências da sobrepesca nos ecossistemas locais e violações dos direitos humanos nas cadeias de fornecimento de frutos do mar.

Assim, já há razões mais que suficientes para o desenvolvimento de peixes à base de plantas.

A vez do peixe vegano

É certo que muitos irão torcer o nariz, mas a próxima grande novidade da comida à base de plantas é … peixe e frutos do mar. Mais especificamente, peixes como atum, e frutos como caranguejo e camarão estão entre os produtos à base de plantas do momento, segundo a Food Hack.

Até bem pouco tempo atrás, se você procurasse por peixes à base de plantas, provavelmente teria se frustrado. Mas, com o reforço oferecido pelas mudanças nas preferências dos consumidores conscientes e pelos altos retornos sobre empresas como a Beyond Meat, os investidores estão mirando na categoria, como gaivotas em um peixe.

Trata-se apenas de uma fatia da indústria de alimentos à base de plantas que segundo estimativas do Barclays valerá US$ 140 bilhões nos próximos 10 anos, capturando 10% da indústria global de carnes de US$ 1,4 trilhão. Considerando que peixes e frutos do mar veganos agora representam apenas 1,2% das vendas, há muito espaço para crescimento.

O mercado de peixe vegano

Tradicionalmente, os consumidores enxergam o consumo de peixes e frutos do mar como uma alternativa mais saudável e leve em relação a outras carnes. No entanto, do mercúrio ao micro plástico, o setor também enfrentou sua justa parcela de crises na saúde nos últimos anos.

Nesse contexto, os produtos à base de plantas estão perfeitamente posicionados para atrair consumidores que buscam por alternativas “saudáveis”, livres de alérgenos, que lhes permitam continuar desfrutando do sabor único de peixe e frutos do mar.

No ano passado houve um crescimento de startups em busca de participação neste mercado, já que os relatórios indicavam que os peixes estavam prestes a entrar e tomar conta do cenário. O ano de 2020 tem reafirmado as previsões, e a tendência é de que haja uma verdadeira alavanca no mercado.

O que há no mercado

O mercado de peixe vegano nos EUA e Europa já não á algo tão novo. Enquanto esses produtos se tornam cada vez mais bem-sucedidos, os grandes fabricantes de alimentos também se apressam para tomar suas fatias de mercado.

Atum vegano

Recentemente, a  fabricante de peixes Good Catch levantou US$ 8,7 milhões para expandir sua linha de atuns à base de plantas, assim como, tortas de caranguejo e muito mais, à medida que o público se direciona ao peixe vegano com maior entusiasmo.

A Ocean Huger Foods tem opções vegetais para o atum e a enguia. A réplica do atum ahimi faz maior sucesso e é simplesmente feita com tomates, molho de soja não OGM, água filtrada, açúcar e óleo de gergelim.

Peixe e frutos do mar

Já a startup americana New Wave é especialista em camarão. Ela produz uma versão vegana que possui a mesma textura e sabor. A proteína de algas marinhas é responsável pela consistência típica do crustáceo, e o sabor é proveniente de uma combinação de extratos de plantas.

A Sophie’s Kitchen, produz frutos do mar usando konjac, uma espécie de raiz asiática. A empresa surgiu depois que a filha da fundadora foi diagnosticada com alergia a mariscos, e seus produtos são liberados para veganos.

A Vbites é uma das pioneiras em alternativas ao peixe, feitas com ingredientes 100% vegetais, e tem trabalhado para melhorar cada vez mais seus produtos.

A Plant Based Foods criou um caviar vegano para os paladares refinados e sofisticados. São feitos de algas, água, sal, extratos de especiarias e um estabilizador para dar a eles uma textura única de ovo de peixe – sem o peixe é claro. Existem várias cores do produto, cada uma com um sabor distinto.

Gardein também faz um filé de peixe à base de plantas revolucionário, feito à base de proteína de soja e tem extrato de algas que fornecem ômega-3.

A Impossible Foods, gigante do mercado de carnes à base de plantas, já anunciou que está trabalhando na sua versão de pescado. E por fim, a Nestlé  também anunciou no início do ano que está prestes a lançar um atum à base de plantas, que provavelmente estará nas prateleiras ainda este ano.

Cenário no Brasil

Enfim, no Brasil, ainda não temos toda essa oferta de peixe vegano. E sabe qual a maior vantagem disso? Há um mercado pronto para ser explorado.

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por Nadia Ferreira Gonçalves em 24 de junho